Os cem dias do secretário e ator Mario Frias à frente da Cultura

O quinto secretario da pasta é também o protagonista da série de vídeos “Um povo heroico”, lançado pelo governo federal

 

 

“O ex-galã da série Malhação, da Rede Globo, e atual secretário especial da Cultura, Mario Frias, sob o pretexto de comemorar cem dias à frente da Secretaria Especial da Cultura, exalta, como também festejou Roberto Alvim, o antecessor de Regina Duarte no cargo, a consagração de uma verdadeira arte brasileira”, comenta Martin Grossmann em sua coluna Na Cultura, o Centro está em Toda Parte, na Rádio USP (clique e ouça o player acima). “Ele menciona a ideia de que brasileiros são um povo heroico.”

E, por falar em heroísmo, Grossmann destaca que comemorar cem dias de gestão é um desafio na Secretaria Especial de Cultura, vinculada ao Ministério de Turismo. “Esta Secretaria já teve cinco secretários e cada um deles, na média, permaneceu no cargo apenas por 126 dias. Regina Duarte ficou menos de três meses e passou mais tempo em namoro e noivado com o presidente do que o breve intervalo que esteve no governo”, observa. “Ela foi demitida, assim como seu antecessor. Regina por incompetência e Alvim por fazer apologia explícita ao nazismo, lembrando Joseph Goebbels em um vídeo gravado em seu gabinete.”

Na avaliação de Grossmann, as recentes manifestações do secretário Mario Frias deixam clara as intenções do governo federal de fomentar e dar continuidade à militância na guerra cultural. “A ala ideológica do governo mostra as suas caras e orienta o discurso da cultura.”

Um exemplo desta intenção é a campanha do governo nas redes sociais com a série de vídeos Um povo heroico, que tem como protagonista o galã Mario Frias e pretende explorar os verdadeiros líderes, respeitados intelectuais e grandes heróis nacionais.

“Mas perguntamos quem seriam esses líderes, intelectuais e heróis pelo ponto de vista do governo? Seriam os escravagistas do passado e os atuais, que, apesar da abolição, perpetuam o racismo sistêmico e estrutural no Brasil? Os evangelistas, que desprezam a multi e interculturalidade no Brasil, insuflando o conflito por pretexto religioso? Ou os sertanistas, que dizimaram milhões de indígenas, como os bandeirantes? As lideranças militares da República, que ocupam hoje e ocuparam postos de governança desde a Proclamação da Republica ou até mesmo torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra, que já foi homenageado por Bolsonaro?”, questiona Grossmann. “O governo, em vez de operar como uma interface que possa acomodar os diferentes anseios e demandas que perfazem uma república, uma democracia, um pais multicultural como o Brasil, opta por criar um dogma ancorado em uma ideologia que aparentemente não apresenta um referencial simbólico estruturado e referendado por produção intelectual e histórica. O mal-estar é muito grande.”


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar toda quarta-feira às 9h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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