Aplicativo mapeia obstáculos nas calçadas de São Paulo

Protótipo criado por grupo com alunos da USP poderá fornecer dados para a prefeitura municipal

Por - Editorias: Universidade
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Por meio do APPedestre os cidadãos que se deslocam a pé notificam a existência de obstáculos nas calçadas e assim alimentam o banco de dados da prefeitura – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Andar pela cidade de São Paulo não é tarefa fácil. Pensar em uma solução que melhorasse a vida de quem se desloca a pé na maior cidade do País foi o desafio de um grupo que teve como integrantes alunos da USP. O resultado foi o desenvolvimento do aplicativo APPedestre.

A partir da plataforma, que por enquanto só existe na forma de protótipo, os pedestres conseguem indicar a existência de obstáculos com que se deparam nas calçadas da cidade: buracos no chão, postes em passagens estreitas, lixo e lixeiras bloqueando as vias e assim por diante. Para isso, é usada a geolocalização do celular.

Essas notificações devem alimentar, então, o banco de dados da prefeitura municipal, resultando em um mapeamento colaborativo para que o poder público possa identificar as dificuldades e entender as demandas dos cidadãos que se deslocam a pé.

Estatuto do Pedestre foi aprovado na Câmara e espera sanção do prefeito – Foto: André Bueno/CMSP

O app foi pensado durante o Solution Jam, workshop oferecido durante o evento The Developers Conference, que ocorreu em São Paulo nos dias 21 e 22 de julho. O Solution Jam funciona como uma oficina prática para pensar soluções por meio da tecnologia. É uma espécie de hackathon, ou seja, estabelece um limite de tempo para que as equipes apresentem os projetos finais — nesse caso, o prazo era de dois dias.

Nessa edição do workshop, o desafio era elaborar soluções que ajudassem a colocar em prática o novo Estatuto do Pedestre da cidade de São Paulo, que está à espera da sanção do prefeito João Doria após ter sido aprovado na Câmara dos Vereadores no dia 7 de junho.

Entre os participantes da atividade, estava Carolina Abilio, aluna do programa de mestrado de Ambiente, Saúde e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Ela foi inserida no time formado por Orleans Claus dos Santos, analista de sistemas, Nayana Holanda de Abreu, mestranda em Sistemas da Informação na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, e o designer gráfico Filipe Nzongo. Nenhum deles se conhecia previamente.

Equipe responsável pelo desenvolvimento do app: Nayana, Carolina, Filipe e Orleans – Foto: Divulgação

Com o envolvimento da prefeitura municipal, que realizou uma parceria com o evento, as equipes receberam orientações do vereador José Police Neto, autor do texto do novo Estatuto do Pedestre, e de Sérgio Avelleda, secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo. A partir disso, os participantes eram livres para elaborar qualquer tipo de solução.

A criação do aplicativo

Pensando em como uma tecnologia barata e acessível poderia ajudar a tornar a cidade mais amigável aos pedestres, a equipe de Carolina montou o projeto do APPedestre após aplicar questionários e identificar quais seriam as maiores dificuldades que as pessoas enfrentam ao caminharem pela capital.

Essa estratégia seguiu o método de design thinking, que propõe entender quais são as demandas dos usuários para então criar soluções práticas — e não pensar em um produto final ao qual os usuários devem se adaptar.

Outra preocupação foi arquitetar um aplicativo que tivesse uma base de dados inteligente, para que as informações recolhidas pudessem resultar em ações práticas. “A ideia é que os cidadãos que notifiquem problemas nas vias possam ver um retorno da prefeitura”, explica Carolina. Desse modo, mesmo aqueles que não utilizam a plataforma poderiam ser beneficiados.

Quando várias pessoas relatarem um mesmo problema em uma mesma localização, por exemplo, as notificações do app se “somam”, indicando para a prefeitura que há um fluxo de pessoas sendo impactadas por aquele obstáculo e que talvez aquele ponto deva ser considerado como prioridade.

Sérgio Avelleda, secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Uma demanda da equipe foi que o aplicativo tivesse um funcionamento simples e intuitivo, que funcionasse na maioria dos celulares e exigisse pouca manutenção, fazendo uso de ferramentas como a inteligência artificial, que dispensa a necessidade de pessoas para operar o sistema.

Nesse sentido, é usado um chatbot, software que permite a troca de mensagens, para criar uma caixa de diálogo entre o usuário e a máquina. “Ele pergunta o que você quer reportar: por geolocalização identifica onde você está e aparecem as opções: lixo na via, acidente, poste, obstáculos na calçada, etc.”, explica Carolina. Em seguida, aparecem mais opções para que o problema possa ser especificado, apontando, como exemplo, o tamanho de um buraco.

Ao final da imersão, o grupo conseguiu apresentar o protótipo do aplicativo que, a convite da prefeitura, continuará a ser desenvolvido durante o Hack in Sampa, hackathon para promover o combate à corrupção a partir dos dados abertos do município, marcado para o dia 15 de agosto.

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