Faculdade da USP dedicada às ciências humanas comemora 85 anos

De 2 a 5 de dezembro, FFLCH organiza leitura cênica da peça teatral “Prova de Fogo”, a inauguração de espaços de memória e uma conferência sobre as questões do presente

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Prédio do Centro Universitário Maria Antonia, na Rua Maria Antonia, em São Paulo. Este foi um dos locais que sediaram a atual Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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De 2 a 4 de dezembro, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP celebra os 85 anos de sua fundação com o evento Patrimônio Inestimável. A programação conta com atividades que abordam o passado, o presente e o futuro da instituição, que foi criada em 25 de janeiro de 1934 como polo central da Universidade sob o nome de Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL). As comemorações contam com a leitura cênica da peça teatral Prova de Fogo, de 1968, a inauguração de espaços que homenageiam professores e alunos e ainda uma conferência sobre os desafios atuais.

“O conjunto das atividades previstas nesses dias de celebração não busca avivar puramente o passado, mas, antes, torná-lo referência para pensar o futuro e o lugar das ciências humanas nas sociedades contemporâneas”, ressalta a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, sobre a programação que marca o encerramento do jubileu da faculdade.

Prova de fogo

A abertura começa no dia 2, às 18 horas, no Anfiteatro Camargo Guarnieri, com a apresentação do vídeo institucional Patrimônio Inestimável, que traz um panorama da história da faculdade desde sua criação até os dias atuais.

Logo depois, haverá a leitura cênica da peça teatral Prova de Fogo, sobre a ocupação dos estudantes da antiga sede da faculdade na Rua Maria Antonia, em 1968, em protesto contra a ditadura militar e a reforma universitária.

Prova de Fogo foi escrita por Consuelo de Castro, que ingressou como aluna no curso de Ciências Sociais, em 1964, aos 18 anos. O seu primeiro dia de aula, 1º de abril, coincidiu com a instauração do golpe que dava início aos 21 anos de ditadura militar no País. Consuelo participou ativamente da ocupação do prédio no ano de 1968, período em que escreveu seu primeiro texto teatral. Premonitória, a peça concluída no mês de maio, antecipava os trágicos acontecimentos que viriam a ocorrer nos dias 2 e 3 de outubro do mesmo ano, evento que ficou conhecido como a Batalha da Rua Maria Antonia.

A leitura cênica da peça tem a participação de alunos recém-formados da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, da própria FFLCH e também da comunidade externa, com direção de Abílio Tavares – que já dirigiu a peça em 1997, no Teatro da USP (Tusp), que fora instalado na Rua Maria Antonia, mesmo local dos acontecimentos narrados na peça, e também dirigiu essa mesma leitura em setembro deste ano, no Sesc Ipiranga.

A primeira montagem da peça foi realizada em 1975, com o título alterado para Invasão dos Bárbaros, no prédio ainda em construção dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais na Cidade Universitária, por um grupo de estudantes de Ciências Sociais e Biologia, dirigido por Tim Urbinatti. E, em 1993, foi encenada profissionalmente, dirigida por Aimar Labaki, no Edifício da Maria Antonia, 25 anos após a expulsão da faculdade do local.

Memórias

Com o propósito de resgatar a memória da FFLCH e daqueles que contribuíram para que ela se tornasse o principal centro de estudos em humanidades do País, serão inauguradas duas galerias e espaços de memória no prédio da diretoria e administração da faculdade FFLCH, no dia 3 de dezembro, às 17 horas.

A primeira galeria é chamada de Os Fundadores: professores da primeira turma de formandos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – 1936/1937, com fotos, notas biográficas e fragmentos de textos de 34 professores, muitos deles estrangeiros, como Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel, por exemplo.

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A segunda tem o nome Professores Eméritos, que apresenta fotos, notas biográficas e as trajetórias acadêmicas de 62 docentes que receberam o título de Professor Emérito pela faculdade. Esse título é uma distinção concedida, segundo o artigo 93 do Estatuto da USP, a professores aposentados que se destacaram por atividades didáticas e de pesquisa ou contribuíram, de modo notável, para o progresso da Universidade.

Nesta lista, está Fernando de Azevedo, o primeiro homenageado, Maria Isaura Pereira de Queiroz, a primeira mulher agraciada; além de Carlos Guilherme Santos Serôa da Mota e Marilena Chaui, que continuam em plena atividade intelectual.

Já os espaços de memória apresentam As Casas da FFCL e As Casas da FFLCH, através de painéis com dados e imagens dos principais espaços ocupados pela faculdade no centro da cidade de São Paulo até a estrutura atual na Cidade Universitária.

Questões do presente

O evento termina no dia 4, às 16 horas, com a conferência inaugural da série Questões do presente 2019 – 2020, que será ministrada pelo professor emérito José Arthur Giannotti, do Departamento de Filosofia da FFLCH, com o tema Afinal, para que servem hoje as Ciências Humanas?.

Nesta conferência, o docente abordará a importância da área, que muitas vezes é vista como algo menor e desconsiderada por governos e políticas públicas.

“A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas engrandece-se ao relembrar a dignidade das suas origens, mas a rememora com olhos postos no futuro, consciente da superior tarefa de perseguir caminhos capazes de descortinar horizontes abertos a formas superiores da existência humana”, explica a diretora sobre a ideia de realizar a série Questões do Presente 2019 – 2020, que tem o intuito de convidar, ao longo de 2020, outros professores da FFLCH para debater assuntos da atualidade.

Todas as atividades serão realizadas dentro da Cidade Universitária, São Paulo. Confira aqui a programação completa.

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