Alunos são responsáveis por 55% das startups de parque tecnológico

O Supera fica em Ribeirão Preto e é um espaço para impulsionar empreendedores; em 2017, faturou R$ 11 milhões

Prédio do Supera, localizado no campus da USP em Ribeirão Preto – Foto: Divulgação/Supera

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No interior paulista, mais especificamente em Ribeirão Preto, cresce um novo conceito de empreendedorismo, o das startups. A cidade é conhecida pelo complexo industrial e comercial, e abriga, desde 2014, o
Supera Parque de Inovação e Tecnologia, ambiente reconhecido por impulsionar desenvolvimento científico e tecnológico.

As startups, pequenas empresas em fase inicial, ou como são definidas atualmente – um grupo de pessoas à procura de inovação em um novo modelo de negócio capaz gerar altos lucros – encontraram terreno fértil na cidade. Na contramão da crise econômica, esses negócios colaboraram para que o Supera terminasse o ano de 2017 gerando cerca de 250 postos de trabalho e um faturamento de R$ 11 milhões.

O sucesso do modelo de negócios é creditado à parceria da USP com a Prefeitura de Ribeirão Preto e à gestão da Fundação Instituto Polo Avançado da Saúde de Ribeirão Preto (Fipase). Segundo o diretor presidente do Supera, Antonio Adilton Oliveira Carneiro, que também é professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, o parque “é uma resposta positiva às estratégias de desenvolvimento tecnológico da cidade, afinal, o estímulo à pesquisa científica aplicada da USP, com o apoio da transferência desses conhecimentos para o setor produtivo, está na base da parceria entre a instituição e a Prefeitura Municipal”.

E a transferência da produção científica é facilitada por outra parceria, a do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Supera Parque com a Agência USP de Inovação (Auspin). De acordo com o professor Carneiro, o trabalho conjunto dos dois órgãos aproxima Universidade e indústria, formando mais parcerias em torno de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. “O NIT também identifica novas tecnologias nos centros de pesquisas da Universidade, apoiando a formação das startups e a captação de recursos.”

O caminho mais comum para o surgimento das startups começa com projetos desenvolvidos por alunos de graduação e pós-graduação que encontram, nas pesquisas acadêmicas, oportunidades tecnológicas de empreender. Atualmente, projetos de alunos da USP representam 55% do total de startups do parque de Ribeirão Preto; mas aproximadamente outros 30% vieram de outras universidades estaduais e federais e mais 10% de instituições de ensino superior da região da cidade.

Os empreendedores são atraídos por “subvenções e investimentos privados de grandes empresas e de fundos de capital de risco, proporcionados pela gestão do Supera”, acrescenta o presidente do parque, lembrando que, além de gerar empregos, o “Supera também tem se tornado uma importante vitrine para os pesquisadores, inventores e empresários”.  

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Infraestrutura para a inovação

Professor da USP, Adilton Oliveira Carneiro também preside o Supera Parque – Foto: Arquivo Pessoal

Criado em 2014, o Supera Parque hoje está com ocupação máxima. Para atender à crescente demanda, está em andamento a ampliação do espaço físico para “a criação de um novo centro de negócios, com novas salas para as empresas, e urbanização de lotes para receber grandes empreendimentos”, informa Carneiro.

A estrutura atual conta com uma incubadora (Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica) e um Centro de Tecnologia como principais âncoras. A incubadora é anterior ao parque; foi criada pela Fipase ainda em 2003; já o Centro de Tecnologia é de 2010.

Ao todo, o parque ocupa área de 378 mil m², das quais aproximadamente 150 mil m² estão separadas para instalação de empresas de base tecnológica. Hoje, a área construída, de aproximadamente 9,2 mil m², abriga a Fipase; a Incubadora de Empresas, com 65 startups; o Centro de Negócios, com 16 empresas, e o Centro de Tecnologia, com laboratórios de apoio ao desenvolvimento, ensaios e certificações de produtos. O complexo também possui um Centro de Negócios com outras 17 salas individuais de 40m² a 120m², 100% ocupadas.

“A maioria das empresas do Centro de Negócios são formadas por startups já graduadas na incubadora, que decidiram se manter no Supera para usufruir das facilidades do ambiente de inovação vinculado à USP. A infraestrutura atrai empreendedores que encontram soluções também inovadoras para instalação e gerenciamento”, conta o professor.

Como exemplo, cita o Open Space que utiliza o método de espaço compartilhado (várias empresas ocupam uma mesma sala) e as opções de sala individualizada. “Há ainda 22 salas, com áreas que variam de 40m² a 60m² para os que necessitam desses espaços.” Existe ainda o processo de Incubação Virtual, que permite às empresas, mesmo fora do parque, receber todos os serviços da Incubadora de Empresas a distância.

Outro serviço dedicado aos empreendedores é o programa de aceleração da Sevna Startups. Mantido pelo Instituto Sevna e sediado no Supera Parque, a aceleradora de startups Sevna é a primeira do Brasil a fazer parte da GAN (Global Accelerator Network), que representa cerca de 100 principais programas de aceleração de todo o mundo. Na América Latina, apenas outras seis fazem parte deste grupo. Iniciou operação em 2015, promoveu quatro ciclos de aceleração completos e está com o quinto e o sexto ciclo em andamento. O portfólio da Sevna reúne 20 startups com valor estimado de R$ 30 milhões.

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Mais empregos e renda com ampliação do Supera

A primeira fase do Parque Tecnológico contemplou a Incubadora de Empresas e o Centro de Negócios, que juntos somam 81 empresas instaladas. Por causa deles, foi criado o Centro de Tecnologia, focado na prestação de serviços para a indústria de eletromédicos.

(clique para ampliar) Projeto das 3 fases concluídas do Supera Parque – Foto: Divulgação/Supera Parque

Carneiro aguarda o início das obras da segunda fase de desenvolvimento do parque. E com ela, espera “ampliar seu espaço físico para atrair mais startups e importantes empresas âncoras de base tecnológica”. O projeto de ocupação e expansão dessa fase contempla a instalação de unidades produtivas de empresas, como a parceria com a Fiocruz, “proporcionando mais empregos e renda para a região”.

A segunda fase prevê urbanização parcial da área do parque destinada às empresas que desejam construir sedes próprias no local. O professor diz que a previsão é de que, no próximo ano, sejam liberados os primeiros 126 lotes planejados para implantação de médias e grandes empresas tecnológicas.

Mais informações: www.superaparque.com.br

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