Poder público precisa cuidar melhor da população mais vulnerável durante crise

Entre as medidas que poderiam ser adotadas, Nabil Bonduki sugere a requisição da rede hoteleira local, que hoje conta com cerca de 40 mil leitos ociosos, para isolar as pessoas contaminadas e que moram precariamente

Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comenta sobre a situação da população vulnerável durante a crise do coronavírus. Para ele, “a situação é muito preocupante se considerarmos várias condições de habitação da população mais vulnerável, como as favelas, os cortiços, os loteamentos clandestinos muito densos e também a população em situação de rua”.

De acordo com o especialista, é necessário um plano emergencial para enfrentar a pandemia junto a essa população, que está menos amparada. Entre as medidas que poderiam ser adotadas, Bonduki sugere a requisição da rede hoteleira local, que hoje conta com cerca de 40 mil leitos ociosos, para isolar as pessoas contaminadas e que moram precariamente.

Além disso, o urbanista defende que o poder público suspenda todos os processos de despejo, inclusive por falta de pagamento de aluguel, de corte de água e luz, assim como as ações de reintegração de posse de terrenos e prédios ocupados.

“O poder público precisa ter iniciativas, porque muitas delas estão vindo da própria população, das organizações populares, mas isso é insuficiente, considerando o tamanho da cidade e do problema”, pontua ele, ao afirmar que o Estado precisa instituir uma renda básica emergencial que, durante a calamidade, garanta uma cesta de alimentação suficiente para todas as famílias que necessitem.

Ouça na íntegra no áudio acima.


Cotidiano na Metrópole
A coluna Cotidiano na Metrópole, com o professor Nabil Bonduki, vai ao ar toda quinta-feira às 10h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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