Prefeitura de SP testará projeto de alunos da USP em bioengenharia de solos

Estudantes da Poli utilizaram técnica para conter erosão do Corveta Camacuã, na Vila Sônia

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Equipe da prefeitura realiza corte da vegetação das margens do Córrego Corveta – Foto: Prefeitura de São Paulo

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Um trabalho de conclusão de curso (TCC) de três estudantes do curso de Engenharia Ambiental da Escola Politécnica (Poli) da USP, em São Paulo, será aplicado na prática pela prefeitura da capital paulista. Eles fizeram um projeto para conter a erosão das margens do Córrego Corveta Camacuã, localizado na Vila Sônia, utilizando técnicas alternativas de bioengenharia de solos. A proposta será testada em um dos trechos do córrego.

Álvaro Caetano, André Paulini e Fernanda Guedes foram orientados pela professora Amarílis Gallardo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli. “A ideia é usar vegetação de raízes profundas para conter as margens do córrego, que está erodida”, conta Fernanda. “Essa opção é mais sustentável e de menor custo.”

A proposta de estudar métodos naturais de contenção era o tema da iniciação científica do Álvaro. Ele recebeu da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da Prefeitura de São Paulo o pedido de avaliar a situação do córrego. “Recebemos esse pedido da prefeitura e fomos estudar as possibilidades. Isso é recompensante porque mostra que o projeto de TCC pode ser uma coisa real”, diz Fernanda.

Para Álvaro, canalizar o córrego ia ser mais caro e menos funcional. “A canalização aumentaria o risco de alagamentos, tendo em vista que esse método aumentaria a velocidade do córrego e a água não tem como ser absorvida. Canalizar nunca é a melhor opção.”

Na proposta apresentada pelos estudantes, eles indicam o uso de camadas de galhos e raízes para proteger a margem da chuva, o que facilita a absorção de água pelo solo e serve como prevenção a esse tipo de alagamento.

Álvaro explica que as raízes deixam o solo mais firme, principalmente em suas camadas mais profundas. “Essa técnica respeita o curso do córrego, fortalece suas margens e previne o local de alagamentos. Ela é bem conhecida e pode ser usada em outros córregos além deste.”

Para manter a biodiversidade do local, as espécies escolhidas são de plantas nativas. Além disso, foi proposto reutilizar uma praça da região do córrego. “A ideia é fazer um campinho de futebol no lugar que possa, nas estações de chuva, dobrar como um reservatório de água”, conta o estudante da Poli.

Desenho do projeto realizado pelos estudantes da Poli para recuperação do córrego na Vila Sônia – Foto: Reprodução

Para Fernanda, essa integração com a cidade é essencial. “A proposta da engenharia ambiental é essa, servir a sociedade, simplificar a vida das pessoas.” Ela destaca que repensar a maneira como a cidade se organiza é um benefício e que a bioengenharia é uma carreira voltada para o social.

Em nota, a Subprefeitura do Butantã afirmou que a proposta dos estudantes é excelente. “Agora, o que falta é fazer um projeto piloto para aplicar as ideias do trabalho deles na prática. Vamos testar em um trecho para avaliar a eficácia e só depois aplicar no córrego como um todo.”

Os estudantes explicaram o projeto para os integrantes do Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Pazr (Cades) Butantã. “É importante mostrar ao poder público que a engenharia também está oferecendo soluções mais sustentáveis e que valem a pena. As opções sustentáveis costumam ser vistas como caras e ineficientes, mas estamos mostrando que elas garantem ganhos técnicos e de qualidade de vida”, conta Álvaro.

Córrego foi divido em quatro trechos. Prefeitura diz que projeto de alunos da USP será testado em um dos trechos – Foto: Reprodução

O objetivo do Cades é engajar a população, através de seus representantes, na discussão e formulação de propostas socioambientais junto às prefeituras regionais. Ele é composto de oito representantes eleitos pela sociedade civil (e oito suplentes), além dos representantes do poder público, indicados pela subprefeitura à qual está ligado, pela SVMA e por outras seis secretarias municipais. O presidente desse Conselho é sempre o subprefeito ao qual o Conselho está vinculado.

O Plano Diretor Estratégico do município de São Paulo definiu uma série de ações e intervenções urbanas para ampliar progressivamente as áreas verdes permeáveis, minimizando os fatores causadores de enchentes e recuperando os córregos da cidade – aí incluídos os parques lineares. O PDE prevê um conjunto de 43 novos parques lineares, dos quais 15 se localizam no território da subprefeitura do Butantã.

 

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