USP Analisa debate políticas de segurança pública

Entrevistados desta semana são os pesquisadores Sérgio Adorno e Marcelo Batista Nery, do Núcleo de Estudos da Violência da USP

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Foto: Vladimir Tasca

A violência nos médios e grandes centros urbanos exige um debate sério que envolva governo, sociedade e a própria força policial, para propor mudanças na política de segurança. O USP Analisa de 10 de maio conversa sobre esse tema com o coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, Sérgio Adorno (foto à direita), e o pesquisador do NEV, Marcelo Batista Nery (foto à esquerda), que desenvolvem estudos nessa área.

Para Adorno, a violência é um fenômeno bastante complexo, que envolve uma análise do contexto social e também dos próprios valores sociais e culturais. “Há sociedades em que o valor à vida é absoluto. A morte de quem quer que seja, independente de gênero, raça ou classe social, é inaceitável. Mas há também outras sociedades mais relativas a esse direito. No Brasil, a violência sempre foi pensada como recurso de força, disciplina social e poder. Por outro lado, é uma sociedade que se sente solidária à vítima, em casos de grande repercussão na consciência pública. É uma sociedade ambígua: ao mesmo tempo em que determinados setores veem a violência como uma espécie de recurso, outros não a aceitam”.

Considerando o Estado de São Paulo, embora tenha havido evolução nas políticas de segurança pública, como a implantação de recursos como Infocrim, Fotocrim, Copom On-line e tablets nas viaturas, além da inclusão de direitos humanos no currículo policial, a principal delas utilizada atualmente deveria ser revista, segundo os pesquisadores. “A principal política pública do Estado é ligada ao aprisionamento e ao enfrentamento de criminosos. Isso levou ao fato de que 35% da população carcerária do Brasil está em São Paulo e 33% das mortes por terceiros na cidade de São Paulo é causada por policiais. É um tipo de política pública que precisa ser revista porque, se tem tido sucesso em alguns aspectos, também é questionável por vitimar tantas pessoas”, explica Nery.

“No mundo inteiro há uma tendência ao desencarceramento. Se você considerar os quatro países que mais prendem – Estados Unidos, Rússia, China e Brasil –, nos três primeiros há uma tendência a reduzir o encarceramento. O Brasil é o único em que isso está crescendo. No mundo todo, a ênfase tem sido em políticas preventivas. É preciso proteger a população para evitar que desde cedo os jovens cometam crimes e construam uma carreira na delinquência”, afirma Adorno.

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O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, vai ao ar toda quarta-feira, às 21h30.

Por: Thaís Cardoso

 

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