Estudo sugere necessidade de política de retenção de talentos na USP

Segundo pesquisa, USP tem uma boa imagem entre docentes, mas salário e ausência de planos de retenção e carreira são pontos negativos

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Docentes que pediram demissão responderam ao questionário desenvolvido para a pesquisa – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Um estudo feito na USP trata da importância de se reter talentos na Universidade, além de tentar apontar as causas que levam os docentes a deixá-la. O trabalho Retenção de talentos e demissão: Estudo de caso dos docentes da Universidade de São Paulo foi realizado pelo aluno de Administração Luis Fabiano Pereira Paredes, com orientação da professora Ana Cristina Limongi França, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. “A USP é reconhecida pela excelência nas pesquisas e quem mais as realiza são os professores. Se a Universidade não conseguir reter os melhores docentes, perde seu principal ponto forte, o capital intelectual” afirma Luis Paredes.

Neste trabalho de conclusão do bacharelado, ele constatou que a USP goza de uma imagem muito positiva perante os professores. Eles afirmam se sentir orgulhosos e satisfeitos em exercer suas atividades na instituição. Entretanto, também foi observado por esses docentes que a Universidade não possui um programa de retenção específico. Alguns aspectos como salário, plano de carreira e ações em recursos humanos foram as principais lacunas apontadas. “Os professores que responderam não percebem nenhum esforço de retenção explícito. Eles saem porque querem e ficam porque querem. Não existe política de retenção, um pouco, por esse imaginário, de que todo mundo quer trabalhar na USP e ninguém quer sair daqui”, comenta a professora Ana Cristina França.

Por meio de um formulário desenvolvido por Luis Paredes, alguns ex-docentes da Universidade informaram o que os levaram a pedir desligamento da USP. De 2009 até abril de 2018, no total, 156 professores pediram demissão (até abril deste ano a Universidade tinha em seu quadro 5854 docentes). Os dados são do Departamento de Recursos Humanos (DRH) da USP.

Dos 156 que pediram desligamento, dezoito responderam o questionário composto de 55 perguntas, que abordava as relações do docente no ambiente de trabalho (colegas, alunos, direção); o desligamento da Universidade; a imagem da USP; as vantagens monetárias e não-monetárias; o ambiente de trabalho; a carreira na USP; reconhecimento do docente; e ações do DRH.

A pequena amostra obtida no questionário de pesquisa não permite generalizar a análise para afirmar, de fato, quais são os principais motivos que levam os docentes a deixarem a Universidade, mas aponta um caminho. O salário e falta de oportunidade de progredir na carreira foram as principais razões apontadas pelos professores que responderam às questões.

Perspectivas

Numa pesquisa futura, Paredes ressalta que seria interessante ter uma amostra maior e analisar a retenção com base nas áreas de atuação (humanas, biológicas ou exatas). Provavelmente, um professor da Escola Politécnica (Poli) não deixa a USP pelos mesmos motivos que um professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), diz ele.

Na opinião do autor, o estudo constatou que é necessário rever a política salarial da Universidade, que não está funcionando como fator de retenção. Outro caminho para reter talentos seria a criação de algum plano de carreira diferenciado, especialmente para professores que possuem dedicação exclusiva e trabalham com pesquisa – ponto forte da Universidade.

De acordo com Luis Paredes, o formulário desenvolvido por ele também pode ser aplicado em outras universidades públicas de São Paulo (Unesp e Unicamp), permitindo assim um comparativo entre as instituições sobre a permanência de seus docentes.

O trabalho na íntegra pode ser acessado neste link.

Mais informações: e-mail luis.paredes@usp.br

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