Geógrafo e professor da USP, Milton Santos é homenageado por alunos

Auditório da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas recebeu oficialmente o nome do estudioso, falecido em 2001

Por - Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=187103
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Quadro em homenagem ao professor, que está afixado na entrada do auditório que leva seu nome – Foto: Cicero Wanderberg / STI-FFLCH

Um evento sobre a geografia da África foi a ocasião escolhida para homenagear o Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Milton Santos. Desde o dia 6 de agosto, o estudioso falecido em 2001 empresta seu nome ao Auditório de Geografia, no edifício Eurípedes Simões de Paula, na Cidade Universitária.

Santos lecionou Geografia Humana na FFLCH de 1983 a 1997 e é considerado um dos principais estudiosos de sua área. Em sua obra, destacam-se os estudos sobre a urbanização nos países subdesenvolvidos.

Estudantes de Geografia fizeram um abaixo-assinado indicando o professor para nomear o espaço e levaram a proposta até a direção da faculdade. “Quando a proposta chegou a mim eu disse: ‘a Faculdade apoiará imediatamente’. Não só pela justiça, pela importância que significa ter tido uma figura como o professor Milton Santos entre os professores da nossa instituição e por tudo que ele representou e representa em todos os campos, sobretudo o intelectual ímpar, uma figura que representava todo o universo de direitos”, declarou a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

Exposição de imagens captadas durante o trabalho de campo em comunidades de matriz africana na Costa do Dendê, Bahia – Foto: Cicero Wanderberg / STI-FFLCH

A homenagem foi realizada no primeiro dia de atividades da Semana de Geografia da África: A diáspora em discussão. O evento foi idealizado para apresentar, por meio de uma exposição, mesas de debate e mapas de localização, o trabalho de campo desenvolvido em uma disciplina na qual os alunos visitaram comunidades de matriz africana na Costa do Dendê, Bahia. Como a proposta era analisar o processo de formação do território africano, abordando também o movimento negro organizado e a luta contra o racismo e a discriminação, os alunos aproveitaram o momento para fazer uma cerimônia oficial de nomeação do auditório.

O chefe do Departamento de Geografia, Antonio Carlos Colângelo, disse que, apesar da nomeação tardia, o nome escolhido para o auditório só poderia ser o de Milton Santos, visto que “o professor é o maior geógrafo de todos os tempos”.

Durante o evento, a geógrafa Taís Telles destacou o que é ser negro no Brasil e citou frases de estudiosos e importantes nomes da causa negra, como o professor aposentado da FFLCH Kabengele Munanga, Abdias do Nascimento (1914-2011), Lélia Gonzalez (1935-1994) e o próprio Milton Santos (1926-2001), do qual citou as palavras: “Ser negro é estar constantemente submetido a um olhar enviesado e ambíguo, pois a escravidão marcou o território, o país e as relações”. “Dar nome também pode ser entendido como uma forma de destacar uma memória”, ressaltou a professora da rede municipal de ensino Amanda Lima.

A Cidade Universitária inaugurou no ano passado a Praça Milton Santos, espaço localizado junto às instalações do novo centro de pesquisa Inova USP..

Adaptado de Eliete Viana, da Assessoria de Comunicação da FFLCH
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