Clube de Matemática mostra outro ângulo da ciência dos números

Projeto da USP em São Carlos ajudou alunos do ensino médio a enxergar aplicações da matemática fora da sala de aula

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Formas geométricas - Foto:
Formas geométricas desenvolvidas por alunos no Clube de Descobertas Matemáticas – Foto: Divulgação

A matemática é uma das mais importantes ciências desenvolvidas pela humanidade. Sem ela, você não estaria lendo esta matéria em seu computador, tablet ou celular (nem ao menos poderia ter qualquer um desses dispositivos). Apesar de sabermos de suas inúmeras aplicações cotidianas, o modelo de ensino tradicional não costuma valorizar essa perspectiva, e a maneira como se transmite a teoria acaba desestimulando uma parte grande dos estudantes brasileiros.

Pensando nisso, integrantes da Agência Multimídia de Difusão Científica e Educacional Ciência Web, projeto do polo de São Carlos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, criaram, no começo deste ano, o Clube de Descobertas Matemáticas. A ideia era apresentar a alunos de ensino médio da rede pública da cidade uma abordagem diferente para o ensino da matemática, baseada em modelos aplicados em 2015 em outros clubes de ciências promovidos pela agência.

Durante cinco meses, bolsistas do curso de Licenciatura em Ciências Exatas da USP em São Carlos deram aulas semanais nas tardes de quinta-feira para 30 estudantes, no campus da Universidade.

Ana Laura Junqueira foi uma das bolsistas à frente do projeto e conta que a ideia era trazer para o clube alunos que já gostassem de matemática e outros que quisessem “dar uma última chance” à temida matéria. “Tínhamos espaço para 30 alunos, então, divulgamos o clube nas escolas públicas de São Carlos e preparamos um processo seletivo com duas perguntas: ‘Você gosta de matemática?’ e ‘Onde você vê a matemática?’. Com base nas respostas, tentamos equilibrar os alunos que já gostavam da matéria e aqueles em quem poderíamos despertar interesse.”

Ana - Foto:
Ana Laura Junqueira – Foto: Divulgação

As atividades desenvolvidas nas aulas iam desde jogos até palestras, compreendendo vários assuntos da matemática presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e também alguns que não têm espaço, como a história da matemática.

Com esse repertório, os alunos usaram a criatividade para escolher os temas de seus trabalhos finais. “Faltando mais ou menos um mês para o fim do curso, começamos a orientar os alunos para o trabalho final. Tivemos temas bem legais, números binários na computação, matemática na música, tudo ideias deles”, conta Ana Laura.

A bolsista acredita que o sistema aplicado no Clube de Descobertas Matemáticas pode ser utilizado também em aulas tradicionais do ensino médio. “Devido à carga grande de conteúdo, não é algo que se possa fazer sempre, mas com certeza em aulas esporádicas é possível, e dá para pensar em maneiras mais lúdicas e interativas de ensinar qualquer assunto da matemática. Eu pretendo trabalhar dessa forma quando for professora, pois, depois do clube, a diferença no aprendizado e no interesse é visível.”

Ana Laura diz que, devido aos resultados, gostaria de dar continuidade ao projeto no próximo ano. Porém, algumas das possíveis reformas propostas pelo governo federal para o ensino médio podem dificultar as atividades. “Se o ensino médio se tornar de fato integral a partir do ano que vem, não poderemos mais fazer as aulas à tarde. Teremos que pensar em alternativas, como aulas aos sábados”, explica.

Matemática na música

Para encerrar o projeto, no dia 27 de outubro, os alunos prepararam uma apresentação na forma de pôsteres com tema livre, relacionando a matemática a algum outro assunto que os interessasse, com premiação para o melhor trabalho.

O trabalho vencedor foi feito por Robson Vitorino da Silva Correia Junior, estudante do segundo ano do ensino médio. Apaixonado por música, Robson decidiu explorar as muitas relações entre essa arte e a matemática, orientado por Ana Laura e pelo também bolsista do programa Gevair Norberto de Souza. Para isso, o jovem se inspirou no matemático grego Pitágoras (c. 570 – c. 495 a. C.) e usou um monocórdio (instrumento formado por uma tábua de madeira e uma corda esticada presa às suas pontas) para desenvolver escalas musicais observando as frequências das notas e as razões entre elas.

Robson - Foto:
Robson Vitorino da Silva Correia Junior durante exposição do seu trabalho – Foto: Divulgação

Robson faz parte do grupo de alunos que já gostavam de matemática antes de entrar para o clube, mas diz que a experiência o ajudou a superar dificuldades. “Aprendemos  matemática de uma maneira muito mais fácil. Em exercícios de geometria, por exemplo, eu tinha problemas para ler o enunciado e transformar as informações nos desenhos. No clube nós usávamos origamis para criar as formas geométricas, e agora eu consigo enxergar isso com muito mais facilidade”.

Outras atividades que Robson destaca foram mágicas, jogos de cartas sobre funções, aulas sobre lógica e sobre assuntos que eram novos para ele. “Eu nunca tinha aprendido sobre a história da matemática ou a origem dos números, foi muito interessante. Os jogos também fizeram com que fosse muito mais fácil aprender matérias como funções”, conta.

O estudante diz que o curso o fez se sentir mais preparado para o vestibular que prestará no próximo ano e, mais que isso, abriu seus horizontes. “Toco piano e violão clássico, e pensava em prestar Música. Mas, depois do clube, estou pensando em prestar Matemática.”

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