Grupo da USP quer levar modelo de construção de casa a refugiados

Equipe da Escola Politécnica está concorrendo a prêmio nos Estados Unidos, mas precisa de ajuda financeira

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Construção civil: O desperdício na construção civil vai desde 8% com materiais até 30% com custo de retrabalho - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
O desperdício na construção civil vai desde 8% com materiais até 30% com custo de retrabalho – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Um dos grandes problemas da construção civil atualmente é o grau de desperdício, tanto de materiais quanto de trabalho humano. Pesquisas desenvolvidas na Escola Politécnica (Poli) da USP apontam níveis de desperdício de 8% em perdas financeiras de materiais e até 30% em custos de retrabalho. Essas perdas causam impactos tanto econômicos quanto ambientais.

Pensando em uma forma de reduzir esses desperdícios, o Núcleo de Apoio à Pesquisa para a Mineração Responsável (NAP-Mineração) da Poli, com a empresa i9, desenvolveu um sistema de blocos encaixados que dispensa o uso de argamassas e a necessidade de perfurações para a passagem de encanamentos e conduítes. Isso diminui tanto os custos quanto o prazo de construção.

E é justamente esses benefícios do sistema de construção que uma equipe de estudantes da Escola Politécnica quer levar a refugiados. A ideia do time é construir moradias de forma mais rápida, barata e em larga escala para abrigar refugiados, ou ajudar na reconstrução do país de origem. A intenção é capacitar os próprios refugiados a construírem as casas, pois a utilização dos blocos encaixados é simples e não requer tanto conhecimento técnico quanto os blocos convencionais.
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Bloco de encaixe desenvolvidoBloco encaixado: pinos de plástico são colocados nos furos menores do bloco, permitindo que os blocos acima se encaixem - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens por alunos da Poli-USP. Foto: Cecília Bastos/USP Imagem
Bloco de encaixe: pinos de plástico são colocados nos furos menores do bloco, permitindo que os blocos acima se encaixem – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens .

O projeto dos alunos da Poli foi um dos selecionados ao Hult Prize, uma competição mundial de startups na qual estudantes universitários devem apresentar soluções para grandes problemas sociais que afetam o planeta. Todo ano o desafio da competição recebe um tema, chamado de Desafio do Presidente, lançado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Este ano, o tema é a questão dos refugiados.

O grupo que apresentar o melhor projeto para ajudar a restaurar os direitos e a dignidade dos refugiados irá receber US$ 1 milhão para implementar a proposta. Segundo a ONU, existem 43 milhões de refugiados ao redor do mundo, a maioria deles sem condições dignas de trabalho e moradia.

A competição possui quatro fases: na primeira, as equipes universitárias são chamadas para disputar nas finais regionais que ocorrem em cinco locais – a equipe da Poli irá dia 3 de março para Boston, nos Estados Unidos; na segunda, chamada de Acelerador, seis equipes das finais regionais recebem, em seis semanas, todo o suporte técnico da Hult Foundation para desenvolver o plano de negócio. A terceira, chamada de Final Global, é quando as equipes se apresentam para um público global e o ex-presidente Clinton, com uma equipe, definirá o projeto campeão. Na última fase, o time receberá o apoio da Hult Prize Foundation para abrir a sua startup social e implementar o projeto.

Ajuda financeira

Para competir no mês de março em Boston, o time da USP abriu uma campanha de crowdfunding na plataforma Kickante para custear a viagem. A meta é arrecadar R$ 15 mil até o dia 22 de fevereiro. Quem contribuir com mais de R$ 1 mil receberá uma dedicatória no dia da apresentação em Boston. A contribuição pode ser feita neste link.

Em 2016, o mesmo projeto competiu nas finais regionais para a temática Espaços urbanos lotados. O estudante Fernando Rocha, membro da equipe da Poli, conta que o grupo acredita que a ideia dos blocos encaixados tem grande chance de vitória. “Só por termos sido selecionados pela segunda vez dentre 50 mil mostra o grande potencial do projeto”, afirma. Outra integrante da equipe, Gabriela Menin, também destaca a importância de levar o nome da USP para uma competição mundial desse tamanho.

A equipe é formada pelo professor da Poli Giorgio de Tomi, o pesquisador Ricardo Tichauer e o idealizador do projeto e diretor da i9 Tecnologia, Alexandre Passos, além dos alunos de graduação Fernando Rocha, Gabriela Menin e Vitor Ramirez.
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Os alunos da Escola Politécnica Fernando Rocha e Gabriela Menin que desenvolveram bloco de encaixe - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os alunos da Escola Politécnica Fernando Rocha e Gabriela Menin que participaram do desafio do Hult Prize – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens.

Sistema de blocos encaixados

O bloco desenvolvido pelo grupo da Poli evita o uso de argamassa entre os blocos através do uso do modelo de encaixe. Utilizando pinos de plástico, que é material reciclável, é possível travar um bloco no outro com segurança. Além disso, a existência de furos nos blocos permite a colocação de tubulações e conduítes sem a necessidade de perfurar as paredes. “O sistema é diferente por ter que fazer a parte hidráulica e elétrica junto com a construção da vedação, mas é bom porque reduz muito o desperdício e o próprio uso de material, pois não tem a argamassa de assentamento”, explica Gabriela.

Para garantir um encaixe perfeito e seguro, os blocos encaixados possuem um material de maior qualidade e resistência do que dos blocos convencionais, eles ainda são maior em tamanho e espessura. Os furos existentes no meio dos blocos servem para serem preenchidos com ferro e graute, o que permite que o próprio bloco seja a viga de sustentação.

A redução do uso de cimento na construção, além de contribuir com menores custos e tempo de produção, também melhora na questão ecológica, pois o cimento é um grande emissor de gás carbônico. Segundo o estudante Fernando Rocha, a espessura do reboco necessário diminuiu de 2 centímetros para 2 milímetros. “É como um lego. Encaixando os blocos é muito mais rápido do que passar argamassa. Acelera muito a construção e reduz o custo também”, explica.

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