Em São Carlos, projeto ensina computação a alunos de escola pública

Ação estimula o raciocínio lógico e facilita o aprendizado na área de exatas; escolas podem se inscrever até 30 de julho

Por - Editorias: Extensão
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Projeto CodifiKIDS está com inscrições abertas para escolas públicas – Foto: Divulgação

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Ensinar conceitos básicos de programação por meio de brincadeiras e dinâmicas para alunos do ensino fundamental de escolas públicas periféricas. Esse é o principal objetivo do projeto CodifiKIDS, uma iniciativa do Programa de Educação Tutorial (PET-Computação) do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

O CodifiKIDS é um curso presencial oferecido gratuitamente por estudantes de graduação e pós-graduação do ICMC em escolas públicas. O projeto teve início em agosto de 2017 e, desde então, duas turmas do terceiro ano do ensino fundamental já concluíram o treinamento.

O curso é uma extensão do projeto Codifique, um cursinho de computação para alunos do ensino médio que querem entrar em uma universidade. Para dar continuidade ao projeto, as inscrições estão abertas para outras unidades públicas de ensino de São Carlos que tenham interesse.

Para participar, é necessário que a escola ofereça um laboratório de informática com computadores em bom estado e em quantidade suficiente para cada aluno ter o seu. As escolas interessadas devem se inscrever até o dia 30 de julho por meio deste link. As vagas são limitadas e escolas em áreas periféricas de São Carlos terão prioridade.

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Começando cedo

Gabriel Baltazar, aluno do ICMC e um dos coordenadores do projeto, fala da importância de ensinar computação para as crianças. “Aprender programação de computadores ainda na infância ajuda a estimular o raciocínio lógico e facilita o aprendizado, sobretudo na área de exatas.” Para ele, é importante mostrar às crianças que existem essas profissões, para que eles possam ter a oportunidade de conhecer o trabalho do cientista da computação e, quem sabe, até desenvolver essa carreira no futuro.

Aplicar conhecimento teórico de informática e ainda manter a concentração das crianças é um desafio que qualquer professor enfrenta. Baltazar explica como foi transformar o vocabulário acadêmico em uma linguagem acessível e atrativa para as crianças. “Além de ensinar os conceitos passo a passo, tínhamos que fazer com que eles ficassem interessados no conteúdo. Por isso, criamos alguns exemplos dinâmicos, por exemplo, fazendo uma criança ensinar às outras como fazer um sanduíche. Dessa maneira, a gente podia explicar que as instruções dessa criança eram como os algoritmos.”

George Tamanaka, também coordenador do projeto, ressalta o porquê das escolas da periferia serem prioridade do CodifiKIDS. “Não é só pela distância geográfica que devemos aproximar essas crianças da universidade, mas também pela distância social em que elas vivem. Existe uma desigualdade muito grande entre o que é produzido na universidade e o que é absorvido na sociedade. A gente vê que não há diálogo entre as instituições e a comunidade.”

Turma da escola municipal de educação básica Professora Dalila Galli, no último dia do curso – Foto: Divulgação

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Colhendo resultados

Em 13 de junho, ocorreu o último dia de aula na escola municipal de educação básica Professora Dalila Galli, localizada no Jardim Jockey Club, em São Carlos. Nesse dia, também ocorreu a formatura da turma, com entrega de certificados.

Tamanaka conta que a desigualdade social era uma dificuldade que teve de ser enfrentada. “Alguns estudantes tinham alguma familiaridade com um computador, outros nunca tiveram contato. Ensinar para uma sala em que as pessoas estão em vários níveis de aprendizado é muito difícil, pois exige um acompanhamento individual. Mas, apesar de tudo isso, conseguimos superar essas barreiras e o resultado desse trabalho foi um sucesso.”

E quando a última aula do curso chegou ao fim, Sheila Carreire, de 11 anos, destacou-se pela habilidade com o conteúdo. Não só isso, ela ainda ajudava seus colegas que estavam com dificuldades. “As aulas sempre eram muito divertidas e participativas e, por isso, eu consegui aprender bastante. Foi muito legal quando eles nos ensinaram a criar um jogo. Queria que sempre tivesse aula no laboratório.”

Talissa Fávero/Assessoria de Comunicação do ICMC

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