À frente do HU, médico quer hospital mais humanizado e eficiente

Luiz Eugênio Garcez Leme mostra otimismo diante dos desafios do Hospital Universitário da USP

Por - Editorias: Universidade
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Fachada do Hospital Universitário, localizado no campus Cidade Universitária, em São Paulo – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Apaixonante. É assim que Luiz Eugênio Garcez Leme define o Hospital Universitário da USP, o HU. Superintendente há pouco mais de um mês, o médico considera difícil comparar sua estrutura com a de outras instituições semelhantes, do ponto de vista pedagógico, de pesquisa e de assistência à comunidade.

“Só a USP tem isso. Somos um equipamento sofisticado e custamos caro”, admite. Mas antes de um entrave, essa definição parece um belo desafio a ser vencido. Segundo Garcez, o objetivo é que o hospital valha o investimento generoso que a Universidade nele deposita. A ideia é que, daqui a quatro anos, o HU seja um hospital mais humanizado e eficiente, que atenda bem os servidores da USP e os moradores da região. Afirma que, se isso acontecer, os dirigentes poderão até dizer que o hospital é caro, mas que vale a pena. “Esse é o meu projeto. Não vai ser mais barato, mas espero que valha o quanto pesa.”

Professor de Geriatria e Ortopedia na Faculdade de Medicina, Garcez brinca que, ao assumir a direção do HU, recebeu mais manifestações de solidariedade do que cumprimentos. Mas recorre a uma frase de Michel de Montaigne para criticar a visão geral de crise que se tem sobre o hospital. “Os médicos são afortunados: os seus sucessos brilham ao Sol e a terra cobre os seus erros”, escreveu o pensador. “Com a gente é o contrário: nossos sucessos estão escondidos e nossos fracassos estão colocados à luz do Sol”, argumenta o dirigente.

A seu ver, houve uma comunicação inadequada da situação do Hospital Universitário, que sofreu com a redução dos repasses do ICMS (principal fonte de financiamento das universidades públicas paulistas) e com a perda dos profissionais que aderiram ao Programa de Demissão Voluntária. Com um custo elevado de serviços e quadro insuficiente de servidores, o funcionamento do pronto-socorro precisou ser repensado – hoje, a pediatria e a clínica médica são referenciadas, ou seja, recebem apenas pacientes encaminhados por prontos-socorros da região para internações de urgência.

“Isso não quer dizer que o HU foi fechado, mas que nós estamos obedecendo nosso contrato com o SUS (que inclui apenas a atenção hospitalar secundária)”, esclarece. O superintendente explica que o funcionamento referenciado é benéfico, já que um grande número de pessoas procura os serviços de pronto-socorro sem necessidade – para cuidar de uma dor de cabeça, por exemplo. Nesse caso, é preciso procurar uma unidade de pronto atendimento e, dependendo do caso, só aí o paciente é encaminhado para o Hospital Universitário.

Garcez cita o caso do Hospital das Clínicas da USP na capital que, em 2013, recebia em seu pronto-socorro apenas 5% de casos, de fato, adequados à unidade. Com o referenciamento, no final do mesmo ano, esse número subiu para 20% e a mortalidade caiu. Assim, avalia como natural a queda no número de atendimentos no HU, que costumava fazer cerca de 14 mil atendimentos por mês no pronto-socorro. Hoje, esse número está reduzido a 4 mil.

O superintendente do Hospital Universitário, professor Luiz Eugênio Garcez Leme – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Diálogo com a comunidade

Junto à mudança no atendimento do pronto-socorro, foi realizado no HU um treinamento dos funcionários para orientar melhor os pacientes na portaria e na recepção. Garcez acredita que a medida tem funcionado bem, refletindo num melhor diálogo com a população. Além do treinamento, o hospital criou materiais de divulgação para informar os locais onde se pode procurar atendimento de clínica médica e de pediatria 24 horas e também as unidades básicas de saúde e AMAs na região do Butantã.

Na percepção do superintendente, a comunidade tem reclamado menos e há, hoje, uma relação saudável com as lideranças que defendem a preservação do HU. “Fizeram um abaixo-assinado de 60 mil pessoas para nos manter aqui. Isso mostra carinho e nós ficamos felizes com isso”, conta. “Queremos trabalhar em parceria com as pessoas e não nos livrar delas”, garante.

Em relação à própria comunidade universitária, o médico conta que desde dezembro existe o Acolhimento USP, um pronto atendimento que agiliza o processo de agendar consultas e evita que o paciente tenha que decidir, ele mesmo, qual especialista é o mais adequado para solucionar seu problema.

Um professor que administra

Com pai, filho, bisavô e tios-avós médicos, não só a medicina mas a própria USP faz parte da trajetória pessoal e acadêmica de Luiz Garcez. Ao ser designado superintendente do Hospital Universitário, esse paulistano de 66 anos se deparou com o desafio de encarar também a área administrativa – embora já tivesse atuado, pontualmente, na Prefeitura de São Paulo (como coordenador de saúde do idoso) e no Ministério da Saúde na década de 1990. “Mas aí eu caí em mim: não vou administrar um hospital, vou administrar uma área de ensino da Universidade que precisa de um hospital para funcionar”, conta.

Uma das primeiras missões assumidas pelo dirigente foi montar uma comissão para propor soluções para o hospital. Por isso, além de estruturas internas para tratar de questões mais urgentes, como o pronto-socorro, hoje o HU conta com a parceria do Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde, o Proahsa. Trata-se de um convênio entre o Hospital das Clínicas da USP, a Faculdade de Medicina e a Fundação Getúlio Vargas que propõe soluções para problemas administrativos de organizações e que já está realizando análises estruturais sobre o Hospital Universitário. Tudo para que, como reitera Garcez, se modernize – mas que, ao mesmo tempo, reforce seu lado humanizado.

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