Fundadores de startups formados na Poli dão dicas para empreender

Engenheiros relembram trajetória na USP que contribuiu na criação de seus negócios

Por - Editorias: Universidade
Lucas Mendes, à esquerda, e seu sócio, Lach de Crespina – Foto: Reprodução / PoliInforma

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“A Poli é uma simulação da vida. Se você se dedica, pode tirar muito dela”, assim Victor Lazarte define sua formação. O ex-estudante da Escola Politécnica (Poli) da USP, hoje, é sócio-fundador da TFG – maior empresa de games da América Latina. Lazarte, 31 anos, graduou-se em 2009 no curso de Engenharia de Produção. Há sete anos, ao lado do irmão Arthur, também formado na Poli, fundou sua própria companhia. Atualmente, a empresa conta com um milhão de usuários e é responsável pela criação do jogo de tiro mais baixado na Apple Store em 2016, Sniper 3D.

“Sempre quisemos montar um negócio e nos perguntávamos por que, no Brasil, não existiam grandes empresas de tecnologia. A base são as ‘cabeças’, e isso nós temos”, conta Lazerte. “Naquela época, estava muito claro que o mercado dos smartphones seria gigante. Detectamos que havia espaço e que as pessoas geralmente importavam um modelo de negócio em vez de criarem seus próprios”, explica.

Segundo o empreendedor, o ‘pulo do gato’ das startups é se antecipar ao mercado. Para Lazarte, é complicado concorrer com grandes empresas, mas, ao ingressar em um pequeno nicho, com domínio de determinado tema, quando tal mercado expandir, você acaba se tornando peça importante de um futuro grande setor.

Foi exatamente o que ocorreu com a TFG. Para o engenheiro, a formação acadêmica é parte fundamental do sucesso na startup. “A Poli me ensinou duas coisas: a primeira é o rigor. Durante o biênio, quando cursamos disciplinas básicas, aprendemos que o quase certo não é certo, e que um erro mínimo pode comprometer seus resultados”, relembra. “Você extrapola essa lição para muitas outras coisas na vida — seu trabalho tem de ser perfeito. Se não é perfeito, então está errado. Qualquer pessoa que queira se dar bem no mundo da tecnologia tem de entender as sutilezas, estar ciente de que os detalhes são importantes.”

O segundo aprendizado foi o acesso ao conhecimento que a Poli oferece aos alunos. “A escola abre portas para o mundo. Por isso, se eu tivesse de deixar uma mensagem para os ingressantes, seria para valorizarem as atividades acadêmicas e profissionais presentes na Universidade, principalmente no período do biênio. Cada hora que investirem no início do curso irá render cem horas em suas vidas profissionais.”

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Formando profissionais resilientes

Graduado em Engenharia Química pela Escola Politécnica no ano de 2007, Lucas Mendes é sócio fundador da Revelo — startup que atua na área de recursos humanos. Para Mendes, a principal qualidade dos egressos da escola é a resiliência.
“Todo politécnico sabe que a Poli não é fácil e desistir é tentador. Todo mundo já pensou em desistir. E é esse ‘não desistir’ que torna-se fundamental quando você quer empreender”, explica. “Empreender é ouvir todos dizendo que não dará certo, que você está se arriscando demais. Para suportar, é preciso ser resiliente.”

O empreendedor também destaca a capacidade de pensar de forma analítica, que consiste em ser capaz de dividir problemas em fragmentos e resolvê-los passo a passo.

Uma terceira aptidão indispensável para o empreendedor, na visão de Lucas Mendes, é a paixão por aprender coisas novas e diferentes. “Durante os dois primeiros anos da Poli, vivemos a multidisciplinaridade. Saímos do laboratório de química para a aula de cálculo diferencial, depois para introdução à computação, álgebra. A Poli te acostuma a essa multidisciplinaridade, algo muito útil futuramente. Empreender é sinônimo de precisar e conseguir fazer mil coisas ao mesmo tempo.”

Daniel Liebert, 32 anos, fundador e gerente de novos negócios da Stoodi — startup que atua no nicho educativo, preparando alunos para o vestibular — faz coro às palavras de Mendes. Para ele, “a capacidade analítica que a Poli oferece é muito valorizada no mercado.”

Graduado em engenharia mecânica, Liebert enxerga a formação como algo capaz de capacitar os alunos a aprenderem rapidamente, lidarem com pressão e assimilarem diversas informações simultaneamente.

“A habilidade de conseguir aprender rápido é extremamente boa para quem empreende. Todo dia surge um problema diferente. Muitas vezes, não temos tempo de colher as informações necessárias para tomar a decisão perfeita, então, trabalhamos com incertezas, buscando aprender o máximo possível no menor espaço de tempo. ”

Trata-se de uma formação técnica que dá aos alunos base para atuar em distintas áreas, justamente porque os estudantes são treinados para ‘aprender rápido’. “Conseguimos nos mover em ambientes muito diferentes: têm profissional que vai trabalhar em banco, ONGs, empresas de consultoria, marketing, administração, e tem gente que vai empreender. Isso é resultado da formação que tivemos”, fala. “A quantidade de atividades curriculares da escola também auxilia o estudante a priorizar o mais importante.”

De acordo com o engenheiro, a Escola Politécnica oferece conteúdo e bagagem para o aluno se desenvolver rapidamente. “Quando você descobre seu norte e insere sua formação na busca por esse objetivo, fica motivado. Depois deste momento, o céu é o limite.”

Da Assessoria de Comunicação da Poli

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