“Precisamos fazer com que o Brasil moderno volte”

Wisnik aproveita o leilão do Palácio Capanema para fazer uma reflexão sobre a existência de dois países num só: o Brasil moderno, que ainda existe, mas que convive com um outro, que se mostra medíocre, tacanho e mesquinho

 19/08/2021 - Publicado há 3 meses

O leilão, promovido pelo governo federal, de boa parte do patrimônio histórico e artístico do País é o tema desta coluna do professor Guilherme Wisnik, que foca seu comentário no Palácio Capanema, incluído nesse processo de liquidação, o que, para o colunista, nada mais é do que um sintoma do que é esse governo, “um governo com uma agenda absolutamente destrutiva, não construtiva. O que eles querem é acabar com tudo e, nesse sentido, a guerra cultural é muito importante”. Para Wisnik, ao atacar o patrimônio histórico nacional, o governo mostra-se inteligente, do ponto de vista das pessoas que comungam com o desejo de transformar o Brasil em terra arrasada.

Na sequência de sua análise, Wisnik fala da importância do Palácio Capanema para a arquitetura moderna, citando os grandes nomes por trás de sua concepção e do que o edifício representou em sua época, ao contribuir para elevar o status da arquitetura nacional para o mundo. “A construção de Brasília foi o coroamento desse processo, dessa imaginação de um outro país que não era mais aquele país com os travos do atraso colonial e da opressão, país que justamente volta agora e coloca esse próprio monumento à venda num leilão, com seus móveis e com tudo – o que, se realizado, é uma tragédia monumental para o nosso país.”

Wisnik conclui observando que o Brasil já quis ser outro, mais moderno, e esse continua pairando junto deste outro Brasil medíocre, tacanho, mesquinho. “E essa guerra é a guerra na qual nós estamos, e precisamos fazer com que o outro Brasil, de alguma maneira, volte.”


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar toda quinta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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