Restrição de carros não solucionará avanço da pandemia em São Paulo

Para Nabil Bonduki, é necessário atacar a origem do problema, que envolve a baixa adesão ao isolamento, com diferentes medidas, especialmente focadas nas áreas periféricas

Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, avalia a situação da mobilidade na cidade de São Paulo. Para Bonduki, as políticas municipais e estaduais ainda não estão alinhadas com as necessidades de transporte da população durante a crise.

Para o professor, no início da pandemia, “deveria ter havido uma melhor política de controle para isolar o vírus”, o que não aconteceu. Em seguida, a Prefeitura de São Paulo decidiu inicialmente reduzir a frota de transporte público nas ruas, uma medida ineficiente, com potencial de transformar os ônibus, agora mais lotados, em vetores da doença.

Já nesta semana, teve início na capital paulista o chamado “megarrodízio de carros”; nos dias pares, podem circular os veículos com final das placas pares (0, 2, 4, 6, e 8). Já nos dias ímpares, trafegam veículos com final das placas ímpares (1, 3, 5, 7, e 9). A medida é válida para todos os dias da semana, durante as 24 horas do dia, e as restrições abrangem toda a cidade. Entretanto, para o urbanista, o carro “é a melhor política de isolamento”, por isso, restringir seu uso é “cortar a possibilidade de deslocamento seguro das pessoas”.

De acordo com Bonduki, é necessário atacar a origem do problema com diferentes medidas, especialmente focadas nas áreas periféricas. “A Prefeitura precisa criar um programa para efetivamente apoiar as pessoas que se isolam em casa”, defende ele.

Ouça na íntegra no áudio acima.


Cotidiano na Metrópole
A coluna Cotidiano na Metrópole, com o professor Nabil Bonduki, vai ao ar toda quinta-feira às 10h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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