Walter Zanini e Frederico Morais são os curadores pioneiros da arte brasileira

O trabalho singular dos dois críticos expandiu as práticas institucionais e de intervenção urbana

 

A importância da curadoria que se expandiu além do território da arte é o assunto que Martin Grossmann continua destacando em sua coluna Na Cultura, o Centro Está em Toda Parte, na Rádio USP (clique e ouça o player acima). “Gostaria de enfatizar a gênese da curadoria não só em relação à Europa. Mas lembrar que, aqui no Brasil, também fomos pioneiros de uma forma bastante singular”, afirma. “E centrada na personalidade de Walter Zanini, primeiro diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP e curador da Bienal Internacional de São Paulo, por duas edições, no início da década de 1980.”

Grossmann aponta Zanini como o primeiro a se autodeclarar um curador. “Com uma sólida formação europeia e um dos primeiros doutores em arte do Brasil, ele entendeu que a arte contemporânea exigia novas formas de atuação, multiformes. Docente, editor e um pouco artista, uma vez que se apropriou de estratégias de artistas contemporâneos para ser não só diretor de um museu, mas também curador de uma bienal internacional como a de São Paulo.”

O colunista cita a importante atuação de Frederico Morais no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “Morais trabalhou nessas duas cidades. No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realizou o evento Domingos de Criação que acontecia nos finais de semana, reunindo não só os adultos, mas as famílias.” Grossmann cita o evento histórico, que não era apenas de artistas, mas um evento de criação para todos. Aponta outro programa, em Belo Horizonte, Do Corpo à Terra, na década de 1970. “São duas práticas bastante importantes no Brasil, porque dão início ao pensamento da curadoria e a esse modo de fazer uma gestão e uma mediação de um sistema que deixou de ser das belas artes para ser uma complexidade.”

Walter Zanini e Frederico Morais expandiram as práticas institucionais e de intervenção urbana. “Nesse sentido, Zanini, mais institucionalizado, ligado a importantes universidades, ao MAC USP e à Bienal Internacional de São Paulo. E Frederico atuando no campo expandido da arte, procurando fazer com que a arte deixasse os seus espaços protegidos.”


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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