Cursos de modelagem econômica treinam pesquisadores do Brasil e do exterior

Pandemia proporcionou experiência em disciplina da USP de oferecer atividades on-line, o que atraiu professores de 21 Estados e oito países

 11/03/2021 - Publicado há 7 meses
Curso a distância permitiu ampliar número de alunos – Arte sobre foto / 123RF

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Testar os efeitos de reformas econômicas e ajustes estruturais através de modelos criados a partir de dados reais, integração dos agentes econômicos e diferentes setores. De forma geral, é o que a modelagem econômica multissetorial permite descobrir através de técnicas de simulação. Dois cursos de pós-graduação da USP têm ajudado a treinar pesquisadores, desde 1999, para desenvolver técnicas de análise de políticas de desenvolvimento utilizando modelos insumo-produto e modelos de equilíbrio geral computável.

Com a pandemia causada pelo coronavírus, os cursos presenciais que são realizados sempre no segundo semestre, no ano passado, precisaram ser on-line. Isso permitiu que pessoas de todo o País e do exterior pudessem acompanhá-los. Enquanto no formato presencial havia um limite de 5 a 10 pessoas, na forma remota foram 113 participantes, sendo de 21 Estados brasileiros e de oito países.

Eduardo Haddad, professor da FEA USP – Foto: Divulgação/FEA

Chamados de cursos de Modelos Aplicados de Equilíbrio Geral I e II, eles são oferecidos pelo Programa de Pós-Graduação em Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo. “É um curso extremamente técnico, mas bastante aplicado. Então sempre houve muita demanda. Assim que a [Pró-Reitoria de] Pós-Graduação definiu que todos os cursos no segundo semestre de 2020 seriam on-line, vimos uma oportunidade de ampliar esse curso porque muita gente quer ter acesso aos cursos de pós-graduação do Departamento de Economia da USP”, conta o professor da FEA Eduardo Haddad, responsável pelos cursos e que também coordena o Núcleo de Economia Regional e Urbana (Nereu) da USP.

O professor explica que os cursos funcionam como um laboratório de economia. Por meio de modelagem econômica e com dados bem detalhados, cria-se um retrato daquela economia que se pretende analisar. Com as equações utilizadas no modelo, é possível replicar esse retrato e assim verificar diferentes intervenções de política, e como esse sistema reage a partir de respostas econômicas. A ideia é apresentar aos participantes a maior parte das técnicas empregadas na construção de modelos efetivamente utilizados para avaliações de políticas econômicas.

“No geral, cada ano escolho um tema, porque fazemos modelos aplicados para regiões. Ano passado, foi a Colômbia, fizemos uma parceria com o Banco de la República, que é o Banco Central da Colômbia, e os pesquisadores de lá nos ajudaram com as informações. Os trabalhos finais do curso teriam sido apresentados em um evento organizado pelo banco em Cartagena, mas ficou para depois da pandemia”, conta Haddad.

Impacto social da iniciativa 

O professor, junto com os pesquisadores Fernando Perobelli e Inácio Araújo, fez uma análise do impacto da ampliação da oferta de vagas. Eles avaliaram o benefício social em treinar pesquisadores vinculados a instituições de ensino e pesquisa, localizadas em regiões do território brasileiro ou exterior, afastadas de centros consolidados. O impacto estimado, considerando dados das duas disciplinas analisadas, equivale a R$ 2,2 milhões. Eles divulgaram a análise por meio de uma nota técnica, disponível neste link.

“Isso é para falar o quanto agregamos valor à sociedade, é possível monetizar e foi um exercício que fizemos. Esse curso é bastante aplicado, e tem algumas instituições fora do País que o oferecem cobrando um valor. Então a gente conseguiu trazer isso para a nossa realidade e estimar qual seria esse valor”, explica Eduardo Haddad.

Para o segundo semestre de 2021, apesar de positiva a participação on-line, o professor espera que se retorne para as aulas presenciais. “A nossa expectativa é que volte ao presencial, essa experiência on-line foi bastante gratificante, mas nada substitui, do ponto de vista de um curso dessa natureza, o contato, porque vai além da sala de aula.”


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