Estudantes de química se tornam youtubers para divulgar ciência

Como parte das atividades acadêmicas do curso da USP, em São Carlos, eles criaram vídeos para explicar como as vacinas são produzidas

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Explicar processo de produção de vacinas foi desafio de atividade voltada para divulgação científica – Foto: Reprodução/IQSC

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A divulgação científica nunca esteve tão presente como nos dias de hoje. Basta ligar a televisão, comprar um jornal ou navegar pelos mais diversos portais de notícias que não será difícil encontrar alguma informação sobre pesquisas em desenvolvimento. Para estimular o hábito de divulgar temas científicos relevantes à sociedade, o Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP desafiou alunos que estão no primeiro ano do curso de Bacharelado em Química a criarem vídeos de até três minutos para explicar como as vacinas são produzidas.

“Eu escolhi falar sobre as vacinas virais, que são aquelas que utilizam o vírus inativo ou enfraquecido em sua produção. Confesso que foi um desafio, pois nunca havia gravado um vídeo de frente para a câmera, por isso tive que tentar várias vezes até dar certo. Foi um ótimo aprendizado, me fez sentir como é feita a divulgação científica, que, aliás, foi um dos motivos que me trouxeram para o IQSC, essa oportunidade de falar com a comunidade”, revela José Roberto Neto, um dos alunos do instituto que participaram da atividade.

Segundo o estudante, além da iniciativa mostrar que a Universidade se preocupa em dar um retorno à população, ela também foi capaz de sanar um desejo pessoal. “Sempre tive vontade de divulgar ciência e essa experiência foi muito importante para o início da minha jornada acadêmica, ainda mais pelo momento que passamos, em que a ciência precisa ter sua devida valorização”, reitera Neto, que é integrante do ACS USP Student Chapter, grupo de extensão do IQSC voltado para atividades de divulgação científica e reconhecido pela Sociedade Americana de Química.

A produção de vacinas que utilizam vetores virais para sua fabricação, como o adenovírus (vírus da gripe comum), também foi abordada na atividade. Utilizando recursos gráficos para explicar o conteúdo em forma de desenhos, a aluna Gabriela Scaglia criou um vídeo animado sobre o tema, e aproveitou para elogiar a iniciativa. “Achei bem legal essa experiência logo no começo da graduação, pois aprendemos desde cedo sobre a importância de divulgar ciência ao invés de “guardá-la”. Além disso, a gravação dos vídeos foi importante para nos ajudar com as nossas habilidades de comunicação, essenciais para transmitir informações de maneira clara”, conta a estudante.

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José Roberto Neto

Gabriela Scaglia



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A atividade aplicada aos alunos foi proposta durante a disciplina Acompanhamento Profissional e Pessoal I, ministrada no primeiro semestre pelo professor Emanuel Carrilho, diretor do IQSC. O objetivo é oferecer aos estudantes do primeiro ano um acompanhamento do progresso acadêmico por meio de reuniões semanais, atividades coletivas e orientações que os auxiliem a encontrar o melhor caminho na carreira, transmitindo informações sobre o papel social e profissional do químico.

Emanuel Carrilho, professor e diretor do Instituto de Química de São Carlos – Foto: Divulgação/IQSC

Para elaborar os vídeos, os participantes puderam escolher qual tipo de vacina gostariam de explorar. Eram quatro opções: as Vacinas Virais, as de Vetores Virais, a Genética e a Proteica. “A ideia de realizar essa atividade surgiu naturalmente. Sabemos que existe um grande distanciamento entre o que é feito na universidade e o que a sociedade tem conhecimento, e atualmente estamos acompanhando a importância da divulgação científica para melhorar esse cenário. Como estamos no meio de uma pandemia, propus aos estudantes que se passassem por blogueiros e youtubers de ciência para falarem sobre os diversos tipos de vacina. O resultado foi muito bom, conseguimos mostrar para eles o valor da comunicação”, comemora Carrilho.

Ao todo, foram gravados sete vídeos, em diferentes formatos, desde o tradicional “olho a olho” com a câmera até a produção de montagens e desenhos animados. O trabalho dos estudantes coincide com o momento decisivo que vivemos no qual duas vacinas estrangeiras serão testadas e produzidas no Brasil contra a covid-19, após parcerias firmadas com instituições do exterior.

Para o diretor do IQSC, é essencial que, neste momento, todos saibam como as vacinas são feitas, de que forma elas agem no organismo, quais os custos de sua produção, as etapas que envolvem os estudos, o alto grau de dificuldade para obtê-las etc.

Outro vídeo produzido no IQSC para informar a sociedade sobre o assunto é o do aluno Lucas Alves da Silva, que explicou como são feitas as vacinas que utilizam as proteínas dos vírus. O estudante conta que a atividade serviu como um grande incentivo aos jovens ingressantes do curso. “No primeiro semestre, ainda estamos um pouco perdidos, sem tanta informação sobre faculdade, pesquisa, então pudemos ter a dimensão de que a ciência vai muito além do que é feito dentro do laboratório.”

O jovem revelou que um dos principais desafios enfrentados durante a gravação do vídeo foi a necessidade de “transformar” o vocabulário técnico do universo acadêmico em uma linguagem acessível ao público leigo. “Quando estava gravando o vídeo pensei na maneira mais adequada de falar, pois quem não é da área poderia não compreender muito bem o que é um DNA, um RNA, uma proteína, então foi preciso explicar com cuidado. Acho que é esse o tipo de divulgação que contribuirá para melhorar a educação e fazer o mundo evoluir”, finaliza.

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Lucas Alencar

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Beatriz Lopes de Souza e Nicole Faleiros de Avila

Thiago Fernandes Borges

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Kevin Carvalho Eburneo



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Henrique Fontes, da Assessoria de Comunicação do IQSC

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