Genealogia mostra quem são os herdeiros acadêmicos da Economia da USP

Árvore genealógica mostra sucessores e antecessores acadêmicos de pesquisadores da FEA, em São Paulo

Por - Editorias: Comunidade USP
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Prédio da FEA, no campus Cidade Universitária, em São Paulo – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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O Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Economia Regional e Urbana da USP (Nereus) e a Universidade Federal do ABC (UFABC), está lançando a Genealogia Acadêmica dos professores de pós-graduação de Economia da FEA. A árvore genealógica de cientistas e acadêmicos é uma forma de documentar os parentes acadêmicos dos pesquisadores, sejam eles “pais” (orientadores) ou “filhos” (orientados) e suas relações de orientação formal.

Partindo dos dados obtidos no Currículo Lattes dos 43 docentes em atividade do Departamento de Economia da FEA (denominados de Grupo Inicial), foram identificados tanto seus antecessores, em um total de 143 pessoas, quanto seus sucessores, que somaram 819 indivíduos. Essas informações foram representadas graficamente em uma Árvore Genealógica Acadêmica. A árvore consiste em um grafo conexo acíclico, isto é, uma estrutura em que cada vértice é um orientador acadêmico e as arestas (direcionadas) representam as relações de orientações.

Segundo o chefe do Departamento de Economia da FEA, professor Eduardo Haddad, esse tipo de estudo de mensuração e quantificação tem se difundido recentemente na literatura, na área denominada Cientometria. “É um tipo de métrica que mostra uma das dimensões da influência de um pesquisador na academia. Uma das primeiras árvores genealógicas individualizadas que fizemos foi a do falecido professor Werner Baer, que lecionou na unidade. Ele deixou mais de 2 mil herdeiros acadêmicos”, afirmou o economista.

O grupo de pesquisa que desenvolveu a Genealogia Acadêmica dos docentes da FEA foi liderado pelo professor e coordenador de Cientometria da UFABC, Jesús P. Mena-Chalco, PhD em Ciência da Computação, e contou com a participação dos alunos da UFABC, Lucas Theodoro Guimarães de Almeida e Victor Hugo Silva Oliveira.

Para Mena-Chalco, a genealogia acadêmica é uma ferramenta alternativa que pode ser utilizada para evidenciar a influência de um pesquisador ao longo de gerações de acadêmicos. “É um outro olhar sobre o seu desempenho acadêmico.”

Na opinião do professor Eduardo Haddad, a genealogia é extremamente importante como “medida de impacto de uma das principais atividades do pesquisador, que é a formação de discípulos, e que impacta na formação de várias gerações de pesquisadores”. Também é de grande utilidade como registro histórico de grupos atuantes em suas áreas de conhecimento. “Quando a gente olha para os números do Departamento de Economia, vemos que a atuação desses professores tem um impacto sobre a nucleação de vários departamentos de Economia no Brasil.”

“A ciência evolui por meio de interações entre acadêmicos e pela transferência de conhecimento que é realizada nestas interações”, ressaltou o professor Mena-Chalco, acrescentando que a evolução do conhecimento científico é a base para o desenvolvimento socioeconômico de uma comunidade. Já foram realizados outros trabalhos de genealogia na USP. Em 2017, Mena-Chalco publicou um artigo sobre o método para gerar grafos de genealogia acadêmica a partir dos dados da plataforma Lattes.

Foto: Reprodução / Núcleo de Pesquisa em Economia Regional e Urbana da USP (Nereus/FEA-USP) e UFABC (clique na imagem para ampliar)

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Árvore Genealógica dos docentes de pós-graduação de Economia da FEA

A Árvore Genealógica traz a herança acadêmica completa dos professores do Departamento de Economia da FEA, ou seja, mostra os filhos, netos e até bisnetos. O professor Naercio Menezes Filho, por exemplo, possui 66 filhos acadêmicos e 71 netos, totalizando 137 herdeiros. Já o professor Eduardo Haddad, apesar de ter gerado 25 filhos acadêmicos, tem mais herdeiros (174) do que seu colega do departamento. Isso porque na sua linhagem existem mais 134 netos e 15 bisnetos.

Na Árvore Genealógica, é possível observar que o tamanho dos vértices está relacionado com a quantidade de filhos acadêmicos. As cores também são uma forma de distinguir os grupos. O verde-bandeira, por exemplo, representa o Grupo Inicial de docentes ativos da pós-graduação de Economia da FEA e o rosa-pink, seus sucessores que possuem curriculum lattes.

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Índice Genealógico

O professor Jesús Mena-Chalco e colaboradores desenvolveram, a partir do grafo de genealogia acadêmica, o Índice Genealógico, uma métrica aplicada a um grafo que permite analisar quantitativamente a produtividade genealógica de um docente, similar ao índice-h bibliométrico.

O índice corresponde à quantidade máxima de filhos acadêmicos, que também tiveram pelo menos a mesma quantidade de ramificações. Por exemplo: se um docente teve Índice Genealógico igual a 3, significa que ele orientou pelo menos três pessoas e que cada um desses orientados também orientou no mínimo outros três alunos. Um professor pode ter um número grande de filhos acadêmicos, mas seu índice pode ser igual a zero caso seus filhos acadêmicos não tiverem orientado ninguém no mestrado ou doutorado.

Índice Genealógico dos professores do Grupo Inicial

1 Eduardo Amaral Haddad 7
2 Naercio Aquino Menezes Filho 5
3 Márcio Issao Nakane 4
4 José Raymundo Novaes Chiappin 3
5 José Flávio Motta 2
6 Fabiana Fontes Rocha 2
7 Rodrigo De Losso da Silveira Bueno 2
8 Fabio Kanczuk 2
9 Maria Dolores Montoya Diaz 2
10 Dante Mendes Aldrighi 1
11 Renato Perim Colistete 1
12 Decio Katsushigue Kadota 1
13 José Carlos de Souza Santos 1
14 Joe Akira Yoshino 1
15 Gilberto Tadeu Lima 1
16 André Luis Squarize Chagas 1

Como montar a Árvore Genealógica

1) A genealogia acadêmica aplica os conceitos de genealogia nas relações de orientação entre indivíduos da academia, onde ser “pai” representa orientar um indivíduo, e ser “filho” representa ser orientado.
2) Para auxiliar a visualização, são utilizados grafos onde cada pessoa é um vértice e a relação de orientação é uma aresta direcionada (orientador para orientado).
3) A coleta de dados é feita por meio da plataforma Lattes, pois ela é comumente utilizada por professores e pesquisadores no Brasil.
4) Através do currículo é possível identificar tanto o orientador como a lista dos orientados formais.
5) Por causa do grande volume de dados, a árvore genealógica considera apenas currículos dos indivíduos com relação acadêmica de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Para ter acesso à linhagem completa dos docentes do Programa de Pós-Graduação de Economia da FEA, basta clicar aqui.

Da Assessoria de Imprensa da FEA

 

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