Em São Carlos, universitários ensinam xadrez para alunos do fundamental

Jogo melhora raciocínio e concentração; os estudantes da USP integram o projeto Xadrez na Biblioteca

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Alunos jogam uma partida de xadrez cronometrando o tempo das jogadas – Foto: Talissa Fávero / ICMC

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A aula de matemática começa em sala, mas logo os alunos se dirigem para a biblioteca. Na aula sobre jogos e números, incomum mesmo é a lousa e o giz serem as ferramentas de aprendizado. Estamos na Escola Estadual Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos, no interior de São Paulo. Foi aqui que, enquanto ensinava alguns jogos pedagógicos, a professora de matemática Rosemeire Ribeiro dos Santos percebeu que os alunos se interessavam muito por xadrez.

“Meu filho, que é aluno da USP, me contou que em uma das bibliotecas do campus tinha um encontro de pessoas que jogavam xadrez e essa atividade era aberta ao público. Então pedi que me levasse à USP para conhecer.” Assim, a professora Rosemeire foi apresentada aos alunos João dos Reis Junior, Uirá de Almeida, Felipe Ramos e Vinícius da Silva. Todos estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP que fazem parte do projeto Xadrez na Biblioteca, que ocorre às terças-feiras, no terceiro andar da biblioteca Achille Bassi.

“O xadrez aprimora o raciocínio e a concentração no estudo das jogadas, técnicas essenciais na matemática, por isso convidei os meninos para que fossem à escola levar isso aos meus alunos”, conta a professora. No dia 25 de maio, os estudantes do ICMC visitaram a escola para ensinar xadrez aos 40 alunos do oitavo e do nono ano. E se o objetivo da atividade era incentivar o trabalho em equipe, a colaboração e o respeito, eles cumpriram com sucesso.

Cerca de 40 alunos participaram da atividade – Foto: Talissa Fávero / ICMC

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Os alunos ouviam atentos cada explicação do jogo. “Eu nunca joguei xadrez, mas aprendi a jogar hoje. Foi muito legal e divertida essa experiência, espero aprimorar meus conhecimentos para participar de campeonatos. Quero ensinar meus pais e meus amigos a jogar também”, conta entusiasmado Felipe Martins, aluno do oitavo ano.

“Aprender a jogar xadrez foi uma atividade muito interessante. Percebi que, durante o jogo, estimulamos a memória e faz a gente raciocinar porque temos que pensar antes de mover as peças. O objetivo é ganhar o jogo, mas o mais importante é aprender”, conta a aluna Kethely Bernardo de Brito.

O saldo positivo também ficou evidente para os alunos do ICMC que ensinaram xadrez. Apesar de a maioria dos estudantes do ensino fundamental não saber jogar, Uirá diz que eles aprenderam muito rápido. João também tem essa opinião e gostaria de participar mais vezes desse tipo de atividade. “Os alunos são iniciantes e o xadrez é muito complexo, é preciso mais aulas para poder ensinar as técnicas do jogo”, explica João.

Uirá acredita que essa atividade deva ser periódica. “Apesar de ser um hobby para a gente, desenvolver essa atividade com crianças faz com que a concentração seja muito estimulada. A partir do momento em que essa prática se torna frequente, você começa a desenvolver outras aptidões. Durante o jogo, tem que pensar nos movimentos das suas peças e nas do seu adversário, assim você começa a considerar possibilidades. Isso faz com que também comece a refletir sobre as consequências das suas próprias atitudes. É um jogo que traz benefícios para a vida.”

A professora Rosemeire também vê os benefícios da visita. “Esta atividade foi muito boa para os alunos, eles ficaram encantados com a presença dos alunos da USP aqui. Muitos já me procuraram querendo aprender xadrez e perguntando se os garotos da USP iriam voltar.”

Xadrez na biblioteca

João começou a jogar xadrez ainda na escola, no ensino fundamental, assim como essa turma de alunos. Hoje, com 22 anos, considera o xadrez um dos seus hobbies favoritos. Uirá também conta que se apaixonou pelo jogo ainda na infância e fala dos porquês de gostar tanto dessa atividade.

“Existe uma etiqueta para jogar xadrez e uma das principais regras é respeitar o adversário. É um jogo competitivo, mas é uma competição muito saudável, puramente intelectual. Toda a ritualística da competição envolve respeito, tanto que vários competidores acabam desistindo da partida quando percebem que o jogo já está perdido. Tudo isso pelo respeito ao tempo do outro”, disse o universitário.

Felipe e Kethely se enfrentam em uma partida de xadrez – Foto: Talissa Fávero / ICMC

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E para manter esse passatempo tão prazeroso para ambos, eles contam como trouxeram o projeto para a biblioteca. “Jogar xadrez sempre foi uma atividade comum no campus, mas nunca tivemos um lugar fixo para jogar e isso atrapalhava muito porque as pessoas acabavam se dispersando. Então surgiu a ideia de usar o espaço da biblioteca para facilitar o acesso”, conta João.

Uma personagem crucial para a efetivação do projeto foi Juliana Moraes, que chefia a biblioteca Achille Bassi. Segundo ela, o apoio para a oficina de xadrez vem ao encontro da mudança no comportamento das pessoas que usam o espaço da biblioteca. “Grande parte dos livros estão disponíveis na internet e todo mundo tem acesso. O acervo de uma biblioteca não pode ser mais o único pilar da instituição. Hoje, entendemos que a biblioteca é mais do que isso. Ela é o pilar do serviço e do espaço. Porque esse espaço já não é mais super silencioso e cheio de regras, mas sim um lugar de aprendizado.”

Juliana explica que a aprendizagem não ocorre apenas com leitura e escrita, mas com outros tipos de interações, daí a relevância da biblioteca na vida de uma comunidade. “É um espaço de cultura, de convivência, de conversa, do diálogo. Por isso, nós apoiamos o projeto do xadrez, que ilustra essa mudança no uso do espaço da biblioteca.”

O Xadrez na Biblioteca é realizado desde março, todas as terças-feiras, das 18 às 22 horas. A atividade é gratuita e aberta ao público.

Quem desejar propor outros projetos ou oficinas para serem realizados na biblioteca Achille Bassi, basta entrar em contato com Juliana pelo e-mail jumoraes@icmc.usp.br ou biblio@icmc.usp.br. As propostas serão analisadas pela equipe responsável pelo espaço, que aprovará as ideias que possam contribuir para tornar o ambiente ainda mais propício a diversos aprendizados.

Talissa Fávero / Assessoria de Comunicação do ICMC

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