Projeto da USP para o ensino básico já capacitou mais de 6 mil professores

Criado há 12 anos, “Encontro USP-Escola” oferece atividades e cursos gratuitos voltados à prática em sala de aula

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Integrar a academia e a escola pública é uma das principais propostas do encontro realizado desde 2007 – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Janeiro, mês de férias escolares. Mas não para 900 professores de escolas públicas inscritos no Encontro USP-Escola. A 17ª edição do evento foi realizada na terceira semana do ano em diversas unidades da USP na capital. Na abertura, o auditório Ariosto Mila, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, teve todos os seus 450 lugares ocupados por participantes ansiosos pela programação, que se estendeu de segunda a sexta-feira.

O objetivo, já consolidado, foi o de promover uma ampla integração entre academia e escolas públicas. “São atividades como debates, oficinas, palestras e seminários que vão ao encontro, sempre, do interesse do professor em sala de aula”, explica a coordenadora Vera Bohomoletz Henriques, professora do Instituto de Física (IF) da USP. “Mas também oferecemos um espaço para debates de questões amplas de educação e das políticas públicas envolvidas.”

Nesta edição de verão de 2019 foram realizados 26 cursos de atualização – todos gratuitos, com carga horária de 40 horas e certificados. Os conteúdos passaram por temas como tecnologia da informação e comunicação, economia, física moderna para os ensinos fundamental e médio, africanidade, cultura indígena e educação ambiental, entre outros.

As inscrições de professores que já vieram em edições anteriores do USP-Escola, realizadas regularmente nos meses de janeiro e julho desde 2011, são o termômetro do sucesso do encontro. “A via principal [de participações] tem sido a do próprio professor cursista que divulga para seus colegas”, comemora Bohomoletz.

Coordenador de uma escola estadual em Carapicuíba, na região metropolitana, Valter Arnaldo Galiardi se matriculou no ano passado para um curso de física. Nesta edição, trouxe mais quatro colegas. “Estamos pensando até em implantar na própria escola, durante esses recessos, a obrigatoriedade dos professores virem”, planeja.

 

É muito interessante a troca de experiências com todos os professores, as visões diferentes em sala de aula. Como gostamos da área de educação, vir para cá é um prazer”, afirma Valter Arnaldo Galiardi.

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É um momento de, nas férias, encontrar os colegas, se aprimorar sobre algum tema e pensar o cotidiano em sala de aula”, acrescenta a professora de história Juliana Borges, que trabalha em uma escola municipal de Guaianases, no extremo leste da capital. “Gosto bastante de participar. Me ajuda como pessoa e como professora.”

 

Fiquei sabendo do USP-Escola por duas professoras que fizeram em julho e gostaram muito”, disse Regina Maria Acquarone, graduada e licenciada em História pela USP. “Achei interessante. Vim buscar alternativas de abordagens nos temas porque está difícil dar aulas hoje em dia”, explicou a professora com 20 anos de experiência.

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De fato, segundo a coordenadora do encontro, “além de melhorar e atualizar conhecimentos específicos, auxiliamos esses professores a ganhar autonomia. Ou seja, não apenas oferecendo os conhecimentos, mas organizando cursos e atividades que permitam que o professor passe, ele mesmo, a ser um pesquisador”.

Novo vínculo

A partir desta 17ª edição, a gestão do Encontro USP-Escola passa do Instituto de Física para a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). “Trata-se de um programa de grande importância para a extensão universitária, já que promove um intercâmbio real entre a USP e os professores das escolas públicas”, destaca a pró-reitora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado.

A ideia é, na próxima edição de 15 a 19 de julho, ampliar e integrar a iniciativa a outros projetos e institutos da USP. “Nas próximas edições será possível perceber algumas inovações, não apenas na forma de organização mas também no papel que os professores participantes poderão desempenhar após os cursos, fortalecendo e mantendo ativos os laços deles com a Universidade de São Paulo por meio de outros programas bem-sucedidos, como o Vem pra USP, desenvolvido na Pró-Reitoria de Graduação”, adianta.

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“Como professora de ensino fundamental, foi muito importante”

Silvia Regina dos Santos Candido – Foto: Fabio Rubira/PRCEU-USP

Com 32 anos de docência, Silvia Regina dos Santos Cândido emocionou-se ao agradecer publicamente, na assembleia de encerramento do 17º Encontro USP-Escola, a oportunidade de participação.

“É uma coisa que a gente encontra pouco na universidade: Esse acolhimento para quem trabalha com ensino fundamental 1. Porque não é só a questão da alfabetização, do letramento. Também estamos preocupados com outras coisas. E, às vezes, não encontramos atividades que nos contemplam”, declarou.

Professora na escola municipal Comandante Gastão Moutinho, no Mandaqui, zona norte da capital, ela participou do curso “Africanidade e Afrobrasilidades: Corpo, Pensamento e Cultura”.

“Para professores da rede pública, fica difícil pagarmos bons cursos. E um curso na USP é sempre um sonho”, afirmou. “A gente se sente valorizado, estão dando importância para o que a gente pensa.”

Pela primeira vez no USP-Escola, Silvia ficou sabendo da oportunidade, que é integralmente gratuita, por um grupo de professores no WhatsApp. Ela e uma colega fizeram a inscrição on-line. “Quando conseguimos, foi uma grande alegria.”

 

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Participantes da 17ª edição do USP-Escola – Foto: Fabio Rubira/PRCEU-USP

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Números e curiosidades

  • A iniciativa foi criada em 2007 no Instituto de Física (IF) da USP, com o nome de Encontro IFUSP-Escola. “Começamos oferecendo três cursos e atendendo cerca de 90 inscritos”, recorda-se a professora Vera Bohomoletz Henriques
  • Os encontros, gratuitos e semestrais, são voltados a professores da educação básica pública. Ao longo de uma semana, durante as férias escolares de janeiro e julho, são oferecidos cursos, palestras, debates e oficinas
  • Nos anos iniciais, as atividades concentravam-se na área da física. A partir de 2011, as propostas passaram a contemplar todas as áreas do conhecimento
  • Em 17 edições realizadas entre 2007 e 2019 foram oferecidos 286 cursos com certificados
  • Professores de 11 Estados brasileiros, além de São Paulo, já participaram do Encontro. Eles vieram de todas as regiões do País: Rio de Janeiro e Minas Gerais; Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; Mato Grosso do Sul; Ceará, Pernambuco e Piauí; Amazonas e Roraima
  • Mais de 6 mil professores passaram pelo USP-Escola ao longo de 12 anos. De 2007 a 2018, foram 5.812 professores atendidos em busca de melhores práticas de ensino, atualização de conteúdos e atividades para a sala de aula  Fonte: Comissão organizadora do Encontro USP-Escola

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Fabio Rubira / Divisão de Comunicação Institucional da PRCEU 

 

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