Projeto Arte e Ciência coloca autonomia do aluno em foco

Experimentos e atividades em parques e escolas estimulam aprendizado de ciências no ensino básico

Por - Editorias: Extensão
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As crianças observam o princípio físico de cada instrumento na prática – Foto: Arquivo Pessoal
As crianças observam o princípio físico de cada instrumento na prática – Foto: Arquivo Pessoal

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Um suporte de madeira, uma fonte de laser, uma seringa plástica descartável e amostras de água contendo microrganismos: isso é o que basta para colocar em funcionamento o chamado projetor de gota, que permite observar em uma tela, aumentado em até mil vezes, o que está contido em uma gota d’água. Para além das imagens do mundo microscópico, que encantam e impressionam, a atividade pode ajudar professores a apresentar conceitos da física e da biologia de um jeito mais descontraído e interdisciplinar.

Esse é apenas um dos experimentos realizados pelo projeto Arte e Ciência no Parque, que surgiu com os objetivo de disseminar conhecimentos científicos entre o público leigo e despertar o interesse de jovens para a ciência. Por isso, desde o começo, o professor responsável Mikiya Muramatsu sabia que “não poderia ser dentro da academia, tinha que ser em um espaço aberto para o público”. Assim, começaram os eventos em parques municipais de São Paulo, com exposições e oficinas, entre outras atividades, que acabaram extrapolando os parques e chegando até as escolas.

Uma década de história

O projeto de extensão foi criado em março de 2007, a partir da aprovação de um edital de popularização e divulgação da ciência e tecnologia do CNPq. No primeiro ano, foram feitas exposições em parques próximos à USP, como o Parque da Previdência, o da Independência e o Ibirapuera.

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Professor Mikiya Muramatsu participando de oficina com crianças – Foto: Arquivo Pessoal
“Nós não queremos apenas ensinar, mas encantar as crianças. Acredito que hoje exista uma crise mundial pelo gosto da ciência”, afirma o professor Mikiya Muramatsu – Foto: Arquivo Pessoal

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Muramatsu, que é professor do Instituto de Física (IF) da USP, conta que, com o tempo, começaram a surgir pedidos de escolas públicas para a realização de atividades nesses espaços também. Com dez anos de existência, a procura só aumentou. “Atualmente, os eventos no parque ocorrem esporadicamente, porque a demanda nas escolas é muito grande. Elas solicitam exposições e algumas atividades. Nós temos oficinas para construir pequenos instrumentos, como caleidoscópios e lunetas. Por trás de cada um, há princípios da física funcionando”, explica.

Durante esse tempo, o público do projeto também sofreu alterações. Muramatsu conta: “Pensávamos que, dentro dos espaços escolares, deveríamos trabalhar com o ensino médio, porque é o tema que os alunos estudam, pela grade curricular”. No entanto, eles perceberam que para motivar e encantar os alunos, é mais importante estimulá-los desde o ensino básico. “Nós sempre vamos à escola, primeiro, conversamos com os professores e expomos os objetivos do projeto, no sentido de envolvê-los no processo, para que não seja apenas uma visita pontual”, complementa.

Além disso, o projeto criou uma parceria com a Sociedade Brasileira de Física (SBF). Muitos eventos da sociedade possuem uma linguagem técnica, usada pelos pesquisadores da área. Assim, as populações das cidades que sediam essas cerimônias não entram em contato com o conhecimento ali exposto. O Arte e Ciência faz atividades, como oficinas e feiras de ciência, para estimular o estudo da física, localmente.

O projeto conta com um acervo de aproximadamente 60 experimentos de física, matemática e biologia.

Crise na ciência e na sala de aula

Mikiya Muramatsu acredita que, apesar dos avanços tecnológicos dos últimos anos, o interesse pela ciência está comprometido. “Nós não queremos apenas ensinar, mas encantar as crianças. Acredito que hoje exista uma crise mundial pelo gosto da ciência”, explica.

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O projeto conta com um acervo de aproximadamente 60 experimentos de física, matemática e biologia – Foto: Arquivo Pessoal
O projeto conta com um acervo de aproximadamente 60 experimentos de física, matemática e biologia – Foto: Arquivo Pessoal

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Para o professor, “o conhecimento está muito disponível. Há 50 anos atrás, a escola era o centro do saber. Atualmente, você tem uma possibilidade fantástica de informação”. A escola não perde sua função social, mas o papel do professor precisa ser repensado, pondera.

Muramatsu explica que o trabalho com experimentos pode ser um ponto de partida para a mudança de dinâmica na sala de aula. O propósito é estimular o protagonismo do aluno, por meio da pedagogia da pergunta. “Nesse sentido, a formação do professor muda de foco. Ele não é a única fonte do conhecimento e passa a gerenciar e estimular os alunos”, explica.

Uma relação de troca

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Alunos da Universidade auxiliam as atividades nas escolas – Foto: Arquivo Pessoal
Alunos da Universidade auxiliam as atividades nas escolas – Foto: Arquivo Pessoal

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Para os alunos da Universidade, o projeto proporciona um grande contato com a realidade da escola e os prepara para a futura profissão. “Eu sempre desafio os meus alunos a explicar conceitos abstratos para as crianças. Para isso, é preciso fazer analogias e usar uma linguagem adequada. É uma troca muito importante, porque o currículo do curso não propicia esse tipo de formação. Provavelmente, ele será um professor com mais sensibilidade para olhar o aluno”, explica o professor.

Além disso, o Arte e Ciência é objeto de estudo para o IF. Atualmente há dois doutorandos e uma mestranda pesquisando o ensino de ciência, como as melhores metodologias e a cronologia dos assuntos mais adequada, entre outros aspectos.

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