Trilha ecológica em Águas de São Pedro que fará parte do projeto de reflorestamento - Foto: Rafael Bitencourt

“Corredor caipira” vai ligar fragmentos de florestas no Estado de São Paulo

Projeto coordenado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP inclui reflorestamento de 45 hectares de florestas nas cidades de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi, além de outros 13 municípios

19/03/2021

Rafael Bitencourt - Fealq

Minimizar os impactos da fragmentação florestal e do isolamento de espécies em diferentes municípios do interior paulista é a proposta do Corredor Caipira – Conectando Paisagens e Pessoas. O projeto vai implantar 45 hectares de florestas e agroflorestas – equivalente a 45 campos de futebol – e formar corredores agroecológicos que conectam importantes fragmentos florestais no Estado de São Paulo.

A iniciativa tem como coordenador geral Edson Vidal, professor de Manejo de Florestas Tropicais Nativas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A iniciativa é coordenada pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), ligada à USP, e conta com patrocínio da Petrobras. Serão atividades focadas na conservação da fauna e da flora no território que abrange, diretamente, Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi. 

Outros 13 municípios serão beneficiados indiretamente, por meio do auxílio na definição de áreas prioritárias para restauração florestal, com intuito de melhorar a conectividade entre matas nativas. São eles: Avaré, Analândia, Bofete, Botucatu, Charqueada, Corumbataí, Guareí, Ipeúna, Itatinga, Itirapina, Pardinho, Rio Claro e Torre de Pedra.

Ao criar corredores ecológicos, que vão unir fragmentos florestais atualmente isolados, essas áreas representarão contínuos ambientais importantes para processos ecológicos, como polinização e dispersão de frutos e sementes.

De acordo com o engenheiro florestal Germano Chagas, um dos coordenadores técnicos, o processo de desmatamento tem levado à fragmentação florestal e ao isolamento das populações de espécies existentes entre esses fragmentos, especialmente na região de Piracicaba, marcada pelo cultivo da cana-de-açúcar. “Esse isolamento dificulta a mobilidade da fauna e, com isso, a preservação dessas espécies de animais é comprometida. É muito importante conservar a genética dessas espécies que sofrem com o processo de degradação ambiental e estão começando a sumir de nossas matas”, diz Chagas.

O projeto prevê ainda a conservação genética de 20 espécies florestais nativas por meio da implantação de um banco ativo de germoplasma. O nome é dado ao conjunto de material genético de uma espécie, transmitido de geração para geração. Utilizado para a conservação e o melhoramento genético de espécies vegetais e animais, o banco ativo de germoplasma é utilizado como um reservatório de genes em indivíduos vivos.

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Edson Vidal, professor da Esalq USP e coordenador do projeto Corredor Caipira - Foto: Reprodução/Linkedin

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Germano Chagas, pesquisador da Esalq e coordenador técnico no projeto Corredor Caipira - Foto: Reprodução/Esalq

“Corredor Caipira” em números

45

hectares recuperados

Mais de

90 mil

mudas serão plantadas ao longo do projeto

5

municípios

serão impactados com atividades do projeto

13

municípios

serão beneficiados indiretamente

120

participantes diretos

Mais de

15

profissionais envolvidos

Ajuda de todos

Para que os corredores se estabeleçam e se espalhem pelo território, será trabalhado o engajamento de pessoas, comunidades e instituições por meio da realização de um processo dialógico de educação ambiental e da articulação permanente de políticas públicas para a agroecologização local.

“Acreditamos que a sociedade deve estar envolvida nesse processo de transformação. Precisamos conectar essas pessoas com processos de formação, com educação ambiental para que as ações façam sentido para as pessoas e elas façam parte dessa transformação”, afirma o engenheiro agrônomo Henrique Campos, que também é coordenador técnico.

As florestas e agroflorestas implantadas pelo projeto servirão como “áreas escolas”, unidades demonstrativas compostas de diferentes formas e modelos de restauração e adequação ambiental das propriedades rurais. Esses diferentes modelos, além de cumprirem suas funções ecológicas, também vão gerar alimento e renda para os agricultores. É o que explica a engenheira florestal Karine Faleiros, responsável por processos de educação e articulação de políticas públicas.

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“A ideia é que esses corredores ecológicos possam estimular interações entre as comunidades e os agricultores da região, de forma a criar uma relação das pessoas com a implantação dessas novas florestas que podem ser florestas de comida, por exemplo, com os princípios agroecológicos”, explica Faleiros.

Transformação socioambiental

A implantação do projeto envolve a união de forças entre o poder público, estudantes e a sociedade de uma forma geral. “Um processo dessa natureza nos coloca em contato direto com esses atores-chave da sociedade. Prefeituras, secretários de Meio Ambiente, gestores de Unidades de Conservação, alunos de todos os segmentos, desde o ensino básico até o superior”, diz o professor Vidal.

A expectativa é a de criação de uma rede, comprometida com a transformação socioambiental, que traga à tona o papel e a importância de sistemas agroecológicos e da cultura caipira como mobilizadores de envolvimento e união de toda a comunidade.

Integrantes do projeto Corredor Caipira percorrem trechos de floresta em Águas de São Pedro - Foto: Rafael Bitencourt

O projeto é realizado pela Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz) e pelo Núcleo de Cultura e Extensão em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo).

Aprovado na última Seleção Pública do Programa Petrobras Sociambiental, o Corredor Caipira passou a contar com o patrocínio da Petrobras. Entre os parceiros, estão comunidades locais, pesquisadores, educadores, empresas, instituições de pesquisas e órgãos ambientais da esfera pública.

Mais informações: Instagram @corredorcaipira e Facebook www.facebook.com/corredorcaipira