Os 30 anos do Mercosul passaram quase em branco

O aniversário do bloco teve pouca repercussão, mas, para Pedro Dallari, o Mercosul continua sendo importante na integração da América do Sul

 14/04/2021 - Publicado há 8 meses
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No último dia 26 de março, o Mercosul – o acordo de integração continental que une Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a hoje suspensa Venezuela – completou 30 anos. Só que a data passou praticamente em branco, com quase nenhuma comemoração. Mas o acordo, apesar de tudo, continua muito importante e válido. E é disso que trata a coluna do professor Pedro Dallari desta semana. “Foram muito poucas as manifestações públicas e mesmo na imprensa em torno dos 30 anos do Mercosul. Mesmo a reunião oficial de celebração, realizada de forma virtual entre os presidentes dos países-membros, foi melancólica. O presidente brasileiro saiu em meio ao evento e os presidentes de Argentina e Uruguai divergiram acidamente sobre o futuro do bloco”, afirma Dallari. “O Mercosul é fruto do Tratado de Assunção, que se seguiu a um tratado anterior, celebrado entre Brasil e Argentina. Esse primeiro acordo alinhavou o que viria a ser o  processo de integração comercial e econômico indicado no Mercosul”, relembra o colunista.

“O Mercosul é fruto da redemocratização  dos países-membros e foi concebido com muito otimismo. A intenção era fortalecer a economia e o bem-estar das populações envolvidas”, contextualiza o professor, que lembra que o acordo teve, inicialmente, um viés essencialmente comercial. “A ideia era criar uma área de livre comércio, mesmo com imperfeições, gerando um grande mercado comum, com os produtos do bloco podendo circular livremente, com consequente barateamento de custos e aumento do consumo. Posteriormente, os acordos no âmbito do Mercosul evoluíram para outras áreas, com a padronização de regras em diversas matérias, como na saúde pública”, afirma. “Porém, as dificuldades da economia global acabaram por afetar também os países da região, com o ímpeto integracionista perdendo muita força, e hoje se discute a reformulação dos acordos que levaram à criação do Mercosul e a perspectiva de alianças fora do bloco, como a União Europeia. Mas, apesar das dificuldades atuais, os princípios que levaram à criação do bloco permanecem válidos: a defesa da democracia, a integração econômica e social, a busca do bem-estar das populações”, garante Dallari. “Estes são princípios que devem continuar a ser levados em consideração e, sem dúvida nenhuma, a integração na região ajudará na sua efetivação. Mas é preciso que a sociedade e a universidade discutam a melhor maneira de preservar essa iniciativa tão importante”, acredita o colunista.


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar toda quarta-feiraa às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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