Entidade internacional de contabilidade financiará doutorado da USP

Internacional Association for Accounting Education & Research selecionou projeto de aluna da FEA

Por - Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=155300
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O estudo da aluna Raquel Sarquis sobre contabilidade atraiu a atenção em âmbito internacional – Foto: Steve Buissinne via Pixabay – CC

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O projeto de doutorado da aluna de Contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, Raquel Wille Sarquis, foi um dos cinco trabalhos selecionados pela Internacional Association for Accounting Education & Research (IAAER) para receber recursos do programa Informing the IASB standard setting process.

O programa é desenvolvido em conjunto com a empresa KPMG e o International Accounting Standards Board (IASB), órgão de regulamentação contábil internacional, sediado em Londres. Raquel concorreu com projetos de pesquisadores do mundo todo sobre temas relacionados com as normas contábeis que estão em discussão no IASB.

O IAAER é uma entidade sem fins lucrativos que promove a excelência no ensino e na pesquisa em contabilidade, incentivando as universidades no aprimoramento dos padrões contábeis. Com início no mês de março, o programa vai até outubro de 2019. Os cinco projetos selecionados serão apresentados em três eventos internacionais, sendo dois em Londres, na sede do IASB, e um em Miami, durante o International Accounting Section Annual Meeting, promovido pela American Accounting Association. O primeiro evento, em Londres, será no dia 24 de setembro.

Com o título Elimination of Accounting Choices and the Comparability of Financial Statements: the Adoption of IFRS 11 – Joint Arrangements, o projeto da aluna de doutorado Raquel Wille Sarquis foi desenvolvido em conjunto com o seu orientador, o professor Ariovaldo dos Santos, da FEA, a coorientadora Isabel Lourenço, professora do Instituto Universitário de Lisboa, de Portugal, e o professor Guillermo Braunbeck, também da FEA.

O objetivo do trabalho é analisar os impactos da eliminação do método de consolidação proporcional como alternativa para a mensuração dos investimentos em joint ventures. A joint venture é um arranjo segundo o qual as partes que têm o controle conjunto possuem o direito dos ativos líquidos do acordo.

Até janeiro de 2013, antes da emissão da norma IFRS 11, as empresas podiam registrar a participação em joint ventures tanto por consolidação proporcional quanto por equivalência patrimonial. O uso do primeiro método predominava em países como a França e o Brasil, e o segundo, em países como Austrália e Reino Unido. Com a mudança, apenas o método de equivalência patrimonial passou a ser permitido.  Essa decisão do IASB (International Accounting Standard Board), segundo Raquel Sarquis, causou muita polêmica. Os opositores acreditam que o método contábil de consolidação proporcional produzia informações de maior utilidade, principalmente em relação ao nível de endividamento da empresa.

Ainda de acordo com Raquel, a decisão do IASB de eliminar a consolidação proporcional “foi fortemente influenciada por pressões do FASB (órgão de regulação contábil dos Estados Unidos), que jamais aceitou a consolidação proporcional. Um dos principais argumentos utilizados pelo IASB para justificar a eliminação desse método é que a existência de escolhas contábeis para tratamento dos investimentos em joint ventures estava prejudicando a busca pela comparabilidade”.

O trabalho de Raquel Wille Sarquis está concentrado justamente em avaliar se a decisão do IASB resultou em uma melhora no nível de comparabilidade das informações financeiras de empresas que possuem investimentos em joint ventures. Para tanto, ela utilizou uma amostra de 2.059 empresas, de 26 países diferentes. O período de análise compreende 2005 a 2016. Segundo ela, foi construída uma base de dados com informações coletadas manualmente sobre as práticas contábeis utilizadas por cada uma dessas empresas, em cada um dos 12 anos analisados.

Assessoria de Comunicação da FEA

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