Cor de telhados e fachadas pode influenciar temperatura das cidades

Professora da USP explica como cores de tinta impactam na temperatura superficial de certos materiais

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Pesquisadora Kelen Almeida Dornelles desenvolveu tabela mostrando como diferentes cores de tinta impactam nos índices de absorção de radiação solar nas superfícies – Foto: Mariordo via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

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O que você leva em consideração ao escolher a cor da parte externa da sua casa? Uma pesquisadora da USP recomendaria pensar não só na estética, mas na sensação de calor que ela pode causar. “Fico surpresa em ver como as pessoas não têm a percepção sobre o quanto isso influencia no conforto no interior de suas casas”, diz Kelen Almeida Dornelles.

Professora do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU), em São Carlos, Kelen é engenheira civil e estuda o assunto há mais de dez anos. Ela desenvolveu uma tabela mostrando como diferentes cores de tinta impactam nos índices de absorção de radiação solar nas superfícies – uma propriedade chamada de absortância.

A cor branca absorve 20% da radiação, ou seja, reflete 80%. A cor azul absorve quatro vezes mais, por isso a temperatura da superfície é diferente, mesmo em edifícios vizinhos – Imagem: Kelen Dornelles / IAU-USP

Uma superfície, ao ser aquecida, aquece também o ar ao seu redor. Por isso, escolher bem a cor da tinta pode ajudar a ter uma temperatura mais agradável dentro dos ambientes e, consequentemente, reduzir o consumo de energia com ventiladores ou condicionadores de ar, por exemplo. A tabela criada pela professora, inclusive, passou a ser utilizada pelo Procel, programa federal que promove o uso eficiente da energia elétrica.

“Existem diversas variáveis que interferem na absortância de uma superfície: a cor em que é pintada, o tipo de tinta e também sua composição química, mas quando o foco é a reflexão de calor, o maior determinante é a cor”, afirma. Os estudos de Kelen levam em conta apenas o calor absorvido pela superfície dos materiais, e não o quanto a cor interfere na transmissão do calor.

Gráfico mostra diferenças de temperaturas superficiais em relação às cores. Entre as cores preta e branca, a diferença pode chegar a 41ºC – Imagem: Kelen Dornelles / IAU-USP

A pesquisadora inseriu amostras de tinta em um espectrofotômetro. O instrumento mede e compara a quantidade de luz absorvida, transmitida ou refletida por elas. “A cor branca, por exemplo, reflete 80%. Já o preto reflete apenas 2%, absorvendo praticamente todo calor que é emitido sobre as superfícies”, explica Kelen.

Dessa forma, a casa ideal deveria ser pintada de branco, correto? Não, pois nossos olhos não dariam conta do recado.

Não precisamos ir ao extremo e pintar tudo de branco. Pintar todos os telhados de branco eliminaria parte do problema térmico nas cidades, mas ainda fica a questão da alta reflexão da luz. O branco ofusca e incomoda bastante a vista. Isso pode ser muito ruim em regiões com aeroportos, por exemplo.

Para a professora, é possível contemplar beleza e conforto, já que as opções de cores de revestimentos são inúmeras, inclusive para telhas. A alternativa seria simplesmente optar pelas cores claras, em tons pastel, que giram em torno de 40% a 60% de absorção do calor. “O branco gelo, por exemplo, tem absorção de 50%. Ou seja, ainda é branco, mas absorve muito mais do que o branco puro.”

Adaptado de Tatiana Zanon / Assessoria de Comunicação do IAU

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