Queimadas na Amazônia promovem desgaste inédito da floresta

Professor Glauco Arbix contextualiza os resultados de recente estudo sobre a situação da Amazônia

A revista Nature, uma das mais reconhecidas no mundo científico, publicou ainda em julho um estudo sobre a situação real da Amazônia. Os resultados explicitam o mau caminho que o Brasil vem tomando com relação à maior floresta tropical do mundo. Pela primeira vez na história, a floresta Amazônica emite mais dióxido de carbono (CO2) do que ela é capaz de absorver.

Em sua coluna Observatório da Inovação, o professor Glauco Arbix explica que “a Amazônia, que não é só brasileira (Brasil tem 60% do território), sempre foi um regulador da temperatura mundial para estimular ou inibir as chuvas”. Porém, é possível notar que essa capacidade da floresta está se perdendo por conta da exploração madeireira, do desmatamento e das queimadas.

Estudos indicam que boa parte do desmatamento e das queimadas acontece por ação humana. Assim, mesmo queimadas “naturais” provocadas pelo clima seco tem seus efeitos agravados pela ação humana. “Nas últimas décadas, a Amazônia vem sendo atacada e diminuída na sua capacidade de se regenerar.”

O professor Arbix explica que a recente pesquisa sobre a Amazônia inova pelo fato de não se basear em dados de satélite, como se faz usualmente, mas em realizar diversos voos para mensurar os níveis de CO2 emitidos na região amazônica. Através desse método, foi possível constatar que as queimadas da floresta passaram a produzir três vezes mais CO2 do que a floresta consegue absorver. “É uma situação que tem que ser interrompida para o bem do Brasil e do mundo. O Brasil está pagando a conta de uma gestão irresponsável do meio ambiente promovida pelo governo federal”, conclui o professor indicando que o melhor caminho para promover a proteção de espécies de animais e plantas é a redução de CO2 em uma década pelo menos.


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar toda segunda-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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