Otimismo tóxico pode ser mais cruel que realismo pessimista, aponta colunista

Marília Fiorillo analisa os malefícios do chamado “otimismo tóxico”, que muitas vezes pode nos forçar a fugir da realidade como ela de fato é

Quando a atmosfera de crise aparece em diversos setores como sociedade, economia e política, é natural notarmos cada vez mais a forma pela qual recebemos todos esses dissabores. Enquanto uns preferem enfrentar o realismo dos fatos, por mais cruéis que eles possam ser, outros recorrem ao que a professora Marília Fiorillo definiu como “otimismo tóxico”.

“O mais exasperante neste momento em que, além da pandemia, há toda essa porcaria cotidiana e o mundo promete mais guerra e fome, o que há de mais chato e enervante é o chamado otimismo tóxico”, afirma a professora em sua coluna Conflito e Diálogo, exemplificando que ele pode ser encontrado naquela “amiga, por exemplo, que, diante de uma reclamação sua, responde que há outras dimensões da vida, como ir ao shopping, e faz mal à saúde ficar atento só aos horrores do momento”.

A professora Marília também faz menção a pessoas que atribuem ao câncer o caráter psicossomático, ou seja, seria uma doença que também envolve a esfera psíquica do ser humano. “A grande crueldade dessa teoria seria colocar a culpa da doença no doente. Como se o masoquismo psíquico, e não causas genéticas ou ambientais, tivesse instalado a enfermidade.”

Com o bombardeamento de informações com o qual muitos ainda sofrem hoje, é natural que se busquem refúgios, mas a professora alerta: “Uma alienação moderada, homeopática, de vez em quando, pode até ser saudável, mas a saltitante positividade tóxica é maligna e corrosiva, porque nos culpa pelo crime de acompanhar o que está acontecendo”.


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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