Cerca de 60% dos casos de câncer são curáveis

Médicos apontam envelhecimento como um dos principais fatores de risco da doença, que deve atingir 600 mil brasileiros entre 2016 e 2017

Por - Editorias: Universidade
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Gustavo Fernandes e Ademar Lopes - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Os médicos Gustavo Fernandes e Ademar Lopes participam de discussão sobre os mitos e realidades envolvidos na cura do câncer – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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De acordo com o relatório do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, estima-se que 600 mil novos casos de câncer devam ocorrer entre 2016 e 2017 no Brasil. Segundo o médico Ademar Lopes, nos países onde há todas as condições de se tratar a doença, a cura é possível em aproximadamente 60% dos casos. E as perspectivas são otimistas, já que a evolução clínica do tratamento oncológico se deu enormemente nas últimas décadas.

Lopes é especialista em cirurgia oncológica e vice-presidente de um dos maiores centros oncológicos do mundo, o A.C. Camargo Câncer Center. O médico foi um dos convidados da terceira edição do USP Talks, realizado no dia 29, em São Paulo. O tema “Os mitos e realidades da cura do câncer” foi discutido junto ao presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Gustavo Fernandes, que é médico oncologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.

Gustavo Fernandes - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Historicamente começamos há muito pouco tempo a trabalhar para a cura do câncer”, afirma o médico Gustavo Fernandes | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Fernandes lembra que até a década de 50 não houve evolução no tratamento da doença. A cirurgia para remoção de tumores começou no século 19 e os tratamentos mais direcionados, com medicamentos e radioterapia, ocorreram somente no último século. “É tudo muito recente. Tudo o que temos de evolução e melhora se deu nos últimos anos.”

O presidente da Sboc afirma que o tratamento é possível para quase todas as pessoas: cerca de 7 em cada 10 pacientes podem ser curados. Para o especialista, os números são bons, mas ainda não satisfatórios. “Estamos andando a passos largos. A mortalidade do câncer vem caindo, por estadiamento [processo que determina a extensão do câncer presente no corpo de uma pessoa e onde está localizado], por localização e idade, entretanto a velocidade da cura não é a que a sociedade deseja. Vale lembrar que, historicamente, começamos há muito pouco tempo a trabalhar para a cura do câncer.”

Ademar Lopes destaca que, entre 1985 e 1990, quando se descobria que uma mulher tinha câncer na mama, o procedimento era retirar todo o órgão, o que acabava gerando transtornos estéticos, funcionais e psíquicos muito grandes. Hoje, com o surgimento e evolução do tratamento multidisciplinar, envolvendo a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, a mulher, na maioria dos casos, remove apenas um quarto da mama, consegue a cura e não sente tão intensamente a mutilação. “A combinação dessas modalidades terapêuticas é muito importante e contribui para maiores taxas de cura e sobrevida”, afirma.

Lopes afirma que a taxa de cura é menor em casos de câncer mais agressivos, mas que, em contrapartida, já se consegue curar 80% dos casos de cânceres pediátricos, sendo que na década de 80 se curava apenas entre 20% e 25% das ocorrências.

Assinatura do envelhecimento

Ademar lopes - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Segundo o especialista Ademar Lopes, quanto mais se vive, mais as pessoas se expõem aos agentes causadores do câncer | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A esperança dos dois oncologistas é a mesma. Ambos anseiam que, nas próximas décadas, surjam drogas mais eficientes, capazes de curar muito mais pacientes. “O importante é investir em pesquisa básica e que se desenvolva tratamentos que realmente mudem a vida das pessoas, e não como se vem fazendo, cada vez mais investimentos financeiros em tecnologias que só se preocupam em prolongar a vida”, avalia Gustavo Fernandes.

No debate, os médicos apontaram o envelhecimento como um dos principais fatores de risco da doença. Segundo Ademar Lopes, quanto mais se vive, mais as pessoas se expõem aos agentes causadores do câncer. “Queremos viver mais, mas não queremos aceitar os problemas que isso acarreta”, completou Fernandes, para quem o câncer é uma doença que carrega a assinatura do envelhecimento.

Os tipos de câncer com maior incidência no mundo são os de pulmão (1,8 milhão), mama (1,7 milhão), intestino (1,4 milhão) e próstata (1,1 milhão). Nos homens, os mais frequentes são de pulmão (16,7%), próstata (15,0%), intestino (10,0%), estômago (8,5%) e fígado (7,5%). Já em relação às mulheres, a prevalência é o câncer de mama (25,2%), intestino (9,2%), pulmão (8,7%), colo do útero (7,9%) e estômago (4,8%).

USP Talks

Organizado pelas Pró-Reitorias de Pesquisa e de Graduação da USP e pelo jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com a Livraria Cultura, o USP Talks é uma série mensal que traz especialistas da academia para falar sobre temas de grande relevância, em um formato diferenciado de palestra – informal, simples, rápido e personalizado.

Cada apresentação tem, no máximo, 15 minutos, com 30 minutos de bate-papo com a plateia, ao final. A primeira edição foi em abril, com o tema “Aedes aegypti, zika e microcefalia: Como vencer o mosquito e suas doenças?”, e a segunda edição, em maio, trouxe a discussão “Corrupção: De onde vem e como acabar com ela?”.

Para assistir aos próximos encontros, acompanhe a página do USP Talks no Facebook..

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