Violência extrema da série “Round 6” é usada a favor da crítica social

Na opinião de Guilherme Wisnik, trata-se de uma estética que se reverte numa espécie de conscientização pelo choque do abismo social que o capitalismo criou no mundo atual

 Publicado: 25/11/2021

Nesta edição de sua coluna, Guilherme Wisnik comenta a série sul-coreana Round 6, produzida pela Netflix e bastante popular atualmente. “A série é muito crua, tem uma violência muito crua. É claro que a violência está presente em muitos filmes na história do cinema, nas séries também, mas neste caso o que é interessante é que ela mistura uma espécie de pastelão […] a uma violência muito explícita, tudo isso com um fundo de crítica social evidente.”

Para o colunista, esse tratamento aproxima a série do filme Parasita, também proveniente da Coreia do Sul e bastante premiado em festivais pelo mundo. “A Coreia do Sul é um país de um capitalismo voraz, que tem uma exclusão social muito grande, exclusão social essa que se manifesta muito na cidade, como Parasita mostra”, ao contrastar diferentes níveis sociais e de desigualdade. Wisnik acredita ainda que a série tem semelhanças com o filme brasileiro Bacurau, de Kleber Mendonça Filho, “porque o pano de fundo de Round 6 é a falta do que fazer da vida dos multimilionários do mundo, de um mundo globalizado, essa casta muito rica, que já tem tudo e vive entediada, então passa a querer ter a emoção de uma espécie de reality show ao vivo, com pessoas de verdade, que estão sofrendo e que estão morrendo e que se dobram aos seus desejos”.

Para Wisnik, é por isso que a série, apesar da violência explícita, é tão importante. “O que eu acho é que essa estética da violência é usada a favor da crítica social, isto é, ela se reverte numa espécie de conscientização, pelo choque, do abismo social que o capitalismo criou no mundo de hoje. E, nesse sentido, é interessante que ela tenha uma popularidade tão grande.”


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar toda quinta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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