Entre círculos e retângulos surge uma exposição

Geraldo Souza Dias inaugura mostra que debate o uso do formato circular e retangular como base para obras de arte

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Obra Whats Up, de Geraldo Souza Dias – Foto: Divulgação / Ora Bolas, Ora Retângulos

“Ora bolas!”, expressão usualmente utilizada para manifestar um aborrecimento, é referência no título da exposição Ora Bolas, Ora Retângulos, que estreia nesta terça-feira, dia 24, às 19 horas, no Espaço Cultural Contraponto, em São Paulo. Neste caso, no entanto, a conjunção “ora” é aplicada para gerar alternância entre os substantivos, o que representa exatamente o objetivo da mostra.

“Eu quero mostrar um pouco as forças visuais dentro do círculo, em contraponto ao retângulo, na arte contemporânea”, conta o artista plástico Geraldo Souza Dias, professor do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, autor da mostra. A exposição conta com 60 obras de Dias, pinturas a óleo com colagens que, em sua grande maioria, foram produzidas nos últimos cinco anos.

Entre elas está Whats Up, trabalho que tem como base o formato retangular na vertical. Seu nome traça um paralelo entre seu significado – “como vai?”, em inglês – e o aplicativo WhatsApp. A obra inclui ainda a pintura de um celular, um autorretrato do artista acompanhado de sua mulher e pequenos planetas que lembram a Terra. Segundo o artista, ela foi feita pensando no processo de globalização e em como determinadas ferramentas ajudam as pessoas a manterem contato apesar da distância. 

Obra Ponta do Lápis, de Geraldo Souza Dias – Foto: Divulgação / Ora Bolas, Ora Retângulos

Compondo o acervo de obras com base circular está Ponta do Lápis, trabalho formado por alguns desenhos de lápis, em diferentes tamanhos e cores, além de vários desenhos abstratos. Ainda nessa tela, é possível notar a reprodução de trabalhos de artistas renomados, como Ponte Sobre uma Lagoa de Lírio de Água (1899) e Mulher com Sombrinha (1875), do pintor francês Claude Monet (1840-1926). Assim, o artista deixa claras algumas de suas influências. 

No geral, os trabalhos de Dias acabam trazendo de algum jeito o círculo e o retângulo, seja através do formato de sua tela, seja pelo seu conteúdo. Para ele, a principal diferença entre ambas as formas são as forças visuais e de tensão que operam em uma mas não na outra. “As forças centrípetas, que agem das bordas do círculo para o seu centro, podem transmitir um sentido de inclusão, concentração, e as forças centrífugas, que agem do centro do círculo para fora, podem significar dispersão, exclusão.”

Isso porque o artista trabalha muito com linhas, retas e curvas, de modo que suas obras acabam tendo várias subdivisões, que trazem aspectos diferentes e ajudam a compor o todo.

Sobre a mostra, o artista disse que já abriu sua casa algumas vezes para expor seus trabalhos, mas nada muito formal, pois além de tudo ele mora em um lugar mais afastado e pouco movimentado. Desta vez, no entanto, a convite de seu amigo Sérgio Fingermann, a exposição acontece no coração da Vila Madalena, na zona oeste paulistana. “Eu adorei a ideia. O Espaço Cultural Contraponto é muito mais acessível para as pessoas”, diz.

Ainda segundo Dias, que leciona na USP desde 2002, momentos como esse, em que ele pode mostrar seu trabalho, são muito importantes. “É sempre bom voltar e estar presente no cenário artístico nacional. No fim das contas, pintar é uma das minhas paixões”, completa o artista. 

Obra Infinito, de Geraldo Souza Dias – Foto: Divulgação / Ora Bolas, Ora Retângulos

A exposição Ora Bolas, Ora Retângulos, de Geraldo Souza Dias, será inaugurada nesta terça-feira, dia 24 de setembro, às 19 horas, e fica em cartaz até 5 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas, e aos sábados, das 11 às 14 horas, no Espaço Cultural Contraponto (Rua Medeiros de Albuquerque, 55, Vila Madalena, em São Paulo). Entrada grátis.

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