Em Itapeva, alunos da USP aplicam na prática seus conhecimentos

Projeto Rondon, que completou 50 anos em 2017, é a maior atividade de extensão universitária do País

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Ação em Itapeva reuniu estudantes, professores e poder público municipal para melhorias na cidade – Foto: Projeto Rondon via Facebook

“Integrar para não entregar.” Tendo a frase como lema, o Projeto Rondon leva estudantes universitários para municípios com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ou com demanda de políticas públicas em áreas sociais há 50 anos, com breve interrupção. Atualmente, além do Projeto Rondon, de âmbito nacional e vinculação ao Ministério da Defesa, há associações regionais em ao menos 11 Estados mais o Distrito Federal.

Uma das iniciativas estaduais, o Projeto Rondon SP, vinculado à Associação dos Rondonistas do Estado de São Paulo (Aronesp), contou em 2017 com a participação de alunos da USP. A expedição na cidade de Itapeva, interior de São Paulo, teve alunos e docentes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, além de uma estudante da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), incorporada ao ICB.

Outras instituições participantes são: Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Universidade de Santo Amaro (Unisa), Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva (Fait) e Uniararas.

Entre dias 8 e 16 de julho, 20 alunos das três unidades da USP tiveram a oportunidade de vivenciar e contribuir com o maior projeto de extensão universitária do Brasil. “O Rondon é um projeto muito interdisciplinar. E a ideia é fazer com que o aluno veja outras realidades, saia do muro da Universidade para enxergar contrastes e realidades que existem por aí, diferentes da dele, para promover um crescimento social, uma sensibilização social”, explica Ana Márcia de Sá Guimarães, professora responsável pelo ICB em Itapeva, que contou com o apoio de outro professor do instituto, Robson Francisco de Souza.

Capacitação Alimentação Saudável com a equipe da professora Ana Márcia, do ICB – Foto: Projeto Rondon via Facebook

Uma das atividades coordenadas pela docente partiu de uma demanda da cidade: o combate a três doenças emergentes no município, a toxoplasmose, a esporotricose e a tuberculose. Um total de 120 agentes comunitários de saúde (ACS) participaram, em duas turmas, do workshop organizado pelo ICB em parceria com a FMVZ e estudantes da Unisa e da Fait. Com duração de dois dias, a atividade envolveu três meses de preparo e a confecção de folders informativos sobre os ciclos das doenças e o momento de intervir.

Para Victor Agostino, estudante do quarto ano de Ciências Biomédicas, a forma como a atividade foi proposta, com enfoque em dinâmicas, foi uma oportunidade de promover reflexões também em quem a ministrava. “Foi uma experiência muito interessante, nesse sentido, porque mostrou que a maneira como educamos pode ser otimizada. Comparado ao que a gente tem dentro da universidade, quando se faz uma metodologia ativa, o aprendizado fica muito melhor. E a gente percebeu isso porque os próprios agentes de saúde nos elogiaram. Foi muito gratificante nesse sentido”, explica o estudante.

EACH e o Plano Diretor

Com a coordenação do professor André Mountian, a EACH levou oito alunos do curso de Gestão de Políticas Públicas (GPP) para Itapeva. O projeto da escola localizada na Zona Leste de São Paulo era relacionado ao Plano Diretor do município, que está em fase de elaboração. Segundo o Estatuto da Cidade, um Plano Diretor pode ser definido como “um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano”.

Encerramento da capacitação com a presença do secretário de Urbanismo. Marco André, o presidente da Aresp, Rafael, o prefeito e o professor André Gal Moutian, da EACH, coordenador da capacitação – Foto: Projeto Rondon via Facebook

A ação dos alunos de GPP se dividiu em dois focos, basicamente: capacitação dos gestores da Secretaria de Desenvolvimento, responsáveis por propor o Plano Diretor em todas as manhãs; e visitas de campo nas comunidades em que o Rondon estava fazendo inserções no período da tarde. Além dos gestores, a capacitação contou com a presença de vereadores do município, incluindo o presidente da Câmara Municipal.

Segundo Mountian, os alunos tiveram a oportunidade de dialogar com diferentes setores da sociedade. “Na quinta-feira da semana, nós convocamos uma reunião só com as lideranças locais, lideranças de bairro e comunitárias, para falar sobre o Plano Diretor, para eles participarem. E na sexta-feira teve um encontro na Câmara dos Vereadores só com mulheres, para discutir o papel da mulher no planejamento da cidade. A ideia é muito essa, o Plano Diretor tem que ser democrático, participativo, de baixo para cima. E os alunos se envolveram muito nessa missão”, aponta o professor.

Capacitação do Plano Diretor: estudo de caso e simulação de audiência pública – Foto: Projeto Rondon via Facebook

FMVZ e o Veterinário-mirim

Entre as ações realizadas pelos estudantes da FMVZ em Itapeva, inclui-se a apresentação do programa Veterinário Mirim para professores da Apae do município. Coordenados pela professora Ana Márcia, do ICB, e pela professora Evelise Telles de Oliveira, da própria FMVZ, os estudantes promoveram a capacitação dos profissionais da Apae em relação à posse responsável e ao bem-estar de animais, para que esses pudessem repassar os conceitos para seus alunos. Além da ação junto à Apae, os futuros médicos veterinários também elaboraram atividades relacionadas à capacitação do serviço de inspeção municipal, à alimentação segura e à legislação de produtos de origem animal artesanal.

Legado para os participantes

Durante os nove dias em que os alunos ficaram alojados em uma escola municipal de Itapeva, além das próprias atividades propostas por suas respectivas instituições de ensino, eles tiveram a oportunidade de imergir nas comunidades do município e de integrar as ações realizadas pelas outras faculdades participantes da edição do Projeto Rondon.

O caminho das transmissões das zoonoses: teatro para as ACs… – Foto: Projeto Rondon via Facebook

Na mesma linha da docente do ICB, Mountian, responsável pela EACH no projeto, ressalta o papel transformador da extensão para os alunos. “[Na universidade] somos muito teóricos, e lá, acabamos sendo colocados em situações de verdade, em que se precisa propor soluções na hora. Para os alunos isso é fantástico, eles voltaram muito transformados. Mas é um desafio, eu realmente não sei o que fica para a região, da nossa atuação especificamente. A gente fica uma semana, dez dias e vai embora. Acabamos ganhando muito mais do que deixando”, aponta o professor.

A sensação é compartilhada pelo estudante Victor Agostino, do ICB. “Você sai da sua bolha, totalmente. Você encara a realidade e vê que as coisas são muito diferentes da teoria. É muito gratificante e enriquecedor. O Rondon gerou muitas reflexões em mim e na minha equipe do ICB, no sentido de qual o impacto que o Rondon vai ter no nosso futuro profissional e o que a gente quer se tornar, quando nos formarmos”, conta.

Em janeiro de 2018, o Projeto Rondon SP retorna à Itapeva para novas ações. A participação das faculdades da USP ainda é incerta, mas a intenção é que ela ocorra. Para mais informações sobre o Projeto Rondon SP, basta acessar a página da iniciativa no Facebook.

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