Projeto estimula a participação feminina no mercado de trabalho a partir da agricultura sustentável

Nathalia Nascimento discorre sobre o trabalho desenvolvido por alunas da USP, que é um dos finalistas de iniciativa proposta pela Universidade de Wageningen

 17/06/2024 - Publicado há 1 mês

 

O projeto foi criado em 2021 como parte de um grupo de pesquisa do Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA) da Esalq – Foto: Reprodução/Freepik
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Professores e estudantes da USP trabalham em uma proposta para diminuir o desemprego feminino no projeto Mulheres que Alimentam Cidades, realizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, um dos finalistas do Food Systems Innovation Challenge (Desafio de Inovação em Sistemas Alimentares), iniciativa organizada pela Wageningen University & Research (WUR) em parceria com a Esalq e outras universidades internacionais. Nathalia Nascimento, professora do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, orientadora da equipe de trabalho, e Vanessa Alves, uma das três alunas que participam do projeto, juntamente com Joana Soares e Camila Lopes, explicam como o programa funciona na prática e quais os seus objetivos.

Segundo a docente, o projeto foi criado em 2021 como parte de um grupo de pesquisa do Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA) da Esalq e tinha como objetivo desenvolver práticas de agroecologia e educação ambiental na Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECFI) da USP. Nesse projeto, foi desenvolvida uma pesquisa sobre agroecologização de territórios, cujo principal objeto de estudo era uma horta comunitária liderada por mulheres chamada Cheiro Verde.

Nathália Nascimento – Foto: Reproudção/IEA-USP

Conforme Nathalia, o principal objetivo do trabalho era entender os desafios e oportunidades na produção de alimentos saudáveis de baixo custo para a população do município e a importância da atuação dessas mulheres na agricultura. Ela explica que, em 2023, o projeto foi reformulado e adaptado para a cidade de Piracicaba em uma parceria da USP com a Prefeitura do município.

“As alunas conseguiram concretizar esse projeto a partir dessa parceria, na qual a Prefeitura de Piracicaba e a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social cederam terrenos públicos cujo espaço não estavam sendo utilizados e, por muitas vezes, acabavam se transformando em áreas de proliferação de insetos, pragas ou até mesmo alvo de despejo irregular de resíduos”, explica.

Funcionamento

De acordo com a professora, as mulheres selecionadas para participar do projeto são selecionadas pelo programa emergencial de auxílio contra o desemprego. Ela conta que as escolhidas, no geral, são chefes de família que estão há mais de um ano sem conseguir arranjar um emprego. Além disso, a Prefeitura da cidade vai disponibilizar cestas básicas, vale-transporte e um salário mínimo durante o período de nove meses.

Segundo a docente, a ajuda de custo oferecida pela Prefeitura no período de nove meses, apesar de importante, não é suficiente para as participantes, por isso, um dos intuitos da iniciativa é capacitar profissionalmente essas mulheres para que elas tenham a oportunidade de aprender sobre técnicas profissionais, direitos femininos e empreendedorismo. Dessa forma, elas podem encarar com menos turbulências os problemas cotidianos que enfrentam nos campos de justiça social e desigualdade de gênero.

“A Universidade de Wageningen também disponibilizou uma quantia monetária que as alunas já estão utilizando para comprar os instrumentos necessários à implantação da horta. Então, esse projeto é um exemplo de como a universidade e as administrações municipais podem fazer diferença na vida das pessoas para cumprir as metas de desenvolvimento sustentável estabelecidas pela ONU”, explica

Finalistas

Vanessa Alves – Foto: Linkedin

Vanessa Alves conta que escolheu participar do projeto porque o impacto positivo de transformar vidas e possibilitar um melhor futuro para mulheres é algo que sempre a motivou. Uma das estudantes estará na Holanda para a apresentação dos projetos na Universidade de Wageningen, mas, segundo a professora, eles estão buscando alternativas para que as três participantes da iniciativa estejam presentes no país europeu.

“Nós estamos buscando fundos para que as três alunas consigam ir para a Holanda. Eu acredito que o contato com outros idiomas, outras iniciativas e outras culturas é muito enriquecedor e essencial para qualquer pesquisador. As estudantes vêm se dedicando muito nesse trabalho, então eu acho que é de fundamental importância que estejam todas presentes no momento de defender seu projeto”, explica a docente.


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