Alunos da USP ensinam primeiros socorros para jovens de escola pública

Projeto apoiado pela OMS é representado no Brasil por estudantes e professores da Faculdade de Medicina da USP

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Projeto da Faculdade de Medicina da USP ensina crianças e adolescentes a prestarem primeiros socorros em casos de AVC e paradas cardiorrespiratórias. A capacitação é feita tanto em bonecos adultos como de crianças- Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Há diversas atividades que se aprende, normalmente, quando criança e nunca mais são esquecidas, como nadar e andar de bicicleta. É nessa capacidade de fixar melhor os aprendizados que o projeto Kids Save Lives aposta. A iniciativa existe em diversos locais do mundo, inclusive no Brasil, onde é representada por graduandos e docentes da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na capital paulista.

Por meio de uma disciplina optativa, os universitários são responsáveis por capacitar alunos de escolas públicas a efetuar os primeiros socorros em casos de parada cardiorrespiratória. Com cerca de quatro horas de duração, o treinamento tem o objetivo de prepará-los para casos de emergência e incentivá-los a passar adiante o conhecimento adquirido.

Logo desenvolvido pela Italian Resuscitation Council (IRC)

O Kids Save Lives (KSL) é um projeto apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2015. A OMS recomenda duas horas de treino de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) por ano a crianças a partir dos 12 anos, em todas as escolas do mundo. Ao mesmo tempo em que essa iniciativa, coordenada por diversos órgãos europeus de saúde – como o Conselho Europeu de Ressuscitação -, se consolidava no velho continente, profissionais da Faculdade de Medicina da USP trabalhavam em algo muito semelhante. Com o nome de Aprendendo a Salvar Vidas, o projeto atuou durante um ano de forma independente, até que os brasileiros se juntaram ao KSL.

O treinamento de pessoas comuns para prestação de primeiros socorros não é algo inédito, mas normalmente possui um foco diferente desse. “Classicamente, isso é ensinado para os adultos”, explica a professora da FMUSP Maria José Carvalho Carmona, uma das coordenadoras do projeto no Brasil.

Naomi Kondo, uma das coordenadoras do projeto Kids Save Lives na Faculdade de Medicina – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Nesse contexto, a capacitação de crianças vem surgindo como alternativa, principalmente por causa de sua eficiência. “A criança tem uma capacidade de aprendizagem maior do que o adulto e tende a discutir mais em casa o que aprendeu fora. Elas são multiplicadoras”, explica Maria José.

A ideia de prepará-los para reverter paradas cardiorrespiratórias vem das estatísticas. De acordo com a Declaração do Kids Save Lives, escrita pelos órgãos organizadores, “após uma paragem cardíaca, ao fim de 3-5 minutos sem fluxo sanguíneo, o cérebro começa a morrer”. Como o serviço emergencial pode demorar a chegar, a participação de um leigo nesse intervalo é fundamental. No Brasil, além da RCP, o treinamento para o acidente vascular cerebral (AVC) também é incluído. “São duas situações em que você tem que agir rápido. No AVC, por exemplo, quanto mais tempo demorar o atendimento, maior pode ser a sequela.”

De acordo com Yuri Tebelkis, um dos instrutores do projeto e aluno do curso de Medicina, o treinamento começa com uma explicação sobre as principais causas, fatores de risco e métodos de prevenção. Logo em seguida, os jovens são levados para um laboratório para aprenderem na prática. “Temos um boneco para ensinar o básico sobre reconhecer um AVC, como chamar ajuda, pedir para falar algo, dar um abraço etc. Dividimos os alunos em pequenos grupos e, uma a uma, as crianças vão fazendo o movimento no boneco, conosco corrigindo.”

Todo o processo é feito na USP, para que os próprios alunos possam também visitar a faculdade e ter um maior contato com o mundo universitário. Para Yuri, o aprendizado é mútuo, pois acrescenta muito aos graduandos também, principalmente em relação ao modo como se passa a informação. “Temos que adaptar todo o conhecimento técnico que temos.”

Alunos e professores da Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz junto com os coordenadores do Kids Save Lives – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Escola Estadual Professor Antônio Alves Cruz, localizada no bairro de Pinheiros, já recebeu duas vezes a capacitação: a primeira com foco nos professores, e a segunda para estudantes do 2° e 3° anos do ensino médio. A aluna Caterina Borgonovi conta que sua expectativa com o projeto foi totalmente realizada. “Só preciso treinar agora para não esquecer.” Já Jerônimo Borges relata que vai passar adiante tudo o que aprendeu. “Contarei para todas as pessoas ao meu redor. Quanto mais gente souber, mais vidas serão salvas.”

Alguns resultados diretos desse processo já começam a aparecer. De acordo com a professora Naomi Kondo, também coordenadora do projeto, duas alunas que receberam o treinamento já precisaram utilizá-lo. Além disso, a professora de química Elizabeth Sparapan, que acompanhou os alunos na visita à FMUSP, conta que seus colegas também passaram por uma experiência parecida graças à qualificação que receberam. “Tiveram que ajudar alguém quando estavam retornando do almoço.”

Naomi, que coordena pessoalmente as capacitações, explica que o projeto está recebendo doações. A ideia é arrecadar fundos para manter o KSL funcionando. Para quem quiser ajudar, as informações da conta são:

CNPJ: 56.577.059/0001-00
Banco do Brasil
Agência 1897-× / Conta-corrente: 71208-6
Enviar comprovante para contasareceber@ffm.br

 

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