Curso de Engenharia Florestal possibilita dupla diplomação com escolas europeias

Oferecido na USP, em Piracicaba, profissionais são qualificados para trabalhar nas áreas de produção e conservação

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A área de tecnologia da madeira busca melhoria do processamento do material e seus derivados para aperfeiçoar e otimizar as aplicações do recurso natural – Foto: Gerhard Waller/Esalq

Lembro-me perfeitamente do dia da matrícula, entrei na Esalq de mãos dadas com minha mãe, não sei quem estava mais feliz”, disse Carolina Bozetti Rodrigues, egressa do curso de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Ela sempre estudou em escola pública e obter uma formação de ensino superior era um sonho não somente dela, mas também de seus pais.

Formada na turma de 1999, escolheu estudar na USP por apresentar a melhor avaliação do curso. “Devo destacar que o apoio que a instituição me ofereceu, como moradia, auxílio-alimentação e trabalho, na época, não estava disponível em outras universidades e que foi fundamental para que eu pudesse estudar fora de minha cidade natal.”

A formação em Engenharia Florestal é muito ampla e permite ao profissional atuar em praticamente todo o território brasileiro e exterior, em diversas áreas. Para Carolina, o curso é bastante dinâmico e aplicado, possibilitando relacionar rapidamente o conteúdo visto em sala de aula com os problemas e desafios reais. “Do ponto de vista pessoal, a graduação permitiu que eu convivesse com pessoas vindas das mais diferentes partes do Brasil e fizesse amigos para toda a minha vida.”

Hoje, ela possui experiência na área de conservação dos recursos hídricos com ênfase nos efeitos do manejo florestal sobre a quantidade e a qualidade de água. “Atuo como consultora em projetos de monitoramento hidrológico, planejamento territorial e restauração florestal com foco nas relações entre as florestas e a água.”

O curso de Engenharia Florestal tem duração de cinco anos, com disciplinas que se dividem entre básicas (introdutória), profissionalizantes gerais e específicas. “O grande diferencial é o fato de unir conceitos e práticas de produção e processamento da madeira, além de conservação de recursos naturais, tornando nossa formação mais dinâmica”, disse Victória Marega Festucci, estagiária da Comissão de Coordenação do curso.

Entre as diversas aplicações da madeira como fonte de energia e celulose, há a possibilidade de uso como elemento estrutural. Entretanto, esse uso pode apresentar desafios devido a limitações naturais da madeira. A área de tecnologia da madeira busca a melhoria do processamento do material e seus derivados para aperfeiçoar e otimizar as aplicações do recurso natural. O aperfeiçoamento e melhoria das características estruturais e mecânicas da madeira, por exemplo, feitos com base em projetos de pesquisa, vêm tornando possível o atendimento de um mercado crescente em demanda.

“O diferencial da área se dá na constante busca por soluções para uso dos recursos madeireiros e não madeireiros. Muitos estudos podem ser realizados em laboratório em um intervalo de tempo razoável, o que facilita a interpretação de resultados e possibilita adaptações imediatas para novos testes”, contou Larissa Stefani Martins da Silva, aluna do curso.

Quem opta por fazer a graduação na USP pode obter a dupla diplomação com a instituição francesa AgroParisTech e com o Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal. O aluno selecionado para o duplo diploma cursa dois anos e meio no Brasil e dois anos e meio no outro país, resultando em um diploma que vale para ambas as nações. Outra possibilidade é incrementar o currículo com experiências no exterior.

No primeiro semestre deste ano, Camilla Noel da Silva fez intercâmbio na Europa cursando quatro disciplinas na Escola Superior Agrária de Coimbra, em Portugal, e depois trabalhou, durante um mês, voluntariamente em uma ecovila na Itália. “Estar fora do País por tanto tempo é uma experiência única e indescritível, que possibilita conhecer diversos lugares com diferentes culturas, além de te trazer amizades de vários lugares do mundo.”

Camilla no Parque Natural da Serra da Estrela, em Portugal – Foto: Acervo Pessoal

Aulas práticas e licenciatura

A Esalq conta com duas estações experimentais, localizadas nas cidades de Itatinga e em Anhembi, que ficam à disposição dos alunos. Também nas áreas florestais do próprio campus da Esalq em Piracicaba, ocorrem experimentos e aulas. Durante o curso, os estudantes realizam duas viagens de campo. Uma no primeiro ano, para a Jureia, durante a disciplina de Ecologia, e a outra no quarto ano, para a região amazônica, na disciplina de Manejo de Florestas Tropicais.

“Quando entramos no curso de Engenharia Florestal, sempre esperamos a viagem para conhecer a floresta amazônica. Quando conversamos com estudantes que fazem o mesmo curso em outras universidades do País, eles falam que não têm essa oportunidade de fazer um curso de manejo florestal como esse. Acho que é o ápice da nossa formação”, disse Nadia Rosário de Oliveira, aluna do curso.

O engenheiro florestal formado pela Esalq pode atuar em propriedades rurais, empresas, indústrias de grande, médio e pequeno porte, ONGs, órgãos governamentais, comunidades quilombolas, indígenas e rurais, com atividades nas áreas de silvicultura e manejo, ecologia aplicada e tecnologia de produtos florestais.

Ao aluno que cumprir as disciplinas do programa de Licenciatura em Ciências Agrárias será atribuído um segundo diploma, que permite dar aulas na educação profissional, ensino médio, na área de ciências agrárias, envolvendo as subáreas de agropecuária, florestal e meio ambiente.

Márcia Sousa do Nascimento, graduanda do quarto ano, optou pela licenciatura. “No primeiro ano, decidi também entrar no curso de Licenciatura em Ciências Agrárias e estou quase concluindo. A licenciatura nos possibilita também ter uma visão mais crítica da situação atual da educação brasileira e a valorizar essa profissão extremamente importante para qualquer país.”

Ela ingressou em 2015 e, já na segunda semana de aula, entrou no Centro Acadêmico de Engenharia Florestal, onde está até hoje. “Desde o primeiro semestre entrei em um grupo de estágio voltado aos estudos e pesquisas em ecologia e manejo florestal e, com o tempo, fui conhecendo também outros grupos na área de silvicultura e restauração florestal. Isso me ajudou muito a decidir as áreas nas quais mais gosto de atuar”. Hoje, a aluna possui um projeto de iniciação científica no Laboratório de Hidrologia Florestal.

A estudante coordena ainda atividades de um grupo de extensão criado recentemente na Esalq, na área de Hidrologia Florestal. As ações do grupo estão focadas com produtores rurais a fim de contribuir na adequação ambiental, principalmente na preservação das nascentes. “Trabalhar com extensão foi algo que sempre desejei, pois acredito ser esse o principal papel da Universidade, compartilhar nossas pesquisas e os conhecimentos adquiridos com a população. Para mim é uma experiência muito boa.”

Estudantes da Esalq fazem análise de eucalipto – Foto: Gerhard Waller/Esalq

Empreendedorismo

O egresso José Henrique Bazani possui atualmente uma empresa de tecnologia florestal, a Geplant, em sociedade com mais dois ex-alunos da USP, em Piracicaba. Depois de formado, em 2006, transferiu-se para o sul da Bahia, onde trabalhou por seis anos na área de tecnologia em uma empresa de celulose. Após esse período, resolveu aprimorar seus conhecimentos e retornou à Esalq para realização do curso de mestrado na área de Silvicultura e Manejo Florestal.

“Foram mais dois anos de dedicação aos estudos científicos e mais descobertas sobre as oportunidades que a Esalq poderia me oferecer. Durante este período, tive a honra de participar do comitê de organização do mais importante fórum científico de florestas plantadas do mundo.”

Com o término do curso de mestrado e o encontro com dois grandes colegas de profissão, José Bazani e os amigos decidiram criar a própria empresa, com o objetivo de prestar serviços para o setor florestal. “Não tivemos dúvidas de onde iríamos nos instalar: Piracicaba. Além de ser uma cidade em franco crescimento, é hoje uma das referências em ciência e tecnologia voltada para o agronegócio e o setor florestal e nossa escola é a grande responsável por esse título. Neste ano, contratamos um aluno recém-formado na Esalq. Procuramos sempre retribuir à sociedade um pouco do que recebemos durante nossa formação e os anos vividos na USP”, disse Bazani.

Segundo o coordenador de Engenharia Florestal na Esalq, professor Silvio Ferraz, o diferencial do curso é ser eclético, com forte atuação seja na área de

produção florestal, conservação da natureza ou tecnologia da madeira. “Nosso profissional é versátil, tem forte embasamento teórico, mas também experiência prática e contato com o mercado. Estamos sempre reformulando o curso para atender a um mercado globalizado, que pede mais empreendedorismo e que exige flexibilidade na forma de trabalho. A Engenharia Florestal está mudando e precisamos sempre estar olhando à frente.”

José Henrique Bazani em uma área de colheita de eucalipto, acompanhado de Marcos Dassan, que se formou na Esalq – Foto: Acervo pessoal

Em pesquisa realizada pela Esalq com os egressos entre 2000 e 2017, verificou-se que 80% deles exercem atividades diretamente ligadas às ciências florestais. Em relação às áreas de atuação, 47% trabalham com silvicultura e manejo florestal, 36% trabalham com conservação de recursos naturais e ecologia e 4% estão em cargos ligados à tecnologia de produtos florestais. Outros 13% atuam em áreas diversas, principalmente prestando serviços de consultorias ou no serviço público.

Formas de ingresso

Para ingressar no curso de Engenharia Florestal ou em um dos outros cursos de graduação da Esalq, o acesso é realizado pelo vestibular da Fuvest ou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Mais informações: http://graduacao.lcf.esalq.usp.br/

Gabriela Martins Spolidoro/Divisão de Comunicação da Esalq

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