Em casa ou no laboratório: “A USP Unida pela Igualdade de Gênero”

Campanha do Escritório USP Mulheres estimula homens na divisão justa de responsabilidades e tarefas do lar

Campanha incentiva a dividir os trabalhos domésticos – Foto: Freepik CC

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No Brasil, as mulheres gastam quatro vezes mais tempo em tarefas domésticas e de cuidados com idosos, crianças e familiares doentes do que os homens. Um levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificou o País com o 17⁰ pior desempenho do mundo quando o assunto é divisão de responsabilidades entre as pessoas que vivem sob o mesmo teto. Fora de casa, as mulheres representam 70% das pessoas que trabalham no setor social e de saúde.

Com a interrupção das aulas e atividades presenciais na USP desde 17 de março, a vida acadêmica passou a ocupar maciçamente o espaço doméstico, seja por meio do teletrabalho ou das aulas on-line. Buscando estimular os homens enquanto agentes de redução da sobrecarga feminina, o Escritório USP Mulheres lançou a campanha “A USP Unida pela Igualdade de Gênero”. A ideia é conscientizar o público masculino sobre a equidade dos afazeres domésticos durante e após a pandemia.

“O momento é ruim para todos, mas sabemos que as mulheres – professoras, funcionárias e estudantes – ficam mais sobrecarregadas por causa das tarefas domésticas e cuidados com familiares. A USP tem um papel de liderança nas políticas de gênero, não só no âmbito das universidades, e essa campanha chama a atenção para a necessidade de enfrentar a problemática da desigualdade com seriedade”, explicou a coordenadora do Escritório, Maria Arminda do Nascimento Arruda.

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Cartaz da campanha do USP Mulheres [clique aqui para ver ampliar o cartaz]

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“Lar”boratório

A desigualdade na divisão de tarefas do lar afeta mais as mulheres, mesmo trabalhando em cargos similares aos de homens. Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou que a mulher gasta 8,2 horas por semana a mais em obrigações domésticas do que o homem também ocupado.

De acordo com o Projeto Parent in Science, a produção científica feminina durante a pandemia também caiu mais do que a de homens. Enquanto 52% das mulheres com filhos não concluíram seus artigos, apenas 38% dos homens nas mesmas condições não terminaram. Para compensar, mulheres estão escrevendo mais artigos em coautoria e afetando, assim, sua representatividade como autoridades em suas áreas de pesquisa. O American Journal of Political Science calculou a taxa de envio de manuscritos e de publicações aceitas entre homens e mulheres nos periódicos do grupo. As mulheres enviaram apenas 8 dos 46 artigos de autoria individual entre 15 de março e 18 de abril de 2020. Isso corresponde a uma participação de 17% – abaixo dos 22% no conjunto de dados maior. Para as autoras do levantamento, ainda que as taxas gerais de submissão das mulheres subam, elas parecem ter menos tempo para enviar seus próprios trabalhos do que os homens, em meio à crise do coronavírus.

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Tarefa de homem

A campanha lançada pelo Escritório USP Mulheres segue a recomendação da ONU Mulheres sobre a divisão de tarefas em casa, no momento de pandemia. A organização começou em maio a ação digital #ElesPorElasEmCasa (#HeForSheAtHome), divulgando fotografias de homens em atividades domésticas e tarefas familiares, para mostrar como eles estão lidando com os desafios da pandemia e nas relações de gênero.

O escritório integra o movimento He for She, da ONU, que busca envolver a população masculina na promoção da igualdade de gênero e incentivar que homens equilibrem o trabalho diário em suas famílias. Saiba mais sobre o Escritório USP Mulheres:

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Site: http://uspmulheres.usp.br/
Facebook: facebook.com/uspmulheres/
Instagram: instagram.com/uspmulheres/

 

Com informações do Escritório USP Mulheres

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