Bolsas ajudam alunos de baixa renda a se manterem na USP

Auxílios emergenciais podem ser concedidos a ingressantes que necessitam de apoio imediato

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Estudantes podem conseguir uma vaga no Conjunto Residencial da USP após análise socioeconômica – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Passar no vestibular mais concorrido do País é o sonho de mais de 100 mil estudantes que prestam a Fuvest todo ano. Porém, depois de vencer esse desafio, os alunos da USP esbarram em uma nova questão: como permanecer na Universidade? A USP estabeleceu a meta de ter 50% dos seus alunos oriundos da escola pública até 2018, entretanto, tão importante quanto atrair mais alunos de baixa renda é garantir que eles concluirão seus cursos. Para isso, surgiu em 2006 o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que visa a auxiliar estudantes de graduação com dificuldades socioeconômicas a se manterem na Universidade.

Todo ano, durante o período de matrícula, a Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP abre inscrição para os pedidos de apoio e bolsas de permanência. São quatro tipos de auxílios, com duração de 12 meses: o apoio-moradia, que consiste em vaga gratuita nas moradias estudantis da USP ou auxílio financeiro mensal de R$ 400; auxílio-alimentação; auxílio-livros, no valor de R$ 150, para serem utilizados nas livrarias da Editora da USP (Edusp); e o auxílio-transporte, no valor de R$ 200, apenas para alunos dos campi do interior. Esses dois últimos auxílios, livros e transporte, são pagos apenas nos meses letivos.

A concessão das bolsas é feita a partir de análise socioeconômica, que consiste na verificação de documentos, além de entrevista com assistente social. Para alguns tipos de bolsas, é necessário ter renda per capita de até três salários mínimos, como é o caso da vaga em moradia estudantil, ou de até dois salários mínimos, a exemplo do auxílio-alimentação.

Após os 12 meses,  o estudante passa por uma reavaliação. As inscrições para as bolsas deste ano começam em 13 de fevereiro e vão até 13 de março. A divulgação dos resultados está prevista para 15 de maio.

Porém, os ingressantes que necessitam de moradia e auxílio-alimentação antes desse período podem fazer o pedido de apoio emergencial. Por meio dele, o aluno pode conseguir uma vaga nos alojamentos coletivos da Universidade por três meses ou o valor de R$ 400 para custear uma moradia fora dos campi, mais o apoio alimentação.

Quem fizer o pedido e entregar a documentação até o dia 20 de fevereiro pode receber o auxílio a partir de 2 de março. Pedidos além desse prazo serão divulgados posteriormente toda semana. As orientações gerais do apoio emergencial podem ser encontradas neste link.

 

Auxílios oferecidos pela USP com base em critérios socioeconômicos
Moradia Ajuda de custo de R$ 400 mensais para moradia fora dos campi
Alimentação Gratuidade em almoço e jantar nos restaurantes universitários
Livro R$ 150 mensais para serem utilizados em livros na Edusp
Transporte Ajuda de custo com transporte (somente nos campi do interior)
Crusp Vaga em quarto no Conjunto Residencial da USP
Apoio Manutenção (EACH) R$ 200 mensais apenas para alunos da USP Leste

 

Como são concedidas as bolsas

O superintendente de Assistência Social, Waldyr Jorge, explica que as bolsas são oferecidas de acordo com a pontuação socioeconômica do aluno. A SAS, após a entrada dos novos estudantes, recebe da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) os dados socioeconômicos dos mesmos, que serão utilizados para o cálculo da pontuação. Depois da entrega dos documentos e a entrevista com a assistente social, o candidato recebe uma pontuação final, que leva em conta a situação financeira da família e a distância da residência à faculdade, entre outras particularidades.

Essa pontuação classifica o aluno dentro de um perfil socioeconômico que pode ser: P-1 para o aluno com grande necessidade de apoio, P-2 para o aluno com necessidade média de apoio e o P-3, com pequeno grau de necessidade. “Nós sempre ajudamos os alunos dentro do Perfil 1”, conta o superintendente. Pontuações acima de 95, portanto, dentro do Perfil 1, garantem os auxílios financeiro e alimentação. Já para conseguir uma vaga no Conjunto Residencial (Crusp) no campus Cidade Universitária, em São Paulo, por exemplo, a pontuação mínima pode variar a cada ano, tendo sido próxima de 130 em 2016.

 Superintendente de Assistência Social, Waldyr Jorge. Foto: Hérika Dias
Superintendente de Assistência Social, Waldyr Jorge – Foto: Hérika Dias

Além dessas bolsas, também é de responsabilidade da SAS e, portanto, pertencente ao Programa de Permanência, as bolsas de Tutoria, Pesquisa, Iniciação Científica e Aprender com Cultura e Extensão – atualmente reunidas no Programa Unificado de Bolsas (PUB). Para aumentar a renda, o aluno pode realizar trabalhos de dez horas semanais em projetos e pesquisas da USP com um valor de R$ 400 mensais. Mais informações neste endereço.

Investimento

Em 2016, a Universidade utilizou mais de R$ 28 milhões para a oferta de bolsas moradia, transporte, alimentação e livros, e mais R$ 28 milhões no PUB. Para 2017, está prevista a utilização de R$ 30 milhões para a primeira categoria de bolsas e R$ 38 milhões para o PUB. Ao todo, serão disponibilizados R$ 70 milhões para os auxílios de permanência (incluindo o gasto de R$ 1 milhão para reformas no Crusp), segundo dados do Portal da Transparência da USP.

A aluna do curso de Letras, Lídia Alice, conta que só decidiu prestar o vestibular para a USP depois de conhecer as bolsas de permanência. “Para mim, morando em Minas, seria impossível vir para São Paulo sem esse apoio.” A estudante ficou sabendo da existência do programa pelo Guia do Estudante, da editora Abril. Ela morou no alojamento coletivo do campus da Cidade Universitária durante os primeiros meses da graduação, até conseguir a vaga definitiva em um apartamento do Crusp.

Uma reclamação de parte dos alunos é em relação à falta de informação sobre os processos do programa. A aluna do terceiro ano de História, Karine Arruda, só tomou conhecimento das bolsas por meio de amigos e somente depois do fim do prazo de inscrições. Sem os auxílios no primeiro ano do curso, a estudante apostava em um emprego que a ajudasse a se manter na faculdade. “Fiquei o primeiro semestre todo procurando trabalho, tanto que isso me desmotivou muito, não conseguia me concentrar nas aulas, não conseguia ler os textos. Talvez se eu soubesse das bolsas, tivesse sido diferente, eu ficaria mais tranquila e mais concentrada no curso.”

O superintendente rebate que também é papel dos centros acadêmicos das unidades e até mesmo associações de ex-alunos ajudarem o serviço social tanto com a divulgação do programa quanto com a assistência aos estudantes. “As associações de ex-alunos e centros acadêmicos não estão aí só para festas, tem que ter apoio, participação, ensinar aos que estão ingressando, ajudar a faculdade e os alunos”, afirma. Ele utiliza os exemplos das associações de alunos da Faculdade de Direito (FD) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que também oferecem ajuda aos estudantes, com moradia como as Casas de Estudante da Sanfran e da Medicina.

Para se inscrever o candidato deve seguir os passos abaixo:

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Os candidatos que forem contemplados com as bolsas deverão assinar o termo de compromisso no serviço social. Quem não for contemplado pode entrar com um recurso pedindo a reavaliação da documentação.

Apesar dos editais da SAS darem uma atenção maior ao campus da capital, o interior também oferece as mesmas bolsas, com o adicional do auxílio-transporte (pois a capital tem o serviço de passe livre na cidade). Aos ingressantes que precisarem recorrer aos apoios, o órgão entrega panfletos informativos no dia da matrícula. Informações mais detalhadas podem ser encontradas no site da Superintendência de Assistência Social. As orientações para os pedidos deste ano já estão disponíveis no site. Para maiores informações ou dúvidas, o aluno pode procurar o serviço social do seu campi.

Mais informações: (11) 3091-2036 e e-mail: papfe@usp.br

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