Wisnik discute a relação entre eugenia e gestão da pandemia

A falta de ações efetivas de combate, somada ao negacionismo científico durante a pandemia, resulta no extermínio das pessoas mais frágeis e vulneráveis

Na coluna Espaço em Obra desta semana, Guilherme Wisnik discute a relação entre eugenia e gestão da pandemia do novo coronavírus por governos conservadores. Para o professor, políticas conservadoras na liderança do combate a covid-19 têm sido desastrosas e genocidas. A falta de ações efetivas de combate, somada ao negacionismo científico durante a pandemia, resulta no extermínio das pessoas mais frágeis e vulneráveis.

Segundo Wisnik, atualmente há uma espécie de eugenia que corresponde ao crescimento dos movimentos conservadores em diversos países pelo mundo ao mesmo tempo que se aprofunda o abismo social entre ricos e pobres, incluídos e excluídos. Enquanto a população mundial vivencia o crescimento das cidades e da densidade demográfica, a pandemia do novo coronavírus evidencia o caráter eugênico das políticas conservadoras ao escancarar e permissividade genocida. “Diante dessa questão, se a gente olhar para os projetos de clara eugenia que estão sendo postos em prática percebemos que talvez sejam respostas a situações desse tipo, como acontece de maneira flagrante hoje no Brasil com esse Estado suicidário que decidiu sacrificar boa parte da população, que não haveria cuidado social, que não haveria política de saúde, que o Ministério da Saúde deveria abrir mão de fazer serviço e simplesmente deixar a população vulnerável para que a morte em massa crie a nossa imunidade de rebanho, que parece ser a tendencia no País. Esse é um projeto claramente eugênico e as declarações do presidente deixam isso claro.”

A eugenia atual é, portanto, alicerçada na ideia de seleção natural, ou seja, os mais vulneráveis morrem até que se gere a imunidade de rebanho. De acordo com o colunista, a eugenia é uma filosofia tácita que acompanha o neofascismo, o neonazismo e domina nosso mundo atual: “Para muita gente a resposta à crise de superpopulação e de megaurbanidade é que o mundo só vai sobreviver se matar metade da população, no entanto, para que nós tenhamos um futuro mais democrático nas cidades e do ponto de vista político, é preciso reverter esse modo de pensar as coisas”.

Ouça a coluna na íntegra pelo player acima.


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar toda quinta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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