O mundo em 2020: entre a pandemia e a exclusão social

Para o colunista Pedro Dallari, estas foram as piores e mais sérias marcas de um ano já naturalmente marcante

 09/12/2020 - Publicado há 11 meses
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“O ano de 2020 ficará realmente na história mundial como um ano muito marcante.” É o que afirma o professor Pedro Dallari em sua coluna desta semana, fazendo uma retrospectiva desses 12 meses marcados pela pandemia do coronavírus. “A disseminação e a proliferação do vírus e da covid-19 implicaram mudanças muito significativas para grande parte da população.  A mudança de rotinas, a paralisação de viagens e, por outro lado, a crescente integração virtual”, exemplifica o colunista. “Mesmo com a vacina e a superação da pandemia, as mudanças que ocorreram em 2020 irão permanecer para a vida das pessoas. O impacto da pandemia foi uma das marcas dominantes de 2020 no cenário global. A covid-19 já gerou, no mundo, 31 milhões de infectados, com 977 mil mortes, conforme dados do último final de semana. No Brasil, são 6,5 milhões de contaminados e 176 mil mortos. E é preciso lembrar que esses números são subestimados, devido à falta de testagem”, afirma Dallari.

A outra marca, segundo Pedro Dallari, foi o quadro de exclusão social desvelado e afetado ainda mais pela pandemia. “No âmbito da exclusão social, a pandemia expôs as desigualdades. Os benefícios da globalização não incluem parcela significativa da sociedade e este quadro, que obviamente não foi causado pelo coronavírus, ficou ainda mais exposto por sua causa”, afirma o professor. “No que se refere à pobreza, por exemplo, verificou-se que a fome ainda é o grande problema do mundo. Segundo dados da ONU, são 690 milhões de habitantes do planeta que ainda passam fome, três vezes a população brasileira”, atesta ele. “Mas verificou-se com muita evidência também a exclusão pela discriminação racial. A violência policial contra negros causou manifestações em todo o mundo. E também a discriminação pela questão de gênero, com a pandemia, acentuou o quadro de fragilidade do sistema de proteção às mulheres, que representam a maioria dos trabalhadores na área da saúde. E, ainda, a exclusão dos povos indígenas, já vítimas da degradação ambiental e que se viram ainda mais fragilizados. O ano de 2020 foi muito difícil, e deve gerar lições para o futuro da humanidade. Ou melhor: para que a humanidade tenha um futuro.”


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar toda quarta-feiraa às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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