Surrealidade aumentada na cultura marcou 2020

O ano de 2020, segundo Martin Grossmann, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, ganhou contornos surreais. Em uma retrospectiva dos temas abordados em sua coluna Na Cultura, o Centro Está em Toda Parte, na Rádio USP (clique e ouça o player acima), comenta os principais acontecimentos que pontuaram a cultura. “Tivemos logo de início indícios da surrealidade na cultura que estavam por vir, como a passagem meteórica de Roberto Alvim pela Secretaria Especial da Cultura, que deixou evidente o fundo do pano ideológico do atual governo federal”, comenta. “Em sua última live como secretário, criou uma cena inspirada pelo nazismo e acabou sendo demitido.” Houve, ainda, a novela trágica, não ficcional na cultura, com a patética passagem da atriz Regina Duarte pelo cargo e a permanência no cargo de presidente da Fundação Palmares por Sérgio Camargo, negacionista, inimigo da luta antirracista.

A relação entre pandemia e pandemônio permeou, segundo Grossmann, as 30 colunas de 2020. “Mas o que mais fica presente em retrospecto é o caráter surreal da nossa existência no aqui e agora. Eu diria que estamos vivendo já antes da pandemia em uma surrealidade aumentada.”

Grossmann destaca que os acontecimentos realçam a distopia que virou nossa realidade. “No entanto, ainda desejo a todos nós alguns momentos de esperança, descanso, apaziguamento, reflexão, de congregação, de preferência virtual, neste final de ano. Condição essa providencial para imaginar futuros pós-pandêmicos. Existirão…”


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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