Gestão pública ganha espaço na USP com nova empresa júnior

Voltada para o primeiro setor, FEA Pública lida com área ainda pouco discutida na tradicional unidade que a sedia

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Atualizado em 11 de maio de 2017, 16h40*

Parte dos 19 membros fundadores da FEA Pública – Foto: Raphael Concli

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“A gente tem que se acostumar a ser nômade”, diz Alexandre Aebi, enquanto vamos em busca de uma sala para nossa entrevista. O estudante é membro da FEA Pública, empresa júnior recém-criada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. Assim como diversas outras entidades da faculdade, a FEA Pública
ainda não tem um espaço próprio. Usam uma sala coletiva cedida pelo centro acadêmico da unidade, onde contam com uma caixa para guardar seus pertences. Nada disso, porém, tem lhes impedido de desenvolver seu trabalho e projetar crescimento.

Alexandre e Larissa Spinola, ambos estudantes de economia, e parte dos 19 membros fundadores da FEA Pública, conversaram com o Jornal da USP sobre o surgimento, as ideias e perspectivas desta organização nova e particular.

Segundo conta a dupla, o surgimento da empresa vem de uma demanda por mais espaços que discutam o setor público na FEA, onde não só as outras juniores, mas a própria grade curricular dos cursos é em larga medida voltada para o setor privado. A proposta da entidade é trabalhar com o setor público e tentar aproximar a Faculdade dele. O acolhimento por parte de professores e alunos têm sido positivo, avaliam.

“A gente acredita no Estado como principal meio transformador”, afirma Larissa. E complementa: “Falar de setor público é bastante amplo. Não é só primeiro setor. Setor público lida com tudo o que é público. Mas a gente não descaracteriza a importância do terceiro setor e de como ele pode ajudar a gente a lidar com o primeiro”.

A empresa possui três eixos de atuação: um setor de pesquisa, outro para a realização de eventos, e também o de serviços externos, voltado em especial para a realização de consultorias para o setor público.

A falta de conhecimento prévio para a criação da entidade foi contornada com a busca de iniciativas parecidas. Uma delas é a Fundação João Pinheiro, escola de governança pública em Minas Gerais. Além da fundação, foi feito contato com outras dez empresas juniores que lidam com o setor público.

Embora com poucos meses de vida, a FEA Pública já tem uma consultoria em andamento. Trata-se do desenvolvimento de relatórios para a ONG Vetor Brasil, instituição que atua como mediadora para a promoção de estágios em órgãos públicos. Novos trabalhos com outras instituições já estão a caminho, indica Alexandre.

Diversidade e horizontalidade

A entidade começou a se desenhar a partir da reunião de estudantes com interesses comuns, no segundo semestre de 2016. Após um período de planejamento estratégico, definição de objetivos, metas, e da estrutura organizacional, a FEA Pública surge de fato em dezembro. O primeiro processo seletivo da empresa está em vias de finalização. Dos 110 inscritos, 27 foram selecionados.

A FEA Pública não busca um perfil particular de aluno, nem exige que o candidato tenha expertise em setor público. A diversidade é o valor que mais importa. Seja no próprio processo seletivo, na linguagem dos materiais de divulgação ou nos membros designados para representar a entidade em eventos e realizar entrevistas, há uma preocupação permanente com a desconstrução de assimetrias sociais.

A própria organização da empresa procura evitar uma estrutura rígida e hierárquica. A liderança é híbrida, dizem Alexandre e Larissa. Todos secretários ocupam algum cargo de liderança e todos os membros da entidade têm direito a voto nas decisões. Certos termos da linguagem da empresa mostram também o interesse em se afastar do vocabulário empresarial tradicional: ao invés de recursos humanos, por exemplo, fala-se em gestão humana. Além disso, a organização considera que o processo é tão ou mais importante do que o produto final.

Diferenças ideológicas e preferências políticas não deixam de estar presentes na vida da entidade, mas segundo seus membros, a FEA Pública é apartidária. “Você pode ser apartidário, mas não consegue ser apolítico”, considera Alexandre. Pensar política e tomar posições é parte do trabalho da empresa, o que não quer dizer que se deva dar carta branca e aceitar tudo o que se vê no setor público, pondera a dupla.

A proposta de organização da empresa visa maior horizontalidade entre os setores – Divulgação / FEA Pública

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Em busca de financiamento

Apesar de já estar em atividade, a empresa ainda precisa se institucionalizar. E para isso falta a contrapartida financeira, conta Alexandre. A regularização da entidade em cartório envolve custos, e é necessária para a obtenção de um CNPJ para a abertura de uma conta bancária e, especialmente, para que se possa concorrer em licitações de serviços públicos. No momento, busca-se a criação de parceiras com alguma das fundações da FEA, que têm tradição de auxílio às juniores da unidade.

A FEA Pública não tem no momento uma fonte de renda. Mesmo as consultorias realizadas hoje são gratuitas ou, no máximo, custam o necessário para se cobrir os gastos com a própria realização do trabalho – como despesas com deslocamento. A longo prazo, a empresa pretende que as consultorias se tornem esta fonte de renda. Este dinheiro deverá ser reinvestido na própria entidade que, como diz Larissa, “é um fim em si”.

Evento de apresentação institucional da FEA Pública – Foto: Divulgação

* A FEA Pública é mais um espaço voltado para a discussão de políticas públicas na USP, mas não o único. A Escola de Artes, Ciências e Humanidades na USP Leste possui o Bacharelado e também o Mestrado em Gestão de Políticas Públicas. No âmbito deste curso foi criada a Vertuno, empresa júnior voltada precisamente para a gestão de políticas públicas.

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