Foto: Freepik

Como as empresas podem ter acesso às tecnologias desenvolvidas na USP?

Universidade possui uma equipe que atua ativamente na prospecção de parcerias entre empresas e os laboratórios de P&D e o ecossistema de inovação da USP

 18/08/2021 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 23/08/2021 as 10:47

Hérika Dias

Diariamente você lê aqui no Jornal da USP inúmeras notícias de pesquisas da USP em todas áreas do conhecimento. Para que parte dessas descobertas científicas, sobretudo as tecnologias, possam chegar até a sociedade é preciso desenvolvimento, produção, distribuição. São etapas que não estão no escopo da Universidade, mas sim do setor produtivo do País, ou seja das empresas. 

A Agência USP de Inovação possui uma equipe que atua como facilitadora de parcerias entre a Universidade e empresas. Desde outubro do ano passado, foi iniciado um trabalho de levantamento das competências da USP nas áreas de Energia e Saúde, com contatos de laboratórios e grupos de pesquisa.

Há também uma busca ativa pelas empresas, com reuniões e identificação das áreas de interesse delas. “Realizamos uma análise dentro da USP com o que os professores estão desenvolvendo de pesquisa, o que está mais avançado, o que nós já temos pronto, ou foi gerado de patente na instituição. E apresentamos para as empresas”, explica Fernanda Basso, analista de negócios da Agência USP de Inovação.

A ideia é levar o conhecimento que a Universidade está produzindo para aplicações externas, mas também apresentar aos cientistas demandas do setor produtivo. “Trazemos para os pesquisadores quais são as perspectivas do que hoje a indústria está buscando de novos conhecimentos. Muitas vezes, o professor até faz algo que pode ser interessante para a indústria, mas precisa apenas de uma pequena reformulação”, segundo Fernanda.

Foto: Arquivo pessoal

Fernanda Basso, analista de negócios da Agência USP de Inovação - Foto: Arquivo pessoal

Ela lembra que não se pretende mudar as linhas de pesquisas ou paralisar o que está sendo desenvolvido, mas buscar uma aproximação com as empresas e mostrar o que a universidade consegue desenvolver.

“O objetivo é assessorar as partes interessadas, que são ambos os lados – a universidade e a empresa – para a realização de atividade conjunta de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A gente ativamente procura as empresas, entra em contato com os responsáveis pela inovação das empresas”, explica a analista de negócios Manuella Pereira.

Hub de Inovação

Em abril deste ano, a Universidade lançou a Hub USP Inovação, uma plataforma voltada para inovação e empreendedorismo. A proposta é estimular parcerias com startups, empresas e comunidades de negócios disponibilizando informações sobre professores, patentes, programas, laboratórios e incubadoras espalhadas pelas 42 unidades de ensino e pesquisa.

Tudo isso está separado por áreas de busca para facilitar a navegação: Iniciativas, P&D&I, Competências, Educação, Empresas e Patentes. Com uma busca simples na plataforma, uma empresa ou instituição pode encontrar projetos e especialistas de todas as áreas da universidade. 

Estão cadastros as competências, serviços tecnológicos e equipamentos de cada um dos 5.300 professores que a USP mantém, além das quase 1.200 patentes registradas pela Universidade.

Plataforma Hub USP Inovação - Foto: Reprodução/Hub USP Inovação

Na primeira reunião, as analistas de negócio levantam quais são os focos de investimentos das empresas e se há interesse em desenvolver um projeto de pesquisa com grupos de pesquisas da USP. A partir das demandas apresentadas, elas buscam dentro do ecossistema de inovação da Universidade quem está mais apto a atender às necessidades da empresa.

São organizados business meeting, reuniões de negócios para as empresas apresentarem diretamente aos pesquisadores quais são as demandas delas e também é uma oportunidade dos cientistas falarem de seus projetos. 

“É o início da construção de uma relação porque estamos falando em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, sabemos que em uma só reunião não é capaz de sair uma assinatura de contrato. Essas negociações para novos projetos podem durar meses”, avisa Manuella. 

Inicialmente, as prospecções de empresas e pesquisas estão concentradas na área de saúde, saúde animal, cosmetologia e energia. De acordo com a analista Fernanda, há um grande foco de pesquisas em saúde na USP e, consequentemente, gera muita tecnologia e resultados para aplicações pela indústria.

Já o contato com empresas da área de energia envolve energia elétrica, petróleo, gás e bioenergia. Manuella destaca que dentro desse espectro há subáreas, como, internet das coisas, automação e indústria 4.0. 

Foto: Arquivo pessoal

Manuella Pereira, analista de negócios da Agência USP de Inovação - Foto: Arquivo pessoal

Além da presença de grandes laboratórios da USP voltados a pesquisas de energia, a escolha da área também se deve a dispositivos legais que preveem a obrigatoriedade de empresas do setor em investir em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e, no caso do setor elétrico, em eficiência energética. “Todas as empresas de energia já tem orçamento  para investimento, então, queremos mostrar nossas expertises para estimulá-las a fazer parceria com a USP”.

De acordo com as analistas de negócios, a Agência USP de Inovação já está prevendo expandir a prospecção de empresas também em outras áreas.

Caso uma empresa queira entrar em contato com a equipe de analistas de negócios da Agência USP de Inovação é só enviar um e-mail para pdi.saude@usp.br ou pdi.energia@usp.br.