Tempo milimétrico permite estudar fenômenos físicos com precisão inédita

Paulo Nussenzveig disserta sobre os novos desenvolvimentos na medição do tempo em física, anunciados nos Estudos Unidos em setembro

 Publicado: 25/11/2021
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Anunciada no último mês de setembro, a descoberta, por dois grupos de pesquisa nos Estados Unidos, de novos desenvolvimentos na medição de tempo, que permitem estudar fenômenos físicos fundamentais com inédita precisão, é o tema da coluna do físico Paulo Nussenzveig. “Segundo Freeman Dyson, há dois tipos de revolução científica: aquelas baseadas em conceitos inovadores e aquelas baseadas em instrumentos inovadores”, afirma. “Parte da beleza do empreendimento científico está na realimentação entre esses dois tipos de inovação, com novos conceitos gerados a partir de inovações tecnológicas assim como novas tecnologias que surgem de conceitos completamente inéditos.”

“Um exemplo de revolução científica baseada em novos conceitos foi o desenvolvimento da relatividade geral, há pouco mais de cem anos. Após compreender a necessidade de rever os conceitos de espaço e tempo impostos pela relatividade restrita, Albert Einstein trabalhou dez anos para tratar a gravitação”, relata o físico. “Esse longo intervalo foi necessário para que ele aprendesse as sofisticadas ferramentas matemáticas necessárias para a formulação detalhada da teoria.”

“Para decifrar o enigma, Einstein teve uma série de ideias felizes, dentre as quais está a percepção da igualdade entre a massa inercial, a resposta de um sistema a forças aplicadas, e a massa gravitacional, a propriedade que caracteriza a interação gravitacional entre os corpos”, conta Nussenzveig. “Através dessa igualdade, é possível perceber que corpos em queda livre num campo gravitacional se comportam como se estivessem num referencial inercial.”


Ciência e Cientistas
A coluna Ciência e Cientistas, com o professor Paulo Nussenzveig, vai ao ar quinzenalmente toda quarta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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