Grupo de astronomia da USP faz vaquinha para bancar ida a congressos

Participação em eventos científicos no Brasil e no mundo são importantes para debater e compartilhar descobertas

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Alguns dos membros do grupo em companhia do professor Jorge Meléndez – Foto: Divulgação

O trabalho deles envolve a busca de planetas fora do sistema solar e a compreensão de como funcionam as estrelas. Muitas descobertas importantes estão sendo realizadas, mas o reconhecimento e o avanço desses estudos dependem, em grande parte, da apresentação e do debate desses achados junto à comunidade científica – algo que exige gastos com inscrições, passagens aéreas, hospedagem e alimentação.

Estamos falando do grupo Sampa, sigla para Stellar Atmospheres, Planets and Abundances. Vinculado ao Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, esses pesquisadores lançaram uma campanha de financiamento coletivo na internet com a ideia de arrecadar fundos para financiar a participação de seus membros em diferentes congressos científicos pelo mundo.

O objetivo é arrecadar R$ 15 mil. A vaquinha virtual vai até o dia 10 de junho deste ano e qualquer um pode colaborar. Veja o vídeo da campanha:

Formado por estudantes e pesquisadores e liderado pelo professor Jorge Meléndez, reconhecido astrônomo na caracterização de estrelas parecidas com o Sol, o grupo desenvolve pesquisas de ponta no estudo de exoplanetas – planetas fora do sistema solar -, de estrelas e da galáxia. “São várias pessoas trabalhando de formas muito diferentes, mas que se encaixam num contexto de como a nossa galáxia evolui”, explica Diego Lorenzo de Oliveira, membro do grupo e um dos coordenadores da campanha.

Descobertas

Dentre as recentes descobertas do grupo está a identificação do primeiro planeta gêmeo de Júpiter orbitando uma estrela gêmea do Sol. De acordo com Oliveira, diferentemente do que se acreditava antigamente, hoje sabe-se que é muito difícil encontrar sistemas de planetas semelhantes ao solar e, uma vez que um planeta análogo a Júpiter é identificado, abre-se caminho para tentar detectar novos planetas nesse ou em outros sistemas que sejam semelhantes à Terra – o que o grupo chama de “Terra 2.0”.

Impressão artística do gêmeo de Júpiter orbitando a estrela gêmea do Sol HIP 11915, descoberta feita pelo grupo. Imagem: ESO/L. Benassi.

Conforme o pesquisador explica, essas descobertas estimulam tanto o desenvolvimento científico e tecnológico quanto o surgimento de novos astrônomos no Brasil, já que mostra que é possível fazer ciência no País. Entretanto, afirma, o avanço do trabalho realizado pelo grupo esbarra nos cortes orçamentários que o IAG vem sofrendo nos últimos anos.

Todo dinheiro arrecadado será usado para custear viagens de membros do grupo para reuniões científicas internacionais. Conforme consta no site da campanha, a participação deles nesses eventos é fundamental para inserir a ciência desenvolvida pelo Sampa em um contexto mundial. “Todo mundo doando um pouco a gente consegue avançar na ciência”, conclui Oliveira.

 

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