Disciplina ensina matemática para alunos de humanas, biológicas e exatas

Qualquer estudante matriculado em um curso da USP pode participar de aula no Instituto de Matemática e Estatística (IME), em São Paulo

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Interdisciplinaridade faz parte da grade curricular de disciplina oferecida pelo IME – Foto: Arquivo Pessoal Eduardo Colli

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Em 2017, segundo o exame Prova Brasil que avalia a educação básica, a cada dez estudantes, oito concluíram o ensino fundamental sem aprender conceitos necessários de matemática. A crença de que alguns nasceram com dom para essa área do conhecimento, e outros não, pode ser um dos fatores que limitam o aprendizado. Na USP, em São Paulo, professores buscam desmistificar essa ideia por meio da matéria Panoramas da Matemática

Trata-se de uma disciplina optativa livre, ou seja, aberta para todos os estudantes matriculados em algum curso de graduação da Universidade. A cada aula, um professor convidado ministra um assunto diferente. Os infinitos na matemática, como funciona um computador, música e computação são exemplos de temas abordados. 

A seleção é feita pelos coordenadores do curso, Clodoaldo Grotta Ragazzo, Eduardo Colli e André Salles de Carvalho, todos professores do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, local onde a disciplina é oferecida desde 2016.

“Nossa preocupação é trazer professores que darão uma boa aula sem supor que os alunos entendam conceitos matemáticos a nível superior”, explica o professor Eduardo Colli.

As formas de avaliação da disciplina também não sugerem que os estudantes precisem ter conhecimentos teóricos aprofundados. É feita por meio de fichas, nas quais eles respondem questionamentos, como “já conhecia o tema?”, “destaque o que gostou e não gostou”. 

 A ideia da disciplina partiu do professor Clodoaldo Ragazzo, na época, diretor do  IME. “O objetivo dele era criar uma matéria que pudesse ser interdisciplinar e ter alunos de todos os cursos”, conta Colli.

Apesar de haver muitos estudantes das áreas de exatas e humanas, no início, era inexistente a participação de biológicas. Os professores então buscaram alternativas para atingir todos. “Divulgamos mais o curso e determinamos quantidades específicas de vagas para cada área do conhecimento”, relata Colli.

A iniciativa funcionou. Além de estudantes de ciências biológicas se inscreverem, houve grande procura das outras áreas. Este ano, somente na primeira interação de matrícula, o total de interessados foi 338. Foram 160 vagas disponibilizadas.  

“Cumpre a ideia de universidade”

Renato Santos, estudante de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, cursou a disciplina em 2018. Para ele, uma das melhores com que teve contato na graduação. “Para ter uma ideia de como é legal, um amigo meu não se matriculou oficialmente, mas acompanhou todas as aulas como ouvinte.” 

Renato conheceu a disciplina por meio de um grupo no Facebook. Como os comentários eram muito positivos, decidiu participar. “Os professores são muito atenciosos e solícitos. Criam um ambiente de descontração no qual os alunos sentem vontade de participar, perguntar. Não sentíamos vergonha de não ter entendido algum conceito.”

Outro ponto positivo é a experiência de troca proporcionada pela convivência com estudantes de áreas diversas. “Essa disciplina cumpre a ideia de universidade porque há alunos de todos os cursos: Letras, Psicologia. Por causa desse contato ocorriam conversas sobre muitos temas, como Shakespeare, Abraham Lincoln, sempre mediados pela matemática”, destaca Renato.

A disciplina Panoramas da Matemática é oferecida no segundo semestre de cada ano. As aulas ocorrem uma vez por semana durante a tarde. Para conferir mais informações, acesse o Sistema de Graduação – Jupiterweb

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