Criado há 100 anos, curso de Veterinária da USP vai além do cuidado com animais

Desde 1919, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) forma profissionais para atuar em diversos setores do mercado

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Contato com animais é fundamental para os futuros profissionais da área – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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Muitos estudantes escolhem estudar medicina veterinária por gostarem de animais, especialmente domésticos, como cães e gatos. O que muitos desconhecem é que, além de atuar com bichos de pequeno porte, os futuros profissionais da área podem transitar em mais de 80 outros setores, segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)

Mayra Elena Assumpção – Foto: Arquivo Pessoal

Na USP, em São Paulo, o curso é oferecido pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) desde 1919, quando foi criado o Instituto de Veterinária que fazia parte da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. O instituto transformou-se em Escola de Medicina Veterinária em 1928, quando ficou subordinada à diretoria do Instituto de Indústria Animal da Secretaria da Agricultura.

Em 1934, a Escola de Medicina Veterinária foi extinta para se tornar uma faculdade e ser incorporada à USP.

A graduação em Medicina Veterinária possui duração de 10 semestres e é ministrada em tempo integral. “Nos primeiros semestres, os alunos possuem aulas de fisiologia e bioquímica, por exemplo, em diversos institutos da USP: de Biologia (IB), de Ciências Biomédicas (ICB) e de Matemática e Estatística (IME)”, explicou Mayra Elena Assumpção, professora e vice-presidente da Comissão de Graduação da FMVZ. 

Mas o curso não se restringe ao campus Cidade Universitária, em São Paulo. A faculdade organiza suas atividades de ensino e pesquisa em seis departamentos nos campi da capital e da cidade de Pirassununga. Essas atividades são subdivididas em laboratórios e serviços nos quais são oferecidas disciplinas de graduação e de pós-graduação, desenvolvidos projetos de pesquisa, cursos de atualização e especialização, práticas profissionalizantes, entre outros.

Os departamentos se dividem em cirurgia, clínica médica, medicina veterinária preventiva e saúde animal, nutrição e produção animal, patologia e reprodução animal.

Disciplinas relacionadas à produção animal, que ocorrem no quinto semestre do curso, levam os estudantes para Pirassununga, onde a faculdade possui diversos departamentos. O momento é importante para que os alunos tenham contato principalmente com animais de grande porte. 

Vinicius Henrique Lacerda de Andrade – Foto: Aquivo Pessoal

Essa transitoriedade de locais e temas torna o curso “generalista”, classificou o estudante Vinicius Henrique Lacerda de Andrade. “É uma coisa boa, pois mostra todas as áreas que o profissional pode atuar, ainda que para muitos estudantes seja um choque descobrir essa realidade. Quem está de fora não conhece nem um terço do que é o curso, a profissão. Não envolve somente trabalho com animais.”

Vanessa França Maia – Foto: Arquivo Pessoal

Vanessa França Maia, que se formou em 2016, é um exemplo da pluralidade de áreas que o médico veterinário pode atuar. No início do ano, ela trabalhou em uma empresa de nutrição animal. Atualmente, buscando se especializar por meio da residência médica, ela também destacou a dimensão do curso como um diferencial. “É muito bom ter essa vivência na faculdade, pois ajuda a escolher o que gosta e o que não gosta, mas é preciso sempre continuar estudando.”

Além da abrangência, a graduação apresenta contato com animais em laboratórios didáticos, como o Hospital Veterinário (HOVET), e corpo docente de excelência. “Os professores que possuímos aqui são especialistas em áreas específicas. Isso é importante porque a experiência que será passada ao aluno, a abordagem, o enfoque, são mais aprofundados”, destacou Mayra Elena.

“Eu também diria que a possibilidade de realizar iniciação científica durante a graduação é um diferencial, pois mesmo que o aluno não vá seguir carreira científica, é importante para que ele tenha um olhar crítico sobre a profissão”, acrescentou Maria Lucia Dagli, professora e presidente da Comissão de Graduação da FMVZ.
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Contato com animais de grande porte também faz parte da formação em Medicina Veterinária na USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Mercado de trabalho  

As oportunidades são amplas para os formados em Medicina Veterinária, dado que todos os campos envolvendo produtos de origem animal necessitam de um profissional da área, além do setores de clínica e cirurgia em animais de pequeno e grande porte. 

Maria Lucia Dagli – Foto: Arquivo pessoal

A professora Mayra destacou algumas áreas, como a indústria farmacêutica, em que os testes feitos em animais contam com a orientação de veterinários, e grandes redes de supermercados, por exemplo, nas quais esses profissionais são responsáveis pelo armazenamento de produtos de origem animal.

“A pecuária é outra área abrangente em que o profissional de Medicina Veterinária pode atuar”, ressaltou a professora Maria Lucia. Em 2017, por exemplo, a exportação de carne bovina representou 3,2% de tudo o que o Brasil exportou, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). 

As docentes salientaram ainda a saúde pública como um possível setor de atuação. “Se não houvesse essa área estaríamos em um caos porque existe uma grande quantidade de doenças  transmitidas por animais. Não à toa, o médico veterinário foi incluído no SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse a professora Mayra, se referindo a Portaria 2.488 de 21 de outubro de 2011 do Ministério da Saúde, que inclui o profissional da área no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). 

Além do curso oferecido na FMVZ, a USP também possui graduação em Medicina Veterinária na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), em Pirassununga. Para mais informações, clique aqui.

Quer conhecer mais sobre o curso?

No site da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, você encontra:

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