Poluição veicular: níveis preconizados pela OMS estão longe do ideal

Segundo Paulo Saldiva, para a redução da poluição, o “cigarro ambiental”, dependemos de políticas públicas de ordenamento urbano – as quais são esperadas dos novos prefeitos e vereadores

 02/11/2020 - Publicado há 11 meses  Atualizado: 03/11/2020 as 11:17

Durante os primeiros meses da pandemia, houve uma queda no nível de poluição nas cidades em função do menor número de carros circulando. Segundo o professor Paulo Saldiva, na coluna Saúde e Meio Ambiente desta semana, essa queda mostra que é possível, por meio do reordenamento do sistema de transportes, o uso de transporte de massa de baixa emissão, além da demanda de mobilidade para realização de tarefas, como é o caso do home office. 

Ainda que os níveis ideais, preconizados pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), não sejam atingidos, “talvez devêssemos chegar perto”, afirma Saldiva, segundo o qual o nível de material particulado fino na cidade de São Paulo, na média anual, é mais que o dobro desejável em um padrão de maior qualidade.

“Estudos confirmam a análise de que a fuligem que inalamos nas ruas, acima dos níveis ideais, aumenta o risco de termos câncer de pulmão. Logicamente, é muito menor que os riscos do cigarro, por exemplo, mas é um risco do qual não temos escolha. É como se fumássemos poucos cigarros por dia e, quanto mais ficamos na rua, mais exposição temos a um agente – exposição essa à qual não temos escolha, ao contrário do cigarro”, aponta o professor. 

Saldiva conclui afirmando que, para reduzir a poluição, “esse cigarro ambiental”, dependemos de políticas públicas de ordenamento urbano e de adoção de novas tecnologias e combustíveis mais limpos. “Considerando, ainda, que estamos na iminência de eleições municipais, tomara que os novos prefeitos e parlamentos venham com propostas consistentes de um planejamento urbano mais sustentável, o que vai acarretar para nós mais saúde e qualidade de vida”, conclui. 

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Saúde e Meio Ambiente
A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.

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