Responsabilidade pelas mortes de Dom e Bruno vai muito além de quem atirou e matou

Para Renato Janine Ribeiro, uma série de omissões relacionadas ao assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips aponta para uma responsabilidade política do caso

 Publicado: 22/06/2022
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O assassinato do indigenista licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), Bruno Pereira, e do jornalista inglês Dom Phillips não pode ser tratado como tragédia, mas sim como crime, alerta Renato Janine Ribeiro. E é um crime que aponta para a responsabilidade, não apenas de quem atirou, matou e esquartejou, mas também dos envolvidos na série de omissões relacionadas ao caso.

O professor ressalta a necessidade de os povos indígenas mais isolados serem respeitados e tratados com muito cuidado – e essa era exatamente a área de atuação de Bruno Pereira na Funai, da qual ele foi demitido após pressão do governo federal. “O fato de tirar alguém da coordenação do contato com grupos isolados de indígenas, o fato de deixar esse lugar vago e o fato de não proteger os indígenas do Vale do Javari indicam claramente uma responsabilidade política séria do atual governo”, diz o colunista. “Não estou culpando. Há uma diferença entre culpar e responsabilizar”, completa.

Para Janine, é muito grave o Brasil ter chegado a um ponto em que nós vemos pessoas sendo alvo de tiros, além da expectativa de impunidade ser muito grande para os responsáveis pelas mortes. É preciso fazer o óbvio para proteger os defensores da floresta e a própria floresta: combate ao desmatamento e ao garimpo ilegal, proteção aos povos da floresta, sejam eles indígenas ou imigrantes de outros Estados brasileiros que lá moram. O professor também considera chocante o fato de o Comando Militar da Amazônia, após o desaparecimento de Bruno e Dom, ter dito que aguardava ordens de Brasília para começar a atuar.


Ética e Política
A coluna Ética e Política, com o professor Renato Janine Ribeiro, vai ao ar toda quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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