Direito da USP quer ampliar diversidade e presença no debate nacional

Professor Floriano Marques Neto assume a diretoria da Faculdade de Direito e destaca cinco objetivos da sua gestão

Por - Editorias: Universidade
Ex-aluno das Arcadas, Marques Neto assumiu em fevereiro a diretoria da Faculdade de Direito da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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Desde criança, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto sonhava em cursar a Faculdade de Direito (FD) da USP, também conhecida como a faculdade do Largo de São Francisco, na região central de São Paulo. Dentro de casa, a profissão de advogado do pai tornou o mundo jurídico um tema constante de conversas e discussões. A juventude vivida no período do regime militar fez crescer o interesse por política, que acabaria encontrando seu destino na ênfase em Direito Público.

Em 1986, o sonho se tornou realidade quando encontrou seu nome na lista de aprovados no vestibular. E assim começou uma experiência que ele, agora empossado diretor da Faculdade de Direito, define como intensa. “Não só estudei, mas tive bolsa de iniciação científica, participei do centro acadêmico e dos jogos e fui representante de dois departamentos na Congregação. Por isso, eu posso dizer que fiz da faculdade um espaço não só da minha formação profissional, mas da minha formação humanística”, comenta o jurista.

Nove anos depois do término da graduação, Marques Neto obteve o título de doutor. Foram só mais três para que ele se tornasse docente na USP. A paixão pelo ensino surgiu ao longo do seu tempo como aluno. “Quando entrei na faculdade, não tinha como objetivo ser professor. Mas ao longo dos cinco anos, quando se começa a ter tamanha admiração – quase uma veneração – em relação a alguns professores, é praticamente inevitável que o jovem passe a se projetar nessa posição. Eu pensava: ‘O que será que eu preciso fazer para ser bom como eles?’ Assim, eu despertei para a atividade docente”, recorda.

Vinte e oito anos depois de sua formatura no ensino superior, o diretor ainda não esqueceu alguns dos ensinamentos da época. Como exemplo de fala motivadora, ele cita um acontecimento no seu primeiro ano da graduação. “Em uma das primeiras aulas, o professor Dalmo Dallari [ex-docente e ex-diretor da FD] disse algo que me marcou muito: ‘Vocês vão ter aqui aulas maravilhosas e o privilégio de conviver com o que há de melhor no ensino do Direito. Aproveitem essa oportunidade. Mas vou dar uma dica: não se limitem à sala de aula. Convivam no pátio, convivam com o ambiente da Universidade. Há muito o que aprender e a buscar para a sua formação nesses lugares’. E eu me orientei por essa fala. A USP oferece isso: o convívio universitário. E isso me marcou muito”, diz.

No dia 12 de março, Floriano Marques Neto embarcou no início de seu mandato de quatro anos na liderança da FD, que será cumprido ao lado do professor Celso Fernandes Campilongo, vice-diretor. Os dois têm uma longa trajetória juntos: em 1991, Campilongo convidou Marques Neto para ser seu monitor no curso de Sociologia e Teoria Geral do Direito na USP, além de sugerir que ele se apresentasse para um concurso de professor assistente na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Sobre a expectativa de conviver em proximidade com Campilongo, o diretor comenta: “A perspectiva é a de trabalhar com alguém por quem tenho admiração e respeito profissional. É uma honra.”

Atento aos futuros desafios no comando de uma das maiores faculdades do País, o professor elencou em seu discurso de posse seis principais objetivos para os próximos anos.

Leia aqui o discurso de posse do diretor da Faculdade de Direito

O primeiro é tornar irreversível a política de inclusão na unidade, fornecendo um respaldo para que os alunos cotistas consigam permanecer e, em suas próprias palavras, “exercer sua capacidade”. O próximo consiste em dar meios para que a faculdade seja capaz de se atualizar de acordo com as gerações que chegam. Segundo o diretor, é preciso dar aos professores condições para que dinamizem suas relações com os estudantes e facilitar seu relacionamento.

O terceiro objetivo é dar à infraestrutura da FD um tratamento que torne o prédio capaz de acompanhar as necessidades dos alunos. “Não adianta ter uma ótima plataforma digital se não tivermos dispositivos wireless que permitam o acesso a todo o conteúdo on-line durante a aula, por exemplo”, afirma. Outro grande alvo é aperfeiçoar o programa de pós-graduação, para que ele possa crescer cada vez mais e se solidificar como o maior do País.

A última intenção do novo diretor é contribuir para que a faculdade ocupe um espaço central dentro dos debates nacionais. Diante das crises e situações delicadas que o Brasil vive, o professor considera essencial que um local propício para a ocorrência de debates cordiais, acadêmicos e respeitosos se consolide na FD. “Se conseguirmos fazer isso, estaremos não só com a minha gestão realizada, mas com o meu projeto de vida realizado”, diz.

Mesmo com tantas ideias e programas pela frente, o novo diretor da Faculdade de Direito da USP, no auge dos seus 49 anos, se enxerga apto e ativo para perseguir todos seus objetivos. “Estou longe do fim da minha carreira. Tenho pelo menos mais 25 anos de projetos acadêmicos e me sinto com bastante energia para fazer as coisas.”

Acesse o artigo dos professores Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto e Celso Fernandes Campilongo publicado no painel Tendências e Debates da Folha de S. Paulo no dia 12 de março.
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